sábado, janeiro 24, 2009

Em 2009


Depois de um longo período de férias, volto à este blog após algumas mudanças na minha vida pessoal.
Larguei meu antigo trabalho, depois de dois anos e um mês vendendo minha mão de obra por um valor irrisório e com falta de reconhecimento. No entanto, ainda assim reclamando, devo admitir que foram tempos de muitas oportunidades e experiências, também de aprendizados com pessoas que tento humildemente agradecer por estes momentos.

Este fato originou uma série de questionamentos sobre minha profissão. E do nó que se fez rendeu um desânimo até para abrir a página do blog, quiçá para escrever. De certa forma, tudo isso se faz necessário, eu preciso dar um up na minha vida e para isso tenho que começar a chutar algumas pedras do caminho.

A pergunta que não sai da minha cabeça: "e agora, que trabalho possível me deixará feliz?".

Enquanto não descubro, estou aqui para anunciar meu novo blog:

o Bonsai Reflexivo (www.bonsaireflexivo.blogspot.com)

A partir de agora, o Vinte e Poucos Anos estará restrito à minha vida pessoal, histórias do cotidiano, experiências do dia a dia, aquelas coisas interessantes que acontecem comigo (e na vida dos que estão comigo) e trago pra cá.

Já o Bonsai Reflexivo será basicamente sobre tudo que adoro criticar: televisão, cinema, revista, comportamento, publicidade, jornalismo, livros e eventos, etc... Tudo com análise resumida, mas nem tanto, (eis o porquê do nome bonsai) e com as diversas, e por vezes excêntricas interpretações tão comuns aos meus textos.

Resolvi separar as duas coisas para facilitar para os leitores que pretendo conquistar.
Legal né? (- éééééé!!!!)

Espero que dê certo!

Feliz 2009!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

domingo, dezembro 21, 2008

Friday Night Lights




Mais uma série entra pra minha lista, e "de com força".

Para começar a ver Friday Night Lights tem que se livrar de alguns preconceitos.
Digo isso porque a série se passa no Texas e tem em foco um time de futebol americano estudantil. Então é cheio do que há de mais tradicional da família estado unidense do interior, de cheerleaders, da paixão pelo esporte...
Também quem assiste FNL esperando somente pelo piegas, pelos personagens pejorativamente estereotipados e para se emocionar ou rir por qualquer coisa, pode tirar o cavalinho da chuva.

Os dramas são intensos por si só, mas são encaixados de forma muito natural. Os clichês são trabalhados com muita sensibilidade. Por isso, ao mesmo tempo em que a série é cheia de grandes momentos a cada episódio, não existe apelação para que uma história se sobressaia em detrimento de outra. Cada uma tem seu tempo, mesmo interligadas e fazendo parte de um único cenário, a cidade Dillon, que por si só, pelas suas características explicitadas, simboliza todos os problemas colocados em FNL.

O time de futebol é o Dillon Panthers, o orgulho dos seus conterrâneos, e o que eu acho interessante é o recorte feito da cidade, como se os jogos simplificassem o que ela representa. O campo é um termômetro individual para cada um dos protagonistas (sendo eles jogadores ou não) que crescem gradativamente a cada episódio. Os personagens são tão ricos de formas distintas, e ainda que seus sentimentos sejam expostos eles guardam um mistério intrigante, algo que se esconde graças a interpretação fascinante dos atores, que deixa aquela sensação de que se conhece a pessoa muito bem, mas não sabe o que esperar dela.

Ah sim, a série é, a todo o momento, filmada com a câmera em movimento, na mão, dando a sensação de vulnerabilidade, imprevisibilidade e tensão, o que ajuda para que os mais de 40 minutos de cada episódio sejam uma delícia.

Talvez meu julgamento esteja totalmente afetado pelo calor do momento. E no Texas, meu amigo, faz muito, muito calor...
(o legal é que dá pra tentar entender o futebol americano, hehe)

“Clear eyes, full hearts, Can’t Lose! Go Panthers!”
rs

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A s X 7 O p 3

O Finder comentou que está tendo dificuldades para ler meu blog por conta das cores do fundo e texto.

Segundo ele,
"quando alterno entre sua página e qualquer outra, meus olhos pedem menos,
cansam mesmo, eu vejo um monte de linhas brancas flutuando no monitor".

Sei que a leitura no fundo preto é mais cansativa mesmo, uma questão biológica. Mas quero saber se mais alguém está incomodado ou tem as mesmas sensações.

Coloque sua opinião nos "comentários" pra eu tomar a devida providência. Afinal, o blog não é feito só por quem escreve, mas também por quem participa.

Não quero futuros problemas na visão dos "meus leitores". hehe

Beijo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Controvérsia

Leo (Jackson Antunes) passou a novela A Favorita quase toda batendo e maltratando em Catarina (Lilian Cabral) e na filha do casal. As duas sofreram durante a vida inteira com a rudeza do homem que simboliza, na trama, o presente machismo da nossa sociedade.


Todos os dramas das novelas da Globo trazem um tema social a fim de polemizá-lo.
A justificativa de levantar a discussão sobre o assunto recebe o nome de responsabilidade social. Seria mesmo responsabilidade se esta fosse feita com compromisso e continuidade.
O termo responsabilidade social neste caso é sinônimo de audiência, especialmente no caso das novelas. Para conquistar a empatia do público que após ser fisgado pela história corre para chegar em casa e não perder nenhum capítulo, a trama deve ser exacerbada, potencializada, levada ao extremo para comoção total.
Por isso, a seqüência da história da família de Léo e Catarina é preenchida de acontecimentos cada vez mais trágicos e absurdos, fazendo com que o telespectador tenha cada vez mais ódio do homem e simpatia pela mulher, na qual gradativamente vai tomando coragem para desafiá-lo.
Simplificando, a mulher não pode aceitar este tipo de comportamento que ainda sobrevive em muitas famílias e deve acreditar no seu potencial que foi anulado pelo machismo do marido.

No entanto, eu poderia agora enumerar tantos outros preconceitos e superstições nas entrelinhas do discurso de A Favorita, lançando uma controvérsia na qual poucos ficam atentos.
Mas, foi em Malhação, a eterna novela teen, que um diálogo entre duas protagonistas me fez pensar sobre o assunto, já que há influencia direta na formação dos adolescentes. Não sei o nome das personagens e pouco conheço o contexto desta temporada, mas o fato é que duas garotas conversavam sobre o pé na bunda que uma delas tinha tomado de um namorado por ter “falhado” com ele. Pelo o que entendi, ela gostava de ficar com vários meninos e um dos “ficantes” quando a “coisa” ficou mais séria, tinha vergonha de aparecer ao lado dela em público. A amiga dispensada fala para outra algo semelhante: ...pois eu vou mudar e quero ver se ele não vai querer andar comigo e me exibir pros amigos dele...



O troféu - a personagem Felipa.



O pensamento de que a mulher em algum momento serve de troféu para o homem é tão machista quanto o da agressão. Em ambos os casos as fêmeas continuam como uma espécie de propriedade dos machos.

Essas são as pequenas coisas, intensificadas todos os dias, que dão continuidade ao machismo, ou em outros casos ao femismo, que é o machismo ao contrário, tão condenável quanto.


O preconceito e o machismo só mudam de formato, vão se adaptando ao tempo em que vivemos. Hoje já é absurdo homem agredir mulher (aliás, agressões nas novelas só são atos condenáveis se quem agride é “do mal” e o agredido é do bem, porque no caso contrário é vingança merecida).

É claro que só citei aqui dois exemplos, mas considero o suficiente para ilustrar o texto. Pode-se fazer essas observações todos os dias em novelas, em outros programas e na publicidade.

