segunda-feira, dezembro 22, 2008

domingo, dezembro 21, 2008

Friday Night Lights




Mais uma série entra pra minha lista, e "de com força".

Para começar a ver Friday Night Lights tem que se livrar de alguns preconceitos.
Digo isso porque a série se passa no Texas e tem em foco um time de futebol americano estudantil. Então é cheio do que há de mais tradicional da família estado unidense do interior, de cheerleaders, da paixão pelo esporte...
Também quem assiste FNL esperando somente pelo piegas, pelos personagens pejorativamente estereotipados e para se emocionar ou rir por qualquer coisa, pode tirar o cavalinho da chuva.

Os dramas são intensos por si só, mas são encaixados de forma muito natural. Os clichês são trabalhados com muita sensibilidade. Por isso, ao mesmo tempo em que a série é cheia de grandes momentos a cada episódio, não existe apelação para que uma história se sobressaia em detrimento de outra. Cada uma tem seu tempo, mesmo interligadas e fazendo parte de um único cenário, a cidade Dillon, que por si só, pelas suas características explicitadas, simboliza todos os problemas colocados em FNL.

O time de futebol é o Dillon Panthers, o orgulho dos seus conterrâneos, e o que eu acho interessante é o recorte feito da cidade, como se os jogos simplificassem o que ela representa. O campo é um termômetro individual para cada um dos protagonistas (sendo eles jogadores ou não) que crescem gradativamente a cada episódio. Os personagens são tão ricos de formas distintas, e ainda que seus sentimentos sejam expostos eles guardam um mistério intrigante, algo que se esconde graças a interpretação fascinante dos atores, que deixa aquela sensação de que se conhece a pessoa muito bem, mas não sabe o que esperar dela.

Ah sim, a série é, a todo o momento, filmada com a câmera em movimento, na mão, dando a sensação de vulnerabilidade, imprevisibilidade e tensão, o que ajuda para que os mais de 40 minutos de cada episódio sejam uma delícia.

Talvez meu julgamento esteja totalmente afetado pelo calor do momento. E no Texas, meu amigo, faz muito, muito calor...
(o legal é que dá pra tentar entender o futebol americano, hehe)

“Clear eyes, full hearts, Can’t Lose! Go Panthers!”
rs

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A s X 7 O p 3

O Finder comentou que está tendo dificuldades para ler meu blog por conta das cores do fundo e texto.

Segundo ele,
"quando alterno entre sua página e qualquer outra, meus olhos pedem menos,
cansam mesmo, eu vejo um monte de linhas brancas flutuando no monitor".

Sei que a leitura no fundo preto é mais cansativa mesmo, uma questão biológica. Mas quero saber se mais alguém está incomodado ou tem as mesmas sensações.

Coloque sua opinião nos "comentários" pra eu tomar a devida providência. Afinal, o blog não é feito só por quem escreve, mas também por quem participa.

Não quero futuros problemas na visão dos "meus leitores". hehe

Beijo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Controvérsia

Leo (Jackson Antunes) passou a novela A Favorita quase toda batendo e maltratando em Catarina (Lilian Cabral) e na filha do casal. As duas sofreram durante a vida inteira com a rudeza do homem que simboliza, na trama, o presente machismo da nossa sociedade.


Todos os dramas das novelas da Globo trazem um tema social a fim de polemizá-lo.
A justificativa de levantar a discussão sobre o assunto recebe o nome de responsabilidade social. Seria mesmo responsabilidade se esta fosse feita com compromisso e continuidade.
O termo responsabilidade social neste caso é sinