segunda-feira, abril 30, 2007

Em defesa


Ele tá lá, pequeno, insignificante, quase.

Só usam quando o grande está ocupado, quando o grande está tomado de posse.

Pobre pequeno. Sabe que é segunda opção sempre.

Tão vítima do homem megalomaníaco. Homem espaçoso.

O grande não foi feito para pessoas que andam com os dois pés.

Mas mesmo assim elas se apoderam daquela área.

E gozam despejando seus descartes podres e fétidos num ambiente tido como mais digno.

Por ser simplesmente maior.

É igual ao outro. Igual.

Só a imundice é menor, como seu espaço.

Mas esse humano... Não sei, não.

Nem percebe o eternamente vazio que causa naquele pequeno.

"Filha da puta do grande"

Pensa o pequeno.

"Por que não somos iguais?

Se indaga o pequeno.

Será que ele sabe que o grande foi feito para minorias?

Será que isso acalentaria sua dor?

A dor.

A dor causada pelo homem megalomaníaco. Homem espaçoso.

sexta-feira, abril 27, 2007

"Respeito é pra quem tem"

Dois sócios de uma empresa construtora, resolve mandar matar o terceiro sócio majoritário, por cobiça e um certo conflito de interesses.O assassinato é a sangue frio e quem o cumpre é um já especialista no assunto que não só “despacha” o cara, como aproveita e manda também a mulher dele dessa pra melhor. Melhor sim, porque “O Invasor”, sob a direção de Beto Brant, pretende mostrar um mundo de prazeres sujos, de desigualdades, da ganância com precedentes na nossa própria divisão de classes, divisão essa que é mostrada como uma “linha imaginária” nas grandes capitais, nesse caso, São Paulo é o cenário. A periferia e o centro não fazem parte de realidades distintas, os dois universos compõem um labirinto de corrupção onde a esperteza é a lei de sobrevivência, onde ser sagaz e inumano a todo custo, valha o que valer, é o melhor caminho para ser alguém na vida.
O Invasor é um filme poético, de uma poesia não delicada, como outros filmes que pretendem mostrar a mesma realidade, o filme tem uma poesia agressiva, do cólera, racional, de ruas inundadas pelos piores sentimentos, do caos urbano.
Os dois sócios, interpretados por Alexandre Borges e Marco Ricca, recorrem ao plano “favela” para realizar o assassinato. O assassino, incorporado por Paulo Miklos, também quer algo em troca, que não só o dinheiro do serviço prestado. A partir dessa problemática relação que se desenrola gradativamente durante a história, o Invasor, expõe essa esfera podre de um país tão equivocado, essa esfera mesmo que vemos todos os dias nas manchetes dos jornais.



"Homem primata, capitalismo selvagem"

A participação de Sabotage dá o ritmo, literalmente, no filme. As músicas do rapper, que morreu também assassinado a sangue frio na “vida real”, entram no filme em forma de videoclipes que dialogam com as situações e ajudam a dar o “peso” necessário que claramente é pretendido pelo diretor. Em alguns momentos, achei que o recurso dessa linguagem foi deveras cansativo, abusado demais e prejudicou um pouco o roteiro, mas não compromete a qualidade do filme. O sucesso de “O Invasor” é resultado também de escolhas que deram o “ar” perfeito para a narrativa: fotografia obscura, com cores contrastadas, planos alternativos, linguagem adaptada e um elenco que se encaixou muito bem aos personagens. Marco Ricca e Alexandre Borges fazem bonito no papel dos sócios, personagens de personalidades diferentes e que se completam nesse mundinho impuro. Tá certo que um deles ainda carrega uma certa culpa pela admissão da tal barbárie tão trivial à nossa sociedade, mas tudo pode mudar com o decorrer dos fatos e descobertas. No entanto, quem chama a atenção é o cantor Paulo Miklos, que como eu já havia mencionado, incorpora, como todas as letras, o assassino. Ele É O assassino e convence tanto nesse papel que tomei até antipatia pelo cara. O legal de “O Invasor” é que ele tem tudo isso sem exageros, sem caricaturas, sem diálogos desnecessários, sem final feliz, e apesar do fim vir sem força e não ser surpreendente (afinal de contas, essa é a nossa realidade e admitindo ou não sabemos como acontece), também não decepciona, não é anticlímax e é muito coerente.

Paulo Miklos: "I am a jungle man"



O Invasor não pretende promover discussões, ele ta aí para constatar, afirmar que fazemos parte de um mesmo barco, que está para naufragar a qualquer momento e mesmo assim nos aglomeramos, empurramos uns aos outros para entrar nele. É o nosso país, que é mostrado cru e sem nenhuma esperança de mudança. Vale a pena ver “O Invasor”. É intrigante, desperta nossos piores sentimentos e é, acima de tudo, brasileiro.


"O Invasor" Brasil, 2001. 97 mins. Direção: Beto Brant. Com: Paulo Miklos, Marco Ricca, Alexandre Borges, Mariana Ximenes, Malu Mader.

quinta-feira, abril 19, 2007

Esse é o meu castigo

O fenômeno da música POP.