As novelas se transformaram na institucionalização dos comportamentos da nossa sociedade, assim como nossa sociedade tem como espelho as tramas globais. O ideal seria que pelo menos a maioria das pessoas pensasse sobre isso e lançasse olhares mais críticos e atentos.
Mas isso não vai mudar, é a lei selvagem da indústria cultural.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Por favor, eu peço que por gentileza não me rotule.
Não tente me encaixar em grupos, biotipos ou categorias.
Não que eu me sinta tão superior a ponto de achar que não pareço com ninguém.
Mas é que também não sou, por natureza, como a maioria.
E não me esforço muito pra isso.
Nasci para ser igual aos outros em formas inexatas.
E sinto que devo me preservar assim, fugindo do ordinário, do suficiente, do usual.
Detesto ser somente ou sempre comum.
Por isso sou insatisfeita, buscando pequenas e grandes satisfações todos os dias.
Não quero que minha essência apague em meio a tanta mediocridade.

Alanis no FV



Tudo bem que o Festival de Verão se caracteriza pela eclética grade de programação.
Mas daí a colocar Alanis entre Victor e Leo e Psirico... chega a doer.
clique na foto para ampliar.

domingo, dezembro 14, 2008

ano 3

Hoje faz exatamente dois anos da criação deste blog. Não obstante, é meu aniversário de 26 anos. Vinte e poucos anos poderia se transformar em vinte e tantos anos, já que agora estou mais perto dos 30 do que dos áureos 20. Não gostaria de pensar desta forma, mas é inevitável. Tem vezes que me sinto tão jovem, em outras me sinto mais envelhecida do que o permitido pra idade. Gostaria agora de fugir dos clássicos e clichês de postagens de aniversário, mas não tem como escapar do velho “neste momento um filme do que eu fiz dos meus 25 anos passa pela minha cabeça”. Lido com meu aniversário de uma maneira um pouco diferente das pessoas que conheço. Tem gente que não suporta o fato de lembrar-se e ser lembrado da idade, de receber parabéns, de ser o centro das atenções ou simplesmente desdenham da data: “pra mim é um dia normal”.

Eu uso o 14 de dezembro para pensar. Sobre o que? Eu não sei. Sobre minha família, meus amigos, minha profissão, meu trabalho, meu caráter, minha dignidade, minha casa, minha conduta, meu passado, meu futuro, minhas conquistas e meus fracassos... Sobre a vida, o mundo. Pensar em tudo, sobre quem fui, quem sou e quem gostaria de ser. Na verdade é uma condensação do que penso às vezes, todos os dias, em algum momento, em qualquer lugar, mas que ganham peso quando me dou conta do tempo passando, que é exatamente no dia do meu aniversário.

Pensei tanto que do nó que se fez em 2006 criei este blog, com o nome sugestivo, título da música de Fábio Junior. Pensei tanto que achava que isto somente não bastava. Eu precisava falar, falar, falar... e achei, com sucesso, que escrever, escrever, escrever sanasse um pouco o problema.

Na música Vinte e Poucos Anos, quem canta se sente autossuficiente, independente, decidido e corajoso. “Você já sabe e me conhece muito bem, eu sou capaz de ir e vou muito mais além”. Estado de “espírito” e desejo de provar que eu poderia muito bem cantar esta música, que ela se encaixava em mim. Por isso, fiquei com medo de transformar este espaço num diário com as mesmas características daquele que eu tinha com 14 anos. E durante este tempo fiz isso algumas vezes, mas falar da minha intimidade começou a ser perigoso e me dei conta de que não era isso que eu precisava de verdade.

O Vinte e Poucos Anos nunca foi nada muito definido, solidificado e atualizado com certa periodicidade, pelo mesmo motivo nunca foi muito popular. Já até tentei fazê-lo utilizando alguns recursos, mas no outro dia achava inútil e deixava pra lá. Quem vem e volta é porque de alguma coisa gostou e na maioria das vezes isso bastou (a gente sempre quer “ser lido”, com intenções diferentes, mas sempre quer ter atenção, é intrínseco do ser humano, tendo blogs ou não).
Aqui fiz “ensaios” de críticas de filmes, livros, música, falei muito bem, falei muito mal, escrevi contos, histórias emocionantes e engraçadas (pra mim, pelo menos), reproduzi textos, falei dos meus sentimentos, dos sentimentos dos outros, fiz mil e uma declarações de amor, amizade e de ódio e quase nunca fiz questão de agradar ninguém. Então, embora nem sempre eu tenha falado diretamente sobre mim, a característica de cada momento deste blog acompanhou uma fase minha, que muda com a mesma freqüência que mudo de layout, tentando a todo minuto colocar um pouquinho de tantas partes que juntas constroem meu eu, ou que eu acredito que seja meu eu. Acreditem, não querendo subestimar que você que está lendo já não saiba disso: conhecer a si próprio é muito mais difícil do que se imagina. Neste sentido, o Vinte e Poucos Anos facilita isso pra mim às vezes. Lendo as coisas do passado, posso parar para refletir sobre o que aquilo representava na época, o que representa agora, o que mudou e não. Alguns textos eu odeio, outros amo. E por isso vou continuar a fazê-los e considerá-los, mesmo aqueles compostos por uma só frase, parte dos meus vinte e poucos anos.

O que eu não quero é chegar aqui aos 29 anos, ler o que escrevi e me dar conta de que eu sou a mesma pessoa que era aos 24. Ao mesmo tempo em que quero reler tudo e tentar resgatar algo de bom que a seleção natural do tempo na memória me fez esquecer. Eis a importância de todo registro. Por isso, meus vinte e poucos anos continuarão sendo documentados e aprovados ou rejeitados por quem ler. Essa é a graça de escrever, essa é a graça de comemorar. Essa está sendo a graça de fazer 26 anos.

Obrigada a todos que entraram aqui, que “me leram” e que deixaram recados (são três categorias distintas, rs). Avante para o ano 3 do Vinte e Poucos Anos.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Em construção para post de aniversário.

terça-feira, dezembro 02, 2008

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Pouco tempo, muitas séries

Invejando o cinefilia.com, vou atualizar aqui as séries de TV que vejo hoje, assim como as que estão no purgatório e as que joguei pro limbo eterno.

Vou começar pelas que estou vendo agora e não tenho pretensões de parar. A maioria são de comédia (aquelas comédias que têm como critério obrigatório piadas inteligentes pelo menos durante 70% do tempo dos episódios).

Vou classicá-las com estrelas (ha, que original), sendo 1 estrela a pior classificação e 5 a melhor (senhor, precisa explicar isso?!). A nota, no entanto, representa o que eu acho da série na temporada em que estou assistindo.

Coloquei um resumo aqui, pra quem não conhece. Queria eu mesma ter escrito, mas... no time for it.

Chuck

a mais recente na lista. comecei a ver na semana passada e estamos vendo a segunda temporada num vício doido. Não é fantástica, mas prende pela expectativa.

Conta a vida de Chuck, que após receber um email com segredos criptografados em forma de imagens de um agente duplo da CIA, tem sua vida mudada radical e forçadamente.

Nota: 4

The Office



acompanhando a quinta temporada. Nada comparado às duas maravilhosas temporadas, mas ainda muito divertida.

"Aborda a dolorosa e divertida convivência nos cubículos da Dunder Mifflin, uma empresa fornecedora de papéis, em Scrancton, Pensilvânia. Com um entusiasmo inabalável, Michael Scott (o chefe) acredita que é o cara mais engraçado do escritório e é a fonte da sabedoria dos negócios. Sem saber como ele é visto por seus funcionários, Michael acaba sempre alternando decisões absurdas ou patéticas, mas sempre hilárias."


Nota: 5

Thats 70's Show



Terminou em 2005, e vejo aos poucos, de forma bem lenta, a segunda tenporada.

Conta a história de seis jovens que vivem na cidade fictícia de Point Place, subúrbio em Wisconsin, durante a década de 70.
A história se inicia em meados de 1976, e relata o dia-a-dia de um grupo de adolescentes (na faixa dos 17 anos. Sem ter muito o que fazer, sua rotina se resume a se reunir no porão da casa de Eric para papear, fazer festas, planejar algo, namorar, e usar maconha.



O engraçado como é retratado o modo de vida estado-unidense nos anos 70 e tem um leve sarcasmo quando fala sobre patriotismo.

Nota: 3

My name is Earl



está na terceira temporada, e eu ainda na segunda.