Meu mais novo ídolo no quesito "sou cara-de-pau e ridículo, sou feliz assim".


E todo mundo cantando:
"Agora meu adeus (smack), tchau, ah, ah
Não vai ficar comigo, esse é seu castigo
Quis me enganar, mas se iludiu"

É... porque levar a vida muito a sério é deprimente...

http://www.youtube.com/watch?v=RvxZUb7QDNM&mode=related&search=

quarta-feira, abril 18, 2007

our silver ring

Não, não fiquei noiva.
Um anel de compromisso é um anel de compromisso. É de prata ou de qualquer coisa que queira.
Uma anel de noivado, segundo as regras, é de ouro, ou dourado, dependendo do seu orçamento.
O que temos nos dedos "seu vizinho" da mão direita é um anel de compromisso de prata, para celebrar nossa união de dois anos, assim como espalhar para os quatro ventos do mundo o quanto é legal curtir a, o que considero, ser a melhor fase do nosso namoro.
O que não tira o importante valor simbólico do que penso ser uma manifestação de carinho, para alguns careta e desnecessária e para outros romântica e só pelo significado desta palavra basta.

Sendo assim, marcamos nosso noivado para 2030 e casaremos em 2037, podendo ser adiantado para 2034, talvez.




Acho legal como as notícias se espalham e aumentam. Como é uma coisa boa, to achando engraçado.

segunda-feira, abril 16, 2007

Manias, manias, loucuras à parte.

Segundo meu amigo inseparável, o Priberam, esquizofrenia (do Gr. skhízein, fender + phrén, phrenós, espírito) significa género de psicose, cissão ou dissociação psíquica. Alguns estudiosos afirmam que a "esquizofrenia é uma doença mental que afeta a capacidade da pessoa distinguir se as experiências vividas são ou não reais. Afeta ainda a capacidade de pensar logicamente, sentir emoções e sentimentos, e comportar-se em situações sociais".
Minha mãe disse que já conheceu alguns esquizofrênicos. Eu não.

Mas estava aqui agora divagando, sentada em frente ao meu computador (da agência, no caso), pensando que tenho manias tão estranhas que eu gostaria de dar nomes científicos. A mais atual é passar pelas pessoas conhecidas na rua, quase “me bater” nelas e nas ocasiões em que não me enxergam, não falar com elas, nem dar “oi”, nada, passar despercebido. Isso me diverte muito! Penso como estamos envolvidos com a conta de água atrasada, o cardápio do almoço, o pai da amiga que morreu no acidente e o salário que não rende que não nos atentemos para rua, para as pessoas que passam por nós.
Virou uma mania tão grande, que no caminho do trabalho fico procurando “conhecidos” cegos. E me acabo na risada quando acontece de trombar em fulana e fulana não saber que a pessoa que empatou sua passagem naquela hora estudou com ela durante quatro anos na faculdade.

Até comentei aqui no blog, uns tempos atrás que eu tava com mania de limpeza. Mas só aos sábados. Dava sexta-feira e eu ficava louca: horas e horas programando como seria minha rotina da faxina. SE eu iria começar pelo meu quarto, pela cozinha, quantas roupas teria que lavar, dar uma geral nas paredes, etc.

Só manias, acho. Mas numa busca na internet achei o nome de algumas, umas sociáveis outras capazes de obrigar o total isolamento do cidadão.


Abulomania - Impulso mórbido para lavar-se e banhar-se
(Será que algum europeu tem essa?)

acribomania: Mania de exatidão. (Deve ser coisa de matemáticos)

agromania: Tendência mórbida à solidão, ou a vagar pelos campos.
(pelos campos???)

bruxomania: Sintoma de neurose que se caracteriza pelo excessivo ranger de dentes. (essa ia me irritar)

cacodemomania:
Distúrbio mental caracterizado pela ilusão de estar possuído por maus espíritos.
(sai pra lá, Exu!)

clastomania: Tendência patológica para destruir todos os objetos
(personagens de novela da Globo tem tendências à essa mania)

coromania: Desejo patológico de dançar. (esse venceria numa boa aquelas provas do BBB)

doromania: Tendência patológica a dar presentes. (queria que algum amigo meu tivesse essa)

erotografomania: Desejo patológico de escrever cartas de amor. (já tive um namorado assim)

filopatridomania: Desejo incontrolável de regressar à terra natal. (essa meu pai gostaria que eu tivesse)

metomania: Desejo irresistível de tomar bebidas alcoólicas; metilepsia, metiomania. (isso ai se cura no AA)

opsonomania: Apetite insaciável em relação a certas iguarias. (chocolate, chocolate!!!)

tristimania: Tristeza habitual sem razão aparente. (nas mulheres ocorre, principalmente na fase TPM de ser)

segunda-feira, abril 09, 2007

Ó pai ó – Muito carnaval pra muito pouco.

Entrei na sala de cinema com uma grande expectativa positiva com relação a “Ó Paí, Ó”. Esperava muito por esse filme que foi considerado pelos próprios realizadores como “o filme mais baiano que já foi feito”. O resultado foi que, no final da projeção, eu estava com aquela sensação de que esperei muito por muito pouco. “Ó Paí, Ó” decepciona em quase todos os sentidos.