"Earl Hickey vive de pequenos furtos, que após ganhar 100 mil na loteria, perde o bilhete ao ser atropelado por um carro. No hospital, Earl vê um programa sobre o tema era karma. Com o objetivo de mudar sua vida, Earl decide fazer uma lista contendo todas as coisas ruins que já fez em sua vida até aquele ponto e "repará-las", uma por uma. Assim, Earl acredita que seu karma será também reparado e coisas ruins irão parar de acontecer a ele. Enquanto faz o primeiro item da lista, que é limpar lixo da rua, Earl acha o seu bilhete premiado."

Cada episódio é um ou mais "reparo" que ele corre atrás pra fazer.

Nota: 3

How I met your mother



Está na quarta temporada, eu vejo a primeira, ainda...

A série gira em torno da vida de Ted Mosby, que é narrada pelo o próprio 25 anos mais tarde aos seus filhos. Ted do futuro conta então aos filhos as histórias e peripécias que levaram-no a conhecer a sua mãe.

Nota: 3

The Big Bang Theory



Acompanhando a segunda temporada

"conta a história de Leonard e Sheldon, dois gênios em física que conhecem fórmulas indecifráveis. Mas nada dessa inteligência os ajuda a interagir com as pessoas, principalmente as mulheres. Só que tudo muda quando chega uma nova vizinha"


Nota: 5

Californication



Acompanhando a segunda tenporada.
Californication conta a história de um escritor com apenas um livro de sucesso e em crise de inspiração, ao qual trafega em uma sinuosa jornada de álcool, vícios e mulheres, mas que almeja, ao mesmo tempo e sobretudo, restabelecer a antiga relação amorosa com sua ex-companheira, com a qual tem uma filha pré-adolescente.
Nota: 4
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Esperando voltar de férias, os três dramas:
Damages (Nota: 5)
In Treatment (Nota: 5)
Lost (Nota: 3)
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No purgatório (não sei se volto a ver, talvez, quem sabe...)
True Blood
Two and a half man
Greys Anatomy
Nip/ Tuck
Desperate Housewives
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Pro limbo eterno:
Heroes
Pushing Daisies
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A melhor do ano:
Família Soprano (numa escala de 1 a 5, nota 10).

sexta-feira, novembro 28, 2008

Esse não é mais um texto sobre deus

Uma vez eu questionei a história dos Três Reis Magos. Na verdade, nem era exatamente algo para ser polêmico, só queria saber quem eram, porque eram tão importantes, curiosidade mesmo... e o que a Bíblia dizia sobre o assunto. Convenhamos que três reis magos sendo guiados por uma estrela guia para presentear o menino Jesus é algo que incita a curiosidade para saber pelo menos quem enviou estes caras pro local da manjedoura. E depois assim, saber se dá pra engolir a história ou não.

Me chamaram de herege, ou melhor, insinuaram isso de forma abstrata, porque acusar o outro de heresia é um insulto da maior gravidade, unacceptable. Mas se dão o nome de heresia ao fato de eu parar para pensar que talvez haja muito mais por trás de toda essa “verdade”, que me chamem de herege então. Fé independe de religião, e fé não pode ser sinônimo de ignorância.

Falando em ignorância, é sobre algo semelhante que vim contar agora.

No dia dos meus questionamentos sobre os Três Reis Magos, uma amiga lembrou de uma história que “nãoseiquem” tinha contato na faculdade no dia anterior (mensagem abstrata para esfregar na cara minha suposta heresia).

Ele contou que um avião só com ateus entrou em pane e caiu. Quando foram verificar a caixa preta, a última frase captada foi: “Ai, meu Deus”.

Eu achei a história de uma pobreza secular, mas fiquei na minha. Nem vou entrar no mérito de que “Ai, meu deus” é muito mais uma expressão de força do que um chamado, porque não foi nesse sentido que “nãoseiquem” contou o caso

Fiquei pensando: na hora da aflição chama-se por Deus, certo? Ele é bom, piedoso e sabe de todas as coisas muito antes de acontecer. Ele sabia que aquele avião ia cair, mas deixou que acontecesse, mesmo que os aflitos passageiros, desesperados gritassem por seu nome (a história é ilustrativa, mas mesmo assim merece a reflexão). O avião caiu, todo mundo morreu e fim de papo. Para quem ficou vivo deixa-se a mensagem: “essa coisa de ateu é papo furado, no fundo a pessoa acredita tanto que pede a ajuda de deus nos piores momentos” ou “nunca duvide de deus porque um dia você pode precisar dele”. Minha primeira reação foi: e precisa derrubar um avião com pessoas para passar essa mensagem!?

Quando se está na mesa de um bar e se conta uma piada muito engraçada usando a tragédia é uma coisa, mas fazer uma espécie de pregação séria “matando” pessoas pra falar da existência de Deus? É disso que estou falando.

Depois inverti a situação na minha cabeça. Um avião cheio de pessoas que dedicaram sua vida a servir ao Senhor cai, todo mundo morre. Ou mesmo um avião com pessoas de variadas crenças, um desses que caem vez em quando. Na caixa preta a mesma coisa: “Ai meu deus”. E ai, agora? Agora foi Deus que quis assim, ele sabe o que faz, não é? E onde entra a piedade, a hora de provar o amor que lhe foi dedicado por toda vida. Se for pensar sobre a mesma ótica do “nãoseiquem”, nessa situação em que se prova algo no âmbito da existência de uma figura divina num acidente de avião, esse deus seria muito mal agradecido e injusto.

Esse não é mais um texto sobre deus. Não estou aqui discutindo se ele existe ou não, o que é certo ou errado e toda essa polêmica. Estou falando dos recursos utilizados para se provar algo, algo que quem não acredita ou tem seus questionamentos merece entrar num avião fadado a uma tragédia fatídica. Estou falando das besteiras que saem da boca das pessoas abitoladas pelas igrejas, pela conveniência de se acreditar em tudo isso porque é mais fácil do que olhar para dentro de si ou mais prático do que pesquisar, do que ser atrevido e questionar.

Pensar como “nãoseiquem” é humanamente inaceitável, é desejar e utilizar do mal, não tem nada a ver com religião, fé, deus, diabo, três reis magos ou qualquer outra coisa. É maldade pura. E pelo o que eu sei maldade não é coisa de deus. É?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os melhores comerciais de 2008 que eu lembro agora

Fiz uma seleção de alguns comerciais de TV deste ano, os que mais me prenderam em frente à TV. Tem gente que aproveita os intervalos para ir ao banheiro, beber água e etc... Meu percurso é ao contrário, corro para ver até onde pode ir a criatividade de quem sobrevive explorando nossas carências, sentimentos, necessidades...
Mesmo sabendo como acontece o processo de produção de um comercial e quase calejada deste mercado que tem como prioridade vender, conceitos ou produtos, eu choro, eu rio, me arrepio e sou capaz de ver mil vezes o mesmo comercial, porque realmente é de se admirar a sensibilidade, inteligência e percepção destas pessoas.

É claro que estou esquecendo de alguns, mas vai os que eu lembro agora.


Bradesco
Banco do Planeta




Claro
Kind of Magic



Este é de 2007, mas passou bastante este ano.

Gol Linhas Aéras
A largata cria asas e voa




Skol
Motorista da Rodada




WWF
Money

Este na verdade é de 2007, mas passou bastante no inicio do ano.




Peugeot
307 Sedan




Nobel
Casar





Nextel
Campanha Bem vindo ao Clube






São vários na verdade, escolhi esses dois.




Serviço de Captação de órgãos e Santa Casa de São Paulo
Doação de Órgãos - Cachorro



Este eu vi pela primeira vez ontem.

terça-feira, novembro 18, 2008

Uma sociedade em alerta

Já aconteceu de num filme você já ter visto, logo no início, os rostos do mocinho e do ladrão e ainda nas primeiras sequências não reconhecer fisicamente quem é quem? Se você respondeu que “sim, sim”, ou os arquiinimigos protagonistas eram gêmeos ou era um filme oriental. Segunda opção para moi aqui.

Sem rotular: como é difícil reconhecê-los quando estão todos juntos. Seria mais uma limitação de nós ocidentais ou eles realmente são uns as caras dos outros?

No entanto, o filme chinês Breaking News (2004), com o subtítulo em português “Uma cidade em alerta”, do diretor Johnnie To Kei-fung, tem muito mais coisas interessantes a serem citadas neste blog do que somente a semelhança entre os atores a ponto de me confundir ou a distinta sensação de ouvir durante uma hora e meia uma língua estranha aos meus ouvidos, o cantonês.

Pela frase na capa do DVD já dá para se familiarizar com o tema de Breaking News: “uma rede de TV transmite ao Vivo uma perseguição que deixa toda uma cidade em alerta”.

É mais ou menos assim: uma gangue de ladrões está abalando a tranqüilidade das ruas de Hong Kong. Numa destas ações, a polícia resolve agir, mas a performance dos policias é vergonhosa e eles são humilhados pelos bandidos que demonstram muito mais preparo para a situação. Tudo isso, num tiroteio intenso no meio da rua, com centenas de fotógrafos e cobertura ao vivo dos canais de televisão. Orgulho ferido, a polícia resolve se vingar. É, se vingar. O que era uma caçada contra a criminalidade vira a caçada para resgatar a moral da polícia e reafirmar quem manda no pedaço.

O esconderijo dos bandidos em um prédio é descoberto e a jovem inspectora Rebecca lidera a grandiosa operação com milhares de policias, cada um com uma mini câmera à bordo, e com a convocação de toda mídia ao local. O show estava montado e toda tecnologia estava a favor da transmissão do espetáculo: câmeras fotografias, de vídeo, celulares, walkie talkies, computadores com web cans da casa de reféns...

O filme deixa bem explicita a normalidade em que a manipulação vai sendo construída, tudo para trazer de volta a confiança das pessoas e reverter a tão aclamada opinião pública. Entrevistas com as vítimas do conflito anterior, com parentes destas vítimas, imagens dramáticas em câmera lenta, música de fundo, todos os detalhes eram pensados pela equipe de Rebecca. A segurança de ninguém estava em jogo, é claro que nenhum refém poderia sair ferido, pois comprovaria mais uma vez a incompetência da polícia, mas em nenhum momento pareceu prioridade para inspetora dar um basta na situação o mais rápido possível, sem antes fazer daquilo um grande show.

Lá dentro do prédio, os bandidos também fazem seu show midiático e a trama se desenrola no jogo entre polícia, imprensa e ladrões, a disputa de quem dá mais audiência.

Breaking News traz o tema à tona com muita naturalidade, o que já vejo ai uma crítica à aceitação por parte de todos nós em situações semelhantes na “vida real”. Até zomba um pouco da maneira ridícula como estas coisas acontecem sem ninguém fazer nada.

Breaking News não perde tempo com efeitos mirabolantes, embora seja um filme de ação, e nem com diálogos com frases de efeito moral, embora deixe um espaço para reflexão sobre o assunto. Não sei, nem ao menos, se ele foi feito para refletir ou para esfregar na cara de todo mundo a verdadeira preocupação da polícia, a duvidosa ética da imprensa e o abestalhamento crescente dos telespectadores. Quanto aos bandidos, estes estão cada vez mais entendidos sobre o funcionamento das coisas e exploram isto ao máximo.

Há uma inversão, ou um tumulto evidente, nos valores da sociedade contemporânea, de Hong Kong ou de qualquer parte do mundo. Um mundo onde quem é pra defender, ataca, quem é para esclarecer, esconde, quem é para educar, manipula e quem é para viver, morre.

domingo, novembro 16, 2008

1 de janeiro

No meio de novembro, uma frase recebe destaque nos diálogos da maioria dos seres mortais que habitam essa terrademeudeus. Pode obsevar a quantidade de "como o tempo passa rápido!" que são soltos pelas bocas de pessoas desatentas que nem viram o tempo passar.Mas o tempo passou, e olha só, já estamos em novembro! Daqui a pouco é dezembro, é Natal, Ano Novo... 2009.... e "eu não fiz nada".

É quando começam a surgir as listas. Todo mundo faz uma, mesmo que não escreva, organiza no pensamento objetivos para o ano que se inicia. Como se na virada de ano, tudo mudasse. Mas nada muda de fato. O que acontece é que acreditamos que muda. E talvez seja o suficiente, nada melhor do que a força do pensamento. Só que muitas dessas coisas ficam só lá no universo impalpável do pensamento. Isto porque sempre estamos esperando por algo, algo que achamos que não depende de nós. Como no caso da virada do ano, esperamos o tempo passar. Aquele tempo que insistimos em dizer que passou rápido, porque sempre vivemos pro o outro tempo, o tempo do futuro.

Eu ia deixar pra falar isso em dezembro, mas decidi não esperar. Porque gostaria de começar a pensar que cada dia que passa equivale a um ano. Todo dia quando eu dormir quero pensar que aquilo ali é uma virada pra tudo que eu gostaria de mudar, de fazer. E todo dia será uma oportunidade de aproveitar o tempo naquilo que ele tem de melhor, seu próprio tempo. O tempo não passa rápido, ele passa no tempo certo, a gente que não se dá o tempo de perceber e aproveitar. Todas as datas do calendário, de todas as semanas e meses, serão dia 1 de janeiro.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Meme

Eu adoro ser lembrada, por isso faço questão de expor quando isto acontece.

Recebi meu primeiro meme do blog http://facoomelhorquesoucapaz.blogspot.com/
(Preciso saber seu nome!!!)

Funciona assim: escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir pra terra dos pés juntos;- Convidar 8 blogueiros amigos para responder também;- Comentar no blog de quem nos convidou;- Comentar nos blogs dos nossos convidados para que saibam da "convocação";- Mencionar as regras.


- Conquistar o equilibrio sobre mim mesma
- Não ter chefe (ter minha própria empresa de Comunicação de acordo os principios que acredito)
- Fundar uma ONG
- Falar francês
- Tocar violão decentemente
- Ter uma casa e decorá-la a nossa cara (nosso ninho de amor!!)
- Conhecer a Europa (inteira!)
- Fazer uma exposição de fotografias minhas.

Passo para:
Aline
Carolina
Caroll
Lucio
Mans
Tina
Jarbas
Emi

Errata

No post sobre O Rappa eu dei os créditos da música Suplica Cearense à Luiz Gonzaga. Portanto, recebi um comentário do neto do verdadeiro autor da música, sendo Gonzaga só o interprete.

Errei, não apurei o fato.

Foi mal.



terça-feira, novembro 11, 2008

Boa noite, Boa tarde, Bom dia, Boa sorte.

Fátima Bernardes, séria, diz:

- E a seguir uma notícia reveladora.

Willian Bonner, sorrindo, diz:

- Você vai conhecero o pior time do Brasil!

Eu penso: uau! Era o tempo em que o Q de Qualidade da Globo no jornalismo garantia, pelo menos, que cada telejornal fosse produzido especialmente para um tipo de telespectador.

Hoje o Bom dia Brasil é igual ao Jornal Hoje, que é igual ao Jornal Nacional, que é igual ao Jornal da Globo. Tudo se repete no Globo Repóter, no Globo Esporte, no Esporte Espetacular e no Profissão Repórter. Tudo se resume no Fantástico.

Os telejornais e os programas em formato de revista locais são mais doídos: congelados, sem criatividade e tão preocupados em seguir as regras que não prezam por um mínimo de conteúdo com Q de Quero mais. Começam e terminam enfadonhos.

O problema é que o padrão do jornalismo padronizou demais.

Alguém já havia profetizado: "agora todas coisas que eu vejo me parecem iguais".

segunda-feira, novembro 10, 2008

Muro

Entro e vejo rostos de sofrimento, chinelos, senhoras e crianças, apelos para atendimento em pelo menos duas horas e paredes descascando. Depois de uma fila confusa, num calor sufocante, consegui chegar à recepcionista que nem parecia estar ali de verdade. Tonta com tantas vozes, com suores, um coque descabelado e uma vontade explicita de sair dali correndo.
- Boa tarde, eu tenho uma consulta marcada com a Dra Vivian...
- É plano de saúde?
- Sim, sim
- Você vai sair daqui, dar a volta, é na outra porta.