“Quase” porque quem vai ao cinema em busca de boas piadas e entretenimento gratuito, tem diversão garantida.

No entanto, o filme fica devendo uma análise mais proveitosa da realidade que propõe mostrar, ficando preso apenas a uma narrativa inundada pelos estereótipos e histórias vazias que acaba por deixar o filme um tanto superficial.

O filme começa bem, Roque o pintor artista interpretado por Lázaro Ramos, é surpreendido pela personagem de Emanuelle Araújo que pede para ser pintada para a Timbalada. Logo depois, em outro momento, tem o único musical que se encaixou na trama: a música “Vem meu amor” do Olodum cantada pelo pintor vestido de mulher, voltando do carnaval já de manhã, em um passeio nas ruas do Pelourinho funciona como uma apresentação do ambiente, dando noção de tempo e lugar.



Rosa (Emanuelle Araújo) e Roque (Lázaro Ramos) - “Me pinte pra Timbalada!”

Por essas duas cenas iniciais, o que se espera é o desenrolar de uma história com um exame antropológico, dado que o cenário é encravado no berço de uma cultura riquíssima. Mas o que se sucede é um enredo hipostasiado, como diria uma amiga, “um filme para gringo ver” e vender o carnaval de Salvador. Se a intenção era exibir o lado “humano” do carnaval e usar à clef os moradores do Pelourinho para mostrar que por trás da maior festa do país existe um povo trabalhador cheio de singularidades, que dá o sangue para ter uma vida melhor e ainda consegue se divertir muito, o filme falha e não funciona nem como identificação. Isso porque as representações são quixotescas. O baiano é despojado, alegre e múltiplo, mas é apresentado de forma burlesca, exagerada, irreal.



Teatro X Cinema

Para tal excesso existe uma explicação: os personagens caricatos foram criados para o teatro (para a peça inspiração do filme), seguimento que permite esse tipo de exagero, e parece que não sofreram nenhuma adaptação para convencer o público da “tela grande”. Essa falha não é à toa, grande parte dos atores do filme é do Bando de Teatro Olodum e essa transposição para uma adequada interpretação não foi feita. Nada de novo, isso acontece com praticamente todos os filmes produzidos pela Globo Filmes, em que os atores saem direto da televisão e levam todos os vícios da atuação em novelas que para o cinema pode ser visto como uma insuficiência na interpretação.


Sendo assim, “Ó Paí, Ó” apresenta uma evangélica fervorosa, Dona Joana, proprietária de um cortiço no Pelourinho, locação principal do filme. Lá, entre outros, mora um travesti, um trambiqueiro boa pinta, uma mulher de coração grande que aperta seus cinco filhos num quarto minúsculo e um jovem pintor artista que dá o duro todos os dias para conquistar um “lugar ao sol”. Na paisagem histórica de Salvador ainda habitam Neuzão, homossexual e dona de um bar, um policial corrupto, uma mulher que supostamente casou com um gringo e voltou para Bahia, uma vidente e uma baiana de acarajé. Essa coleção de “tipos” torna difícil o desenrolar de uma história e desumaniza os personagens que estão lá muito mais pelos seus gêneros do que para compor algo de interessante.


“Ó pai ó no jornal, como o baiano é uma figurinha de cinema”


Considerado o ponto alto do filme, a interpretação de Lázaro Ramos funciona bem, soa verdadeira, sem muitas firulas. Já Wagner Moura não convence no estilo “lato, mas não mordo”, com expressões faciais forçadas, Dira Paes também não deposita todo seu talento na interpretação e Stênio Garcia passa despercebido.


É Boca (Wagner Moura), essa sua cara de mau não convence nem Roque...


Outro fator que demonstra insuficiência são os planos fechados de câmera que escondem o ambiente e limita a visão do cinéfilo, característica própria dos filmes guiados por diretores de novela e também de obras da Globo Filmes.


Conteúdo

“Ó Paí, Ó” é um filme de esquetes. Não desenvolve sequer nenhuma história consistente e por isso é embalado por musicais que nada acrescentam à trama. Decorrente desse mesmo fato, o único fator que pode atrair elogios ao filme é o mesmo que arranca risadas do público: os diálogos bem humorados compostos pelo mais fiel dialeto baianês, com os hábitos e as “tiradas” típicas dos habitantes da capital baiana, que “carregam” muito mais no sotaque do que qualquer outro povo do Estado.


O roteiro dançou. E Talvez por falta de “música” mesmo.


Sem um progresso gradativo da narrativa, o espectador fica esperando o ápice do filme que segue na mesma velocidade e superficialidade, e o que era para ser um final impactante é debilitado por uma suposta crítica social, um tanto quanto desconjuntada. Essa crítica, sem sucesso, diga-se de passagem, pretende expor que até mesmo, ou em especial, um cartão-postal como o Pelourinho sofre com os indicadores de violência, prostituição e racismo. No final, como a maioria dos elementos do filme, a discussão é estereotipada e se torna impotente.