Abro a outra porta, ar condicionado, TV grande, cadeiras confortáveis para espera, sem fila e recepcionistas de uniforme, água, café e sorrisos pra todos os lados.

- Boa tarde...
- Boa tarde!
- Eu tenho um consulta com a Dra Vivian..
- O cartão do seu plano, por favor.
- Aqui. Me diz uma coisa, aqui é só pra quem tem plano, é?
- É, e particular,
- E lá?
- SUS...
- Hum

(...)

- Eu vou demorar a ser atendida.
- Não. A médica vai te chamar agora.

Não é novidade este tipo de situação, mas não deixa de doer ver dois mundos tão diferentes em um mundo só. Quem conta com assistência da saúde pública sofre, é humilhado por filas, médicos que demoram a chegar, mal humorados e não pode desfrutar do mínimo de conforto e tratamento humano.

Quem espera pouco no ar-condicionado vive num mundo a parte. Fecha os olhos pro outro lado e agradece com um orgulho questionável por ter condições de ter um plano de saúde. Ou nem isso, apenas despreza os outros.

Quem espera a tarde toda no calor e com um ventilador empoeirado na cara, lamenta a falta de sorte, de condições financeiras ou balbucia em voz baixa que paga impostos para ter direito à saúde. Ou nem isso, apenas aceita a situação.

Eu não consigo me orgulhar, desprezar, lamentar, aceitar. Mas também não sei o que fazer.

Saí depois da minha consulta, olhando pessoas que do outro lado ainda esperavam ser atendidas pela recepcionista. De mãos atadas, que a gente mesmo passa o laço.

domingo, novembro 02, 2008

Um mundo sem Victor e Léo

Não, não vim falar mal da dupla sertaneja. Até poderia, mas não é o caso.
Só tenho umas dúvidas deveras intrigantes: como era o mundo antes de Victor e Leo? O que as pessoas ouviam? O que as rádios tocavam? Quais dvs os pirateiros vendiam nas mesas dos bares? O que se escutava nos restaurantes? Por quem as mulheres fãs de música sertaneja suspiravam?

Tem tanto pouco tempo que a dupla estourou, mas juro que gostaria de lembrar como era acordar sem ouvir “Faaaada, fada querida” vindo do apartamento ao lado. Ou recordar de quando eu ficava na fila do supermercado sem alguém cantarolar atrás de mim “Que vida boa, ou ou ou... que vida boa”.

Victor e Leo não são só os queridinhos das mulheres. Os homens adoram e defendem a punhos. Ou seja, como essa febre se tornou tão ardente? Sorte não foi. Não acredito que tanta fama e tanto dinheiro venham através de sorte. Carisma? Ou será mesmo talento? Não sei, porque ruins eles não são, mas existem mesmo tantos motivos para idolatrar tão repentinamente uma dupla que nem o próprio repertório, em sua maioria, é de autoria própria?

Talvez um dos pontos chaves tenha sido justamente o repertório. Um conhecido me disse que gostava de Victor e Leo porque eles tocam música sertaneja de verdade. Eu disse que achava que Chitãozinho e Xororó também, embora não oferecessem mais nenhuma novidade que não seja uma coletânea dos maiores sucessos. Na tréplica ele disse que CH e X fazem música pra vender, pra ser comercial... E eu disse: todo artista (nesse contexto, não falei obrigatoriamente de alguém que de fato faça algo digno de ser apreciado) que utiliza seu “talento” como meio de sobrevivência (que é, na verdade, o que todos nós fazemos todo dia) tem como meta ganhar um dinheirinho (no caso de alguns, dinheirão) com o que faz de melhor. Ele não me convenceu e esta conversa foi fraquíssima.

A partir daí comecei a pensar muito em Victor e Leo. Até porque o mundo não me deixa esquecê-los por um segundo sequer: são meus amigos, é Cassiano, é meu vizinho, é o show sendo divulgado por mais de um mês, são os comerciais de coletâneas e são os refrãos super bonder (eee hoojeee eu te amooo, não vou negar!). E assim desenvolvi uma teoria de que sem um bom empresário Victor e Léo não seriam muita coisa do que hoje representam.

Alguém disse, ou um disse pro outro se acaso eles forem donos do próprio nariz, que se eles não tivessem um diferencial de nada adiantaria tanto gogó nesse mundo cheio de duplas sertanejas jovens e com rostos de bumbuns de bebê. Foi quando aliaram suas vozes legais, suas caras bonitinhas e uma leve simpatia de ambos ao que chamam de sertaneja de origem. Arrumaram um empresário muuuuito competente, que arrumou logo uma boquinha na Globo e pronto. Era só esperar para dar certo. E deu. Sapo caiu na lagoa da fama.

Outra interpretação minha da situação complementa a primeira. Como diria Wagner Moura naquele comercial do Bradesco: “2008 foi escolhido o ano do Planeta”. Nunca antes na história desse país e do mundo se ouviu tanto em responsabilidade social, ambiental e amor à natureza como este ano. Também como parte desta corrente vem a valorização das tradições, da nossa cultura e daquilo que achamos que temos de mais valor, o que se perde pelo tempo com a correria dos desenvolvimentos afins deve ser resgatado antes que percamos nossa identidade. Aí que entra Victor e Leo atualizadíssimos!

Alguém deve estar pensando que eu mergulho demais nas minhas próprias criações. Mas o mundo só faz sentido pra mim desse jeito. E eu acredito mesmo no que eu acredito. Como diria Thich Nhât Hanh, precisamos contemplar nossa interdependência.
Se os fãs de Victor e Léo também pararem pra pensar em alguma justificativa, aposto que seria mais interessante ouvir as músicas que a dupla canta.

No entanto assim como dois mais dois são cinco, posso estar redondamente errada e eles serem apenas dois rapazes latino - americanos hoje com dinheiro no bolso, mas antes pobrezinhos, trabalhadores das plantações de caju, vitimas do trabalho infantil, descobertos no interior do interior do interior cantando em cima de um pau de arara enquanto voltavam de mais um dia de lida. Típico de duplas sertanejas.

Ou foi sorte. Assim não tem graça.

terça-feira, outubro 28, 2008

descobertas importantes II

Epa!
Outra fonte discorda da primeira:

"É amplamente divulgado pela internet e por outros meios que a Coca-Cola seria a responsável pelo atual visual do Papai Noel (roupas vermelhas com detalhes em branco e cinto preto), mas é historicamente comprovado que o responsável por sua roupagem vermelha foi o Cartunista americano Thomas Nast, em 1866 na revista Harper’s Weeklys.Papai Noel até então era representado com roupas de inverno, porém na cor azul. O que ocorre é que em 1931 a Coca-Cola teria realizado uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca o que foi bastante conveniente já que estas são as cores de seu rótulo."

Estou ficando confusa.
Afinal, ele existe ou não?

descobertas importantes

Essa semana tem sido de muitas descobertas importantes.

Depois que me bombardearam com a informação de que Donatela e Flora não são irmãs e que elas formaram no passado uma banda sertaneja (agora sim faz sentido aquela abertura da novela), hoje descobri que a roupa do Papai Noel nem sempre foi vermelha!

"Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom. Porém, em 1881, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o bom velhinho com uma roupa, também de inverno, nas cores vermelha e branca (as cores do refrigerante) e com um garro vermelho com pompom branco. A campanha publicitária fez um grande sucesso e a nova imagem do Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo."

Sou uma nova mulher!

: p

domingo, outubro 26, 2008


Nem eu lembrava que um dia fui assim...

quarta-feira, outubro 22, 2008

O que pouco se vê.