Como disse, como entretenimento, “Ó Paí, Ó” é uma boa pedida. Eu espero que essas falhas de conteúdo sejam superadas na versão para TV já garantida pela Globo. É uma expectativa duvidosa, afinal de contas, essa disseminação de histórias isoladas e a ausência de uma reflexão mais coletiva são próprias do estilo minisséries de televisão.



Revisão: Hélio Flores.

quarta-feira, março 28, 2007

ó pai ó II

O amigo de um amigo de um amigo
aceitou doar sangue para a mãe de uma amiga do amigo do amigo do amigo

É por uma dessas que eu ainda acredito na bondade do ser humano.

ó pai ó!

Parece exagero, pode até ser mesmo.
Mas sinto, pela primeira vez, os sinais do tempo
Não era pra sentir no auge dos meus vinte e poucos anos?
Nem sei, mas senti
Olhei no espelho e achei que a pele to meu rosto ta "gasta"
A pele dos meus seios estão ficando flácidas
Assim como meus braços estão criando um tipo de "pelanca"
Meu quadril é de mulher
Luto para entrar numa calça 40
Quer dizer, nem tento mais
Minha barriga tem uma saliência inconveniente
A conhecida "barriguinha de chope"
Meu bumbum... esse ainda tá legal, salvo algumas celulites que dão uma alegoria desnecessária
Mas o pior de sentir os sinais do tempo no corpo, é sentir no quesito "dona de casa"
Quero agora tudo organizado e limpo. Sempre.
Pode chover canivete, sábado de manhã é meu momento sagrado de graxerar
E o tempo nas lojas que eram exclusivos para apreciar roupas, cds, dvds e livros, hoje é compartilhado nas seções de edredons, copos bonitos, toalhas de mesa, panos de prato, baldes coloridos

Penso feliz e sem preocupação:
"É o tempo Michele
Te deixando madura"

Vou me cuidar mais.

terça-feira, março 27, 2007

A lida diária

Abre um olho
Fecha um olho
Ainda estou aqui
Que bom
Abre um olho
fecha um olho
Mais 10 minutos
Tudo bem se chegar 10 minutos depois
Ontem sai 10 minutos depois!
Fecha o olho






Abra um olho
Odeio esse despertador
Fica aberto, olho!
Vamos! Seja mais forte!
Você consegue!
Nããão, fechou de novo!
Aíí que delícia
que cama gostosa
Mais cinco minutos
Só mais ci...






Toma um susto
Meu Deus deve ser meio-dia
Abra um olho
cadê o relógio?
Ufa... 15 pras 8 ainda...


15 pras 8!!!
Abra os dois olhos
levanta
Vaaaaiiii
Alguém chama um guindaste!
Vaaaiiiiii
Ainda tem o banho, a maquiagem, escolher roupa, tomar café
Consegui!
Sentei
Olha a cama, que confortável!
Que saudade
Meu corpo ta caindo de novo, de novo, de novo
Aiii que cama gostosa...
Mais cinco minutos
Se eu não tomar banho durmo mais cinco minutos





Abra os dois olhos
Toma um susto
Pula da cama
8 horas???!!!!!
Já era pra tá lá!
Sem banho, sem café, sem maquiagem, qualquer roupa.

quinta-feira, março 22, 2007

Pau Brasil 2000

Ontem, peguei uma entrevista pela metade na TVE Bahia (Cultura) com um cara que tocava um violino e cantava. Parecia ser um tipo de referência de algum movimento musical parecido com literatura de cordel. Se não for isso, o responsável pela matéria/entrevista pretendeudar ênfase à essa idéia do cara ser algum destaque por ter estimulado o resgate de algum tipo de manifestação cultural. Trocando por miúdos, não tenho idéia de quem é aquele cara, nem o nome dele eu consegui "pegar". O que focou minha atenção, primeiramente, foi aquele "ar" de bêbado que ele tinha (ou tem). Depois, achei que ele era a reprodução fiel de Glauber Rocha, num mix com Waly Salomão e Caetano Veloso.
No entanto, o texto não é para falar da cara do indivíduo, e sim das palavras que ele proferiu com tanto gosto e pungência: "O Brasil será o centro do mundo. Todos os países imitarão o Brasil. Essa já é uma previsão de (e aí ele falou um tanto de profeta, hindu e de várias outras culturas). Porque o Brasil tem o maior continente, contêm minerais e um povo excepcional".
E nesse naipe, ele continuou com um chauvinismo exacerbante, praticamente um militante Pau Brasil.O maior continente? Já foi comprovado que tamanho não é documento quando se trata de desenvolvimento econômico e social. Minerais? Acho que esse cara perdeu o embarque da nau... Um povo excepcional. Concordo. Mas, diante das circunstâncias, não sei é excepcional a ponto de transformar o Brasil no país do futuro.
Por coincidência, naquele mesmo momento, lia sobre o livro de Chico Buarque, O Estorvo, e da adaptação de Ruy Guerra para o cinema. Não li, nem vi, respectivamente. Mas, através da crítica de Orichio (Luiz Zanin, Cinema de Novo), as duas obras surgiram em um momento de deslocamento do “eu brasileiro” dentro do seu próprio espaço, ou o que teria de ser seu próprio espaço. Essa sensação de “não pertencer a lugar algum”, sentimento que toma as rédeas da história do personagem principal, é conseqüência do desconforto moral causado pela era Collor. Essa desilusão, fruto da angustia de estar perdido na própria terra, em minha opinião, perpetua nos dias de hoje. O Brasil é um país desacreditado e não vejo um motivo para manter as esperanças. Mantemos para fazer do país um lugar habitável e prazeroso para se viver, contudo é fato que a decepção ainda é contemporânea. Menos para o meu amigo meio- irmão de Oswald de Andrade, claro. Sorte dele.