No banheiro a encontrei.
-Boa noite...
Nada.
Sua cara amassada era diferente da minha. A dela era de sono de trabalhar, cansaço que a maquiagem não cobria. Mais uma noite a servir cafezinhos e pães de queijo para aqueles que provavelmente nunca mais se lembrarão da sua cara amassada.
A minha cara, também de cansada, mas da viagem, ganhou um linha intrigada sobre aquela mulher com boné e uniforme azul.
-Oi, tudo bem? Um café com leite, por favor.
Silêncio.
Ela virou-se para a máquina de café expresso de forma rude, puxou a alavanca, colocou o pó e deixou a água quente escorregar.
Naqueles segundos eu queria imaginar o que se passava naquela cabeça: “mais um cafezinho para um turista desinteressado...”
Com o leite ela pareceu mais calma, puxou a alavanca com mais cuidado, mas seu rosto ainda estava sisudo.
-Quanto é?
-Três e cinqüenta. Açúcar ou adoçante?
-Açúcar. Não mereço adoçante às três da manhã, nesse horário ninguém engorda!
E gargalhei do meu jeito de gargalhar, sem freios.
Foi quando do seu rosto brotou um sorriso que parecia tão improvável naquela face mau humorada, amassada, com sono e cansada.
-É verdade!, ela disse.
-Obrigada.
-Obrigada a você.
Mais três pessoas entraram e a expressão da mulher se fechou novamente, como se o ciclo se iniciasse.
Ninguém ao menos lhe sorriu, lhe deu boa noite ou dispensou sequer um olhar distraído pro seu rosto. Ela era igual a máquina de café, uma máquina que apenas recebia comandos.

Mais que um sorriso, hoje a garçonete ganhou palavras.

Lanchonete do Aeroporto de Porto Seguro - 09/10

terça-feira, outubro 21, 2008

O Rappa - a trajetória pelo olhar de uma fã


O Rappa é uma das poucas bandas, se não for a única, que eu consegui durante esses anos acompanhar sua trajetória. Desde o primeiro e quase desconhecido álbum que leva o nome "O Rappa", eu sou fã de carteirinha dessa banda que sempre carregou nas letras, simplificando de forma até injusta, a temática social e religiosa (ou de fé, melhor dizendo).

No inicio, O Rappa era apenas para alguns poucos fãs de reggae ou rap que gostavam de cantar a periferia e os “menos favorecidos”. Muito antes de Falcão se transformar em sex symbol e da polêmica saída de Marcelo Yuka, que era responsável por boa parte das letras e canções, O Rappa sempre teve um espaço reservado com muito carinho na minha hit parade pessoal. Antes mesmo de se ser vista como uma banda de adolescentes (no sentido pejorativo. Um erro visto que as letras são deveras profundas e bem construídas), estava lá eu sempre esperando pelo novo trabalho dos cariocas.

Agora, O Rappa lança o "7 vezes", o sétimo álbum da banda que segue firme em seu propósito inicial, mas com o amuderecimento já conquistado no álbum anterior, sem muito alarde, sem muito holofote... apenas O Rappa que eu sempre gostei de ouvir.

Roubei esse pedacinho na internet: “O grito "olha o rapa!" significa ruas vazia e gente correndo. Nem poderia ser diferente. Na gíria popular, rapa é o caçador de camelôs, o inimigo número um da economia informal, atuante em travessas, esquinas e avenidas.
Porém, uma singela variação desse sinal de alerta — "olha O Rappa!" já quer dizer pistas cheias e gente dançando. Com um "p" a mais e usando as calçadas como fonte de inspiração, O Rappa faz apenas contrabando de idéias.”

O Rappa hoje é formado por Falcão, Xandão, Lauro Farias e Marcelo Lobato.

Para homenagear O Rappa, que surgiu em 93, “àss pressas”, na intenção de formar uma banda para acompanhar Papa Winnie numa turnê no Brasil, fiz um breve comentário sobre os sete álbuns.

O Rappa – 1994



O primeirão do Rappa é o que traz de forma mais crua a temática religiosa, de forma clara fala sobre macumba, “trabalhos”, e sobre a vida no pobre da favela. Talvez pela “secura” o cd não tenha feito tanto sucesso para um público maior. Para ser digerido é mesmo difícil. Hoje, quem conhece esse primeiro cd depois de ter ouvido as músicas mais atuais vai achar que nem é a mesma banda.
Tem músicas deliciosas no O Rappa como Coincidências e paixões e Brixton,Bronx ou Baixada. E também canções fortes como Todo camburão tem um pouco de navio negreiro.


Rappa Mundi – 1996

O álbum que projetou a banda inicialmente com a música Miséria S.A. A diferença entre esse e o primeiro é enorme nos quesitos qualidade técnica e melódica. O Rappa Mundi vem trabalhado com muito mais profissionalismo (produzido por Liminha) e demonstra agora pretensões de conquistar seu espaço no cenário musical. E consegue, de fato, ficar lado a lado com o Cidade Negra que já de antes se apresentava e consolidava naquele momento como uma referência do pop reggae. Este álbum traz Hey Joe, a forte versão brazuca da música de Jimi Hendrix com a participação de outros nomes que surgem como o Planet Hemp. Tem Vapor Barato, A Feira e Pescador de Ilusões, que virou quase um hino depois do Ao Vivo. As animadas Tumulto e Eu quero ver Gol foram durante muito tempo as mais “loucas” no show.

Lado B, Lado A – 2000

O Rappa já tinha caido na aprovação geral, quando lançou Minha Alma foi só correr pro abraço. Lado B, Lado A mostrou o crescimento progressivo da banda e nada de abandonar as raízes. Nesse cd, as músicas falam muito mais da favela, do cotidiano do trabalhador pobre e da vida de quem convive no trafico, não importa se no lado B ou A da pista de dança. A intensidade só aumenta. É um álbum que inicia, ao meu ver, letras que precisam ser mais mastigadas, analisadas palavra por palavra para gozar da poesia por entrelinhas.
Além de Minha Alma, tem Me deixa, o Homem Amarelo... e destaco a que eu mais gosto de toda história da banda: Na palma da mão.
Até pro Faustão a banda foi... mas suspeito que muita gente não sabe o que canta.

Instinto Coletivo Ao Vivo- 2002

Agora, que O Rappa já acumulou alguns hits chegou a hora de lançar o Ao Vivo. Um cd duplo também com músicas inéditas que transportou em álbum musical toda adrenalina dos shows. Caiu de vez no gosto da meninada com as frases de efeito, o gingado e o “rock and roll” pesados da guitarra. E muitos, muitos samplers. O Rappa aí já estava sem Marcelo Yuka...






O silêncio que precede o esporro – 2003

Quem é fã, sabe. Este foi o álbum esperado com grande tensão. A saída de Yuka foi polêmica e houve quem apostasse pra ver a banda “sobreviver bem” sem ele. Foi quando veio o esporro tão bem dado que quebrou o silêncio de toda a expectativa. Teve gente que disse até que era o ápice do amadurecimento (o que a gente só pode saber depois de outros álbuns lançados). O fato é que na minha opinião é realmente o melhor de todos. Claro que cada um teve seu tempo e sua história, as músicas deste álbum são, avaliando o conjunto da obra, as mais fortes. Falcão recebe destaque maior, sua voz é mais explorada em todas as canções e fica claro que a liderança do O Rappa estava em mãos muito competentes.
Mar de gente, Rodo Cotidiano e Reza Vela viraram hits facilmente, com a ajuda da MTV e das rádios que repetiam incansavelmente os clipes. Trabalho de MKT ou anseio de fãs? Não sei. O fato é que derramei muitas lágrimas ouvindo O Salto.


Acústico MTV – 2005

Seguindo a tendência dos acústicos, cheio de músicas transformados em baladinhas e quase nada inédito.










7 vezes – 2008

Quase cabalístico, o sétimo álbum chamado 7X tem 14 músicas. A última inclusive com o nome do cd e pode extrair daí qual o sentimento da banda com relação a esse momento meio que propositalmente místico (pelo menos eu tenho essa sensação). A marca da banda continua a mesma, o visual, os temas...seguindo as raízes e introduzindo novas idéias. O 7X é um álbum sem muitas surpresas pra mim, não achei que superou o anterior de inéditas e nem penso que se inicia ai uma estagnação provável. Achei muito bonito, mas nada que me chamasse atenção além da que eu já desprendo naturalmente pelos trabalhos da banda. Talvez ainda esteja entrando na pele a proposta do 7X.
O single escolhido foi a música “Mostro Invisível” que ainda estou fantasiando interpretações mil pra ela. Destaque para Em busca do porrão, Meu mundo é o Barro e Fininho da Vida. Uma versão de Súplica Cearense, de Luiz Gonzaga, lindíssima.

Fui na última terça-feira (dia 14) num show do Rappa em Porto Seguro. Com a experiência que quem já foi em 5 shows da banda, digo com certeza: a performance ao vivo no palco precisa ser revista urgentemente. Ta ficando chato o mesmo tipo de show sempre...

É isso.

; )

domingo, outubro 19, 2008

nega do leite

Existe uma idéia proferida por aqueles que adoram as idéias estabelecidas que adoram ser proferidas como verdade independentemente se estas tem ou não alguma comprovação empírica, explicação cientifica ou argumentação válida de fato:

E umas delas é: se nós temos dois ouvidos e uma boca "solamente" é porque deveriamos ouvir muito mais do que falar.

É fato que dando espaço para observação auditiva as chances de acumular informações é maior do que quando existe uma maior dedicação em colocar pra fora tudo aqui que está preso no ego de cada um.

Falar pouco é uma virtude. Melhor: saber controlar, frear a quantidade de palavras escarradas por segundo nos momentos em que se julgar necessário e coerente é mesmo algo que invejo em quem consegue fazer.

Seria o famoso "saber ouvir" para alguns. Mas não é isso. Eu sei ouvir, só não sei parar de falar. E não é que eu não goste de falar, eu adoro, é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. E eu preciso, porque sofro de uma ansiedade intensa, minha cabeça ferve o dia inteiro construindo diálogos, idéias, teorias, interpretações...uma hora eu preciso colocar isso pra fora e me permito quando há a oportunidade.

Depois de mais uma sequência dessas, quando a adrenalina descansa no sangue, vem a ressaca moral da falação incosequente. Dá até dor de cabeça.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Nando Reis em Conquista

O show foi maravilhoso!!!




Mas eu não sei o que acontece com os sistemas de som dos shows aqui em Conquista.. quase sempre é ruim demais...uma pena.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Propaganda Eleitoral de Vitória da Conquista

“Chegamos à reta final de mais uma eleição”. Da mesma forma que começa o texto de quase todos os programas eleitorais e manchetes de telejornal, estoy aqui para dar minha opinião sobre a propaganda dos nossos candidatos ao cargo de prefeito.

Poderia me gabar dizendo que assisti quase a todos os programas eleitorais das segundas, quartas e sextas. Mas não sei até que ponto isso seria bom, já que esse momento em frente à TV serve tanto para simpatizar com alguma proposta como ficar com raiva eternamente da cara do candidato.

Faço agora um resumo (afinal textos muito longos não combinam com blogs práticos) com uma perspectiva de eleitora enjoada e crítica.


Guilherme Menezes PT (PV/ PCdoB/ PSB/ PSDC/ PTdoB)
Vice: Ricardo Marques
Conquista sabe o que quer
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Com o mote "Conquista Sabe O Que Quer", Guilherme usou as armas que tinha: falar da Conquista e das conquistas do passado. Com a melhor estrutura física, de equipamentos e produção a propaganda do PT no sentido qualidade técnica e textual foi a melhor, obviamente porque foi a que teve mais recursos e experiência para saber o que fazer com estes.

Na maioria dos programas teve uma sessão “nostalgia”, mostrando o Município antes do governo PT e depois, com entrevistas com a população falando “ontem era assim e hoje é assado”. Em estúdio, entrevistas super produzidas com secretários, coordenadores de projetos da Prefeitura, professores, médicos e pessoas de “renome” na cidade que trabalham ou dependem da Prefeitura de alguma forma e deram uma “palhinha” nos programas.

Poderíamos resumir a campanha de Guilherme em uma só coisa: UTI Neo Natal. A única do interior da Bahia e mega explorada nas propagandas do candidato “viajante”, como os adversários o adjetivaram. O que é realmente um motivo de orgulho se transformou na maior fachada de propaganda, muitas vezes. E logo em seguida nas paradas de sucesso do PT vieram os prêmios conquistados com Guilherme e Zé Raimundo, o Município Amigo da Criança, por exemplo, e os projetos sociais como o Recicla Conquista, Conquista Criança, o Natal da Cidade e outros. Poucas propostas inéditas de fato foram apresentadas, a campanha foi pautada sob o juramento de dar continuidade ao o que já temos hoje.

Muitas “matérias” falavam sobre as conquistas que “só foram possíveis” porque “temos um presidente do mesmo partido, assim como agora as esperanças se renovam ainda mais com o Governo do Estado”. Diversas vezes pareceu que se a cidade não tiver um prefeito do mesmo grupo, nada ia dar certo nos próximos 4 anos. Inclusive, muitos projetos federais e estaduais foram mostrados direcionando o crédito deste para o governo municipal.

Como defesa das acusações de “viajante” que recebeu, Guilherme dizia que havia sido eleito deputado para trazer melhorias para cidade e que foi porque a população conquistense o elegeu. O que não deixa de ser verdade, mas a justificativa não parece ter “colado” muito.

Aos debates, o deputado, como já era esperado, não apareceu. Dizem que ele é tímido (?). Não sei. E também foi a poucas caminhadas e passeatas afins. Dizem que pegar na mão do povo não é o forte dele. Não sei. Deve ser por isso que tem pouca expressão na periferia e na zona rural.
Agora quase no final, aconteceu um comício pomposo com a presença de Jacques Wagner. O governador disse num discurso inflamado que se votasse em Conquista o voto era certo de Guilherme. Mas ele não vota. E Guilherme num discurso menos caloroso disse: “Governador, Vitória da Conquista tem um povo que comparece às discussões políticas”, ou algo parecido. Faltou continuar: “um hábito que eu mesmo não tenho”.

Herzem Gusmão PSDB (PTB/ PHS/ PPS)
Vice: Marco Antônio Veloso
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A favor de Conquista




O “jornalista” e radialista Herzem Gusmão teve uma campanha criativa. Com alguns diferenciais que elevaram a propaganda do candidato a uma das mais atraentes aos olhos dos eleitores, sempre brincando com metáforas e dando um up teatral nas inserções dos comerciais.

“Abandono” foi a palavra de ordem desta campanha que foi composta alguns repórteres e produtores “fruto” do curso de jornalismo da Uesb. Por isso, muitas “matérias” tinham o conteúdo de denúncia e por vezes documental. Focando na “revolta” de um povo que, em palavras usadas nas propagandas, teve o seu “voto jogado no lixo” já que votou em um prefeito que governou a Prefeitura “pela metade”. Então, os programas de Hérzem mostraram muito mais as periferias e a zona rural, onde os problemas sobre as necessidades básicas estão mais explícitos, mais crus, como a falta de emprego, saneamento básico, calçamentos e etc.

São nos lugares mais afastados do centro da cidade que Herzem Gusmão conquistou mais credibilidade com o seu programa de rádio Resenha Geral. Um programa que diz ser de utilidade pública, denunciando as injustiças desse mundo de uma forma deveras sensacionalista pra um povo carente de informação. Se a ética na profissão já é algo muito discutido, avaliando o Resenha Geral este conceito fica ainda muito mais difícil de ser definido. Isso porque não é segredo para ninguém que o que “paga” o seu programa são os patrocínios e através do “investimento” aplicado se define o quanto a sardinha vai ser puxada. Isto aconteceu durante muito tempo com a própria Prefeitura. Inclusive apareceu misteriosamente pelos e-mails da vida um desses momentos no Programa Resenha Geral:

E abusando desta sua credibilidade, Herzem Gusmão falou muitas vezes: “o povo já me conhece, sempre estive preocupado com o nosso Município” ou “sou o único candidato a apresentar propostas concretas”.