Ainda sem título

"De que me vale toda essa imensidão
Se o que me resta são migalhas.

De que adianta um voto consciente
Se um sistema de compras é articulado

Aonde vai dar esse trilho que a sociedade percorre?
Não sei mais me situar...
Será que acredito no que vejo, ouço?

Pelo visto, não vai ser no mundo platônico
Provavelmente, vai parar em algum palco
Cheio de vedetes, holofotes e fantasias...
Fantasiar...
É mais fácil sonhar em ter uma vaca,
Quando se tem que imaginar um copo de leite...
Ou então, imaginar-se um personagem frágil de filmes de faroestes
Quando passarem balas perdidas pela sua janela

Neste mundo de faz de conta,
Nunca foi tão fácil ser artista!!!"

Da minha amiga, Ane Madureira.

quarta-feira, março 21, 2007

Do alto onde subimos

Hoje acordei com missão de não me deprimir em nenhum minuto do dia.
Mandei o baixo-astral pro quinto dos infernos e vou aproveitar os dias de sol de verão que esquentam a cidade para esquentar também meus ânimos.
Nada melhor do que ouvir uma música para a inspiração surgir.
E as músicas sempre acertam, todo tempo atingem a seta no alvo.
A primeira a tocar no DVD, escolhida aleatoriamente, foi Tudo Novo de Novo, do Paulinho Moska.

"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim


É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos


Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou..."

terça-feira, março 20, 2007

A barreira que impede o fazer


Essa vontade de fazer tudo ao mesmo tempo decorrente de um tédio incessante, uma insastifação incurável e compromissos de longa vida, só me faz acumular promessas e projetos que nunca findam.
Se fosse só pôr fim nas promessas por pôr fim, não me incomodaria tanto.
O fato é que a cada "vou fazer" que se vai sem se concretizar ou que se adia por tempo impreciso é mais um motivo para eu me sentir impotente com relação a não sei o que ou a tudo.
Todo dia eu lembro que tenho que correr atrás de tirar o registro de jornalista, todo mês quero entrar na academia, todo dia tenho que comer menos, todo mês vou entrar na aula de dança, no balé, todo domingo vou tirar as teias do meu patins, todo final de semana vou ver um amigo que nunca mais conversei, todo mês vou voltar pra terminar o inglês e depois fazer aulas de francês, italiano, espanhol, todo dia vou acordar mais cedo e caminhar, todo mês vou comprar telas e tintas, todo mês vou ajudar uma instituição carente, todo mês vou procurar um médico e curar a TPM, todo dia vou futucar o Adobe Premiere.... alguns exemplos de uma lista que preencheria as folhas de um mês da minha agenda.
Coisas que não começo a fazer nunca, mas que molestam minha consciência todo santo minuto.
Não deixa de ser uma contradição, ter tanto ânimo e pouca motivação (nem deixa de ser também uma rima).
"Uma coisa de cada vez, ou não vai fazer nada nunca", um amigo já repetiu isso pra mim mil vezes, anos atrás, e hoje repito muito pra outra pessoa.
Mas é tão fácil falar....

segunda-feira, março 19, 2007

Partes de mim

Se eu fosse uma hora do dia: 18:00
Se eu fosse um planeta ou astro: Jupiter
Se eu fosse uma direção: Leste
Se eu fosse um móvel: Mesa
Se eu fosse um liquido: Água
Se eu fosse um pecado: Gula
Se eu fosse uma pedra: Amestisa
Se eu fosse um fruto: Pêssego
Se eu fosse uma flor: Girassol
Se eu fosse um clima: Frio
Se eu fosse um instrumento musical: Bateria
Se eu fosse um elemento: Ar
Se eu fosse uma cor: Verde
Se eu fosse um bicho: Elefante
Se eu fosse um som: Chuva
Se eu fosse uma música: Vento Ventania
Se eu fosse um estilo musical: Rock
Se eu fosse um sentimento: Ser humano
Se eu fosse um livro: O Deus das Pequenas Coisas
Se eu fosse uma comida: Pão com canela e açucar
Se eu fosse um lugar: Ouro Preto
Se eu fosse um gosto: Canela
Se eu fosse um cheiro: terra molhada
Se eu fosse uma palavra: Imortal
Se eu fosse um verbo: Viver
Se eu fosse um objeto: Abajur
Se eu fosse peça de roupa: Blusa com a gola grandona aparecendo o ombro
Se eu fosse 1 parte do corpo seria: Ouvido
Se eu fosse 1 expressão facial: Sorriso
Se eu fosse 1 personagem de desenho animado: Princesa Sarah
Se eu fosse 1 filme seria: Cantando na Chuva
Se eu fosse 1 forma: Círculo
Se eu fosse 1 número: 14
Se eu fosse 1 estação: Outono
Se eu fosse uma frase: “All we need is love”


Roubado de: http://minhasinsanidades.blogger.com.br/

Ladrão cochila em assalto e é preso pela polícia

"O desempregado Carlos Henrique dos Santos, mais conhecido como Riquinho, de 21 anos, dormiu, literalmente, no ponto. Ele foi preso por policiais do município de Laranjeiras, a 23 km de Aracaju (SE), depois de pegar no sono em pleno assalto. A prisão aconteceu ontem à tarde.
Segundo informações do Cabo Lima, da Polícia Militar, Riquinho estava embriagado e quando retornava pra sua residência tentou furtar o aparelho de som e o módulo de um veículo que estava guardado na garagem de uma casa localizada no centro da cidade.
Mesmo sob o efeito de álcool, o ladrão teve facilidade para entrar na residência e no veículo da vítima. Mas um problema na porta do carro acabou dificultando a ação de Riquinho, que não conseguiu sair do veículo. Cansado de tentar destravar a porta, o bandido adormeceu com o som do carro no colo.
¿Quando o dono viu o bandido sentado no banco do motorista, ficou com medo que ele estivesse armado e chamou a polícia¿, conta o cabo, que foi o responsável pela prisão de Riquinho. No local, a equipe de policiais só teve o trabalho de acordar o responsável pela tentativa frustrada de furto, que dormia tranqüilamente no momento em que os policiais chegaram.
Ainda embriagado e sem saber o que estava acontecendo, Riquinho,que não chegou a ser algemado, foi encaminhado para a delegacia da cidade. Ele prestou depoimento ao delegado Hugo Leandro e continua preso à disposição da Justiça.
Segundo o cabo Lima, o ladrão deixou há poucos meses o Centro de Apoio a Menores Infratores, o Cenam, uma espécie de Febem em Sergipe. "Ele fugiu uma vez e nós o recapturamos. Agora ele saiu porque cumpriu a pena de três anos", afirma o policial. De acordo com ele, Riquinho contou também que havia fumado maconha antes de cometer a ação.".

Cícero MendesDireto de Aracaju - mais uma do site do Terra Popular.

sexta-feira, março 16, 2007

Sky High Tower*

As aventuras de se trabalhar com publicidade são ilimitadas.
Todo dia uma sensação diferente.
Esses dias, recebi uma ligação altas horas da noite com a petição de dar nomes à quatro edifícios que serão construídos na cidade. Em 15 minutos. Tinha que ter a ver com a cultura da cidade, ou política e economia. Ou não, seria em inglês, algo com "sky ou sei lá" segundo sugestões, para ficar mais "refinado". Nome de tribo já está manjado demais, pensei.
O que parecia fácil, era na verdade muito penoso, embora divertido ao mesmo tempo.
Depois de pensar em todos os quartetos possíveis, uns nomes sensatos e outros por diversão, fui recorrer ao pronto-socorro da criatividade: o google.
Nos primeiros resultados da pesquisa, achei um site com um artigo que discorria sobre as tendências de dar nomes ao prédios. Um fato que talvez nunca me atentaria, essa arte de intitular edifícios ser direcionada pelo "clima" cultural, político e econômico do país.
Depois pareceu óbvio, uma vez que para todas as coisas é desse mesmo jeito, e é isso que caracteriza uma época. Como a arquitetura. Facilmente identificamos casas e prédios dos anos 60, 70, 80... Mas nunca iria notar sozinha, por exemplo, que nos anos 70, os nomes dos prédios, em sua maioria, eram nomes indígenas, seguindo a inclinação da auto-valorização e afirmação da cultura brasileira, especialmente na música, com a Tropicália.

Enfim, quem se interessar em ter um acréscimo no que se pode chamar de "cultura inútil" para alguns, o link é:
www.vitruvius.com.br/arquitextos/atq000/esp286.asp

* título vencedor das resenhas. :-)

segunda-feira, março 12, 2007

Pacgirl


Eu sei que um exame de sangue ou de fezes pode resolver tudo.

Vou descobrir que eu tenho uma solitária de vinte e cinco metros e quarenta e três centímetros na barriga. Pronto, vou cuidar para que ela abandone o habitat reconfortante do meu abdômen e acaba toda essa fome expressiva que me consome. Mas acho que não é isso. Não queria que fosse também.

Mas gostaria de saber, com todas as forças do mundo, porque eu só paro de comer quando acaba o que eu estava comendo ou quando começo a passar mal.