As propostas em geral são coerentes, providas da interpretação dos maiores anseios dos conquistenses (com exceção de algumas poucas que qualquer um é capaz de discernir se é possível realizar). O que me faz acreditar que apresentar propostas passa longe de ser o suficiente. Uma das propostas de Herzem Gusmão que mais me chamou foi a criação da “terceira empresa de ônibus coletivo” como uma das soluções para sanar o problema de trânsito e precariedade do transporte coletivo no Município. Não consegui enxergar a viabilidade do Projeto. Bastante explorado também foi a redução de IPTU, proposta que “combina” com a situação atual de crescimento da construção civil em Conquista.

Desde o inicio as propagandas eleitorais assumiram um tom de agressividade moderada. Mas a “chapa” foi “esquentando” com o decorrer do tempo chegando a ficar uma coisa feia de se ver. Quase no final, Hérzem praticamente “dialogava” com os programas do PT, como “ação e reação”.

No programa final, o candidato do PSDB disse que de uma coisa o conquistense pode ter certeza: ele nunca abandonará a cidade e ainda afirmou ter feito uma campanha limpa e transparente, sem acusações.


Esmeraldino Correia - PDT (DEM/ PTN/ PR/ PTC/ PMDB/ PR/ PSC/ PPS)
Vice: Geraldo Botelho

Por uma Conquista livre.
12


A campanha com menos recursos, foi a campanha com mais tempo de propaganda eleitoral. O que poderia ser algo positivo, “enforcou” a propaganda eleitoral do tenente- coronel do 9º Batalhão da Polícia Militar de Vitória da Conquista.

Há muito tempo Esmeraldino “cavava” essa candidatura. Foi um coronel popular, sempre presente na mídia. Por isso, um dos seus discursos favoritos foi “eu não sai do nada”, dizendo que ele mais que ninguém conhecia os problemas de cada canto da cidade por causa do trabalho realizado no Batalhão, juntamente com “a educação é nossa maior prioridade”.
A propaganda de Esmeraldino começou bastante solta, explicitamente perdida, sem direção e objetivos claros. Estava “na cara” (e eu sei disso) que todos que toparam fazer parte desta campanha eram bastante “verdes” em experiências de trabalhos com política. Então, a programa foi o mais amador dos três, chamando atenção muito mais pelo esforço do que pelo conteúdo.

Também tinha como produtores e repórteres muitos recém formados em jornalismo e o tom documental e menos “propaganda” das matérias imperou quase todo tempo. A estrutura física não foi das melhores e o cromaqui do estúdio era bem tosco. Esmerldino dava seu parecer em ambientes diferenciados, na biblioteca, ao ar livre, em casa.... Iniciativa bastante criativa que deu mais versatilidade e “enquadrou” menos o candidato. As apresentadoras sem experiência foram se soltando com o decorrer do tempo.

Ainda no inicio, talvez pela necessidade de mostrar que por trás do candidato havia apoiadores de peso ou então pela falta de idéia melhor, foram veiculadas nas inserções comerciais a foto de algum político, o nome e “apoio de fulano de tal, Esmeraldino tem”.
Mas ainda faltava algo pra fazer a campanha de Esmeraldino ter um diferencial e chamar atenção. Foi quando Carlos Lupi, o Ministro do Trabalho e Emprego, veio à cidade e num discurso soltou a célebre frase “E conquista já decidiu, é 12, é 12, é 12, é 12”. Repetição que já era de uso do PT, mas que não tinha feito tanto sucesso.
O boom de Carlos Lupi produziu uma conseqüente lavagem cerebral do 12. Milhares de pessoas aparecem na propaganda eleitoral repetindo “é 12” infinitas vezes. Pronto, achou-se um ponto de partida, mesmo que de gosto duvidoso e, e abusou-se dele.
E funcionou e muito. Levando a sério ou não, o 12 virou febre e eu vi até crianças cantarolando na rua a música do 12.

O problema e a solução é que o programa do PDT tinha muito tempo disponível. As vezes, ficava muito chato todas as repetições mas por ela foi possível enfatizar o 12 muitas vezes, pelas entrevistas, vinhetas, computação gráfica... 12 pra todo gosto.

Apesar de tudo isso, a campanha de Esmeraldino foi a mais “limpa”, inclusive algumas vezes admitiram nos programas que trabalhavam com poucos recursos e não tinham a pompa das outras propagandas.

Esmeraldino só quis dizer que é o melhor pra Conquista e que é bonzinho. Esqueceram de avisar que na política não é bem assim que a carruagem anda. Infelizmente.



Eraldo Novais – PSOL
O PSOL só chegou até a metade da campanha eleitoral A candidatura do vice Detão foi impugnada. Enquanto eles ainda achavam que poderiam se eleger, fizeram toda propaganda eleitoral com apenas um vídeo, que mesclava imagens de caminhadas do PSOL com Heloisa Helena a frente e bandeiras socialistas erguidas. Depois entravam os dois candidatos falando sobre igualdade e todos os outros princípios do comunismo tão distantes da nossa realidade. As vezes pareciam integrantes do movimento estudantil dos anos 60.
Mas o interessante era que parecia um vídeo da Al Jazira feito com webcam. Mas se houvesse uma produção a mais poderia parecer um produto capitalista. Afinal, pra que tanta coisa se o proposto era o desprendimento do material? Fez sentido e foi até coerente.
Mas só valeu realmente a intenção, porque deram bye bye mais cedo que os outros.




No geral, foram dias muito tranqüilos em Vitória da Conquista. E todos queriam que o melhor vencesse, mas quem sempre vence é quem tem mais votos.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Mano Velho

Faça parte do movimento "Com o tempo de estar trabalhando, discuta sobre o tempo" e ganhe uma participação especial nesse blog super popular!

midocarmo.blogspot.com diz:
o tempo dirá que outro tempo virá sempre


Marcos Tulio diz:
o tempo sempre diz

midocarmo.blogspot.com diz:
o tempo sempre diz que n adianta esperar por ele... pq o tempo é agora... amanhã é algo que não existe...


midocarmo.blogspot.com diz:
quando amanhã for, será o nosso tempo


midocarmo.blogspot.com diz:
assim como esse minuto que vivemos agora


Marcos Tulio diz:
amanhã é algo que não existe agora

Marcos Tulio diz:
mas que com certeza será

midocarmo.blogspot.com diz:
sim... se n existe agora é pq n existe

ainda

Marcos Tulio diz:
então podemos confiar que ele será

Marcos Tulio diz:
só não podemos confiar que nós o presenciaremos

midocarmo.blogspot.com diz:
mas se nós não podemos confiar que nós presenciaremos não podemos confiar que ele será, pq o tempo é algo de cada um, individual e intrasferivel... o meu tempo, o seu tempo... ai o mistério do homem como unidade, ser


Marcos Tulio diz:
mas o tempo não se define na individualidade de cada ser, todos nós somos meros expectadores dessa entidade, que ao mesmo tempo que é assistida, nos assiste, nos ver chegar e passar

Marcos Tulio diz:
nesse sentido, o amanhã não se define pelo seu viver, mas pelo de todos nós, que apesar, no caso de um não existir, continuam a vive-lo

midocarmo.blogspot.com diz:
depende de que perspectiva você analisa o tempo... na verdade o que é o tempo? um entidade? como se fosse criado por alguem superior? a noção de tempo quem criou foi o homem...


midocarmo.blogspot.com diz:
e o tempo nos ver chegar e passar?


Marcos Tulio diz:
entidade no sentido de que ele está lá, e que nada muda ele. o que o homem inventou foi uma forma de medi-lo, uma unidade de medida

Marcos Tulio diz:
mas ele existe, mesmo que nós não estivessemos aqui, para inventar, segundos, minutos, horas, dias, meses, anos seculos...

midocarmo.blogspot.com diz:
lá onde?
midocarmo.blogspot.com diz:
ele está aqui


Marcos Tulio diz:
aqui onde?

midocarmo.blogspot.com diz:
o tempo sou eu e você, somos nós... cada um de nós


Marcos Tulio diz:
lá, aqui, quando falo lá, quero dizer que ele ocupa o lugar dele, não o meu, não o seu, nós não somos o tempo, nós vivemos sob sua influencia

midocarmo.blogspot.com diz:
só quando chove


Marcos Tulio diz:
hahaha

midocarmo.blogspot.com diz:
hauauhauahuahua