Guludice. Olho-grande. Esfomiamento. Talvez eu tenha sofrido muito com a precariedade alimentar da tribo africana em que nasci na vida passada. Lá nesse passado, uma estiagem prejudicou as plantações de trigo que minha família cultivava e os bezerros que davam leite (?) e carne morreram todos. Desesperado, meu pai, Dudumoró, ofereceu minha vida ao Deus da Fartura e das Monções em troca de uma vida menos miserável. Por isso, nessa vida eu nasci assim, querendo comer toda hora. E sem querer desperdiçar nada e nem deixar pra amanhã.
Vou deixar claro que minha dieta até que não é muito ruim. Não uso açúcar nem óleo. Mas como doces e manteiga adoidado. Mas tomo muito chá e adoro verduras. Não acho que como muito. Acho só que quero comer toda hora. Tenho certeza. No entanto, divido, numa boa, o pão de cada dia. Não sou egoísta na hora de compartilhar as benções.
Psicólogos, psiquiatras, benzedeiras ou a crendice popular em geral, podem dizer que isso tudo é ansiedade. As vezes acho mesmo. Principalmente, quando estou sem muito coisa pra fazer, aí só quero comer.
Ou é mau olhado.
Ou é gula.
O quinto pecado capital.
Eu li que "os sete pecados capitais" não é uma idéia originalmente bíblica e veio da cabeça de uma cara chamado Gregório, o Grande, no século IV. A gula é uma coisa complicada. Todo ser humano ser um pouco guloso. Menos os que passam fome, como aqueles da tribo da vida passada. As anoréxas também não tem gula. Tem algo inverso a isso. Coisa feia não querer comer.
Antigamente, naquela época onde os escultores famosos esculpiam mulheres com os quilinhos a mais, que não eram a mais, era bonito ser gordinho, e comer e comer. O título que recebe essa época nos livros de história que a gente estuda na escola é Renascimento. Sempre tem uma balofa em pedra. Quando forem dar títulos em livros de história para nossa época vão colocar a foto de alguma modelo mostrengo dessas, Olivias-Palito da contemporaneidade.
Cada sociedade tem seus modelos de beleza. E cada uma, uma idéia diferente da comida. A nossa é estranha. Quem tem dinheiro, não quer comer. Quem não tem dinheiro, faz tudo por um prato de comida. E sempre existiu guerra por comida.

E eu ainda não sei qual o limite de fome e gula.
Fiquei sabendo que São Francisco de Assis usava cinzas para temperar a comida dele, para eliminar o sabor. Eu hein, que homem, ou santo, sem juízo.

Mas tem que saber dosar, parece. Vê ai, tem até mãe perdendo a guarda do filho porque entope o menino de besteira. Tem que ver o lado da saúde, dizem.

Então, enquanto não descubro a causa da minha fome sem limite, aceito os comentários do tipo: “já ta com fome??!!”, e vivo feliz saboreando o sabor saboroso das coisas que como. E tomando chá de boldo depois.

sexta-feira, março 09, 2007

As mulheres do Carlos.

Minha família é matriarcal.
Sem ofensas pessoais, os homens foram apenas parte metade da reprodução da espécie.
Eles foram coadjuvantes nas histórias das nossas vidas, desde minha trisavó.
Sim, conheci minha trisavó por parte de mãe.
Eu tinha 6 anos e ela tinha muitos gatos. Quando ela morreu eu tinha 8.
Quase não andava mais e a casa era escura, mas lembro dos olhos dela cobertos pela camada branca da idade.
Ela tinha um companheiro, mas não era meu trisavô. Esse morreu eu nem sei quando, nem o nome dele eu nunca soube.
Assim parece ser a saga dos homens de minha família. Morrem antes.
São em menos quantidade.
Já a história da minha bisavó, Arlinda, sei mais ou menos. Mas não conheci meu bisavô.
Minha bisavó teve mais de 15 filhos. Criou todos a base do cipó e com muita dificuldade. Trabalhando na roça, sol a sol e lavando roupa no rio.
Sei com quase certeza que 4 desse tanto de filho foram, ou são, homens. São, não. É. Acho que só um é vivo. Tio Dema.
O resto, tudo mulher. Tantos nomes que eu nem sei. Tia Nalva, tia Judith, tia Ceci, tia Rai, tia Lourdes, tia Maria, tia mãe da Glícia, que esqueci o nome... Tudo viva.
E, claro, minha avó, Valdete.
Dessa eu sei história paa postar nesse blog o ano todo.
Alegria é sentar na cabiceira da cama da avó e se envolver na prosa nostálgica sobre aquele "tempo que era muito diferente".
Minha avó casou muito moça com meu avó, João Fernandes.
Eles dois tiveram 7 filhos. Ivane, Ivanildo, Ivaneide, Ivanete, Ivanilson, Ivanilze e Ivete.
A maioria, mulher.
E não foi muito diferente a criação da minha avó para a criação de meus tios
"Sofrida, minha filha".
A metade "dos meninos" estudavam pela manhã e a outra a tarde, para revesar os sapatos.
Estudavam em um turno e trabalhavam na roça no outro.
Tinham uma só bicicleta para os 7 e faziam guerra com os restos impróprios para comer da carne escassa que minha avó cozinhava com muito esmero. Era a "Guerra de Pelanca".
Mas aproveitaram a infância. Com a rigidez do Seu João Fernandes e o bondade da Dona Valdete. Que as vezes também distribuia palmadas nos filhos com as penas negras cinzentas.
Minha bisavó e meu avô morreram em 2003.
Minha mãe, cansada da vida de sempre sem futuro do interiorzão da Bahia e das opressões do meu avô, no ínicio dos anos 80 arrumou a mala e foi pra São Paulo.
Herdou a coragem e a garra de minha trisavó, bisavó e avó.
Entre a casa de um e de outro. Entre os empregos e humilhações por ser negra, pobre e baiana.
Entre infinitos almoços com apenas ovos, ela superou tudo com muito charme.
Até que um dia conheceu um palmeirense branquelo com cara de moleque, muito bonito.
Eduardo, o nome dele. Eles casaram e tiveram uma filha.
Mas se separam um ano depois e ela criou a filha quase sozinha com a irmã Nilze e a avó Valdete, todo mundo já tinha ido pra São Paulo, todo mundo trabalhando.
Depois de oito anos e já estabilizada, ela tem outra filha. Paula.
Quem cuidava de Paulinha era a filha mais velha, que aprendeu cedo a se virar sozinha e herdou a auto-suficiência feminina das outras gerações.
Mas Paulinha tinha uma doença respiratória e não tinha um pai presente.
E o médico deu um ano, no máximo, de vida para Paulinha.
Ivane largou a vida estabilizada e, depois de 13 anos na cidade grande voltou para Bahia, para uma vida mais saudável.
Hoje, Ivane, Valdete e Paulinha moram juntas a poucos quilometros da filha mais velha de Ivane.
Filha mais velha que morre de saudade e de orgulho de carregar o mesmo sangue de mulheres como essas e que espera estar traçando, com a mesma dignidade, um caminho marcado também pela coragem e pelo amor.

Michele Carlos.
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Feliz Semana da Mulher para as mulheres de minha família.

22:21

A "sereia menina" branca dos cabelos castanhos avermelhados
boiando no rio
Pálida, com o dedal de prata preso em um dos dedos de tantos outros enrugados
Nem as págimas finais do livro.
Nem o pacote de biscoito de chocolate com seis biscoitos e meio
Nem a tristeza de estar sozinha em casa com quatro quartos vazios que nunca deveriam ficar sem o som alto das risadas coloridas
Nem a voz de Lenine
Nem Fargo e a atrativa frase: "Uma comédia de erros"
Nem o bolo de abacaxi de saquinho assando no forno
Nem as costas doendo da péssima dormida da noite anterior no sofá verde-cana
Só a ressaca das palavras lidas
Só sono.
E um bolo no forno.

quarta-feira, março 07, 2007

De volta para o futuro

Todo mundo já parou pra imaginar nas atitudes e decisões que tomou no passado e como seria no presente se tivesse tomado aquele outro rumo.

Esse foi o “tema” do meu inacabável sonho, que somente era interrompido pelas tremedeiras estranhas conseqüente dos sustos pelos acontecimentos virtuais e pela voz da minha amiga Larissa: “você ta bem?”.

Não sei o que aconteceu no presente do sonho, que eu queria voltar no passado e consertar alguns erros para evitar o indesejável. No estilo fiel Corra Lola Corra, fui retrocedendo minha vida aos poucos e foi passando um filme dos melhores e piores momentos da minha vida. Monografia, formatura, relacionamentos quebrados, lágrimas, traições, brigas, prazeres, despedidas, conquistas, demissões, admissões e um mundo de sentimentos estranhos, mas reais preencheram a noite sem fim.

Os acontecimentos ora eram de verdade, ora eram viagens surreais inimagináveis com mistura de personagens de cada fase da minha vida.
A agonia era que a cada momento que eu voltava eu percebia que teria que voltar mais um pouco. Que tudo na minha vida decorria de uma origem muito mais longínqua. E tentava fazer as coisas de modo diferente, mas percebia que de um jeito ou de outro, o final seria o mesmo. Como aquela história de que o destino ninguém engana. Nem sei como terminou, se terminou, na verdade nem lembro de muita coisa. O que lembro bem era do alívio de não ter que fazer outra monografia, porque era só pegar a do futuro, que já tava pronto.
Acordei com: “Mi, você ta tremendo a noite toda!”

Acordei com aquela sensação de que cada passo dado na vida é extraordinariamente responsável pelos próximos passos. Nada de novo. Mas acordar com essa impressão foi novo pra mim. E agora fico o dia inteiro achando que assisti a um filme da minha própria vida. Um filme como o Violação de Privacidade, com uma edição estilo Efeito Borboleta, narrativa 21 gramas, suspense e mistério a la Donnie Darko, com a fidelidade de Cidade Baixa, embalado pela ressaca da Casa do Lago, que vi ontem a noite.

Preciso de duas coisas: parar de ver filmes todos os dias ou parar de me prender ao passado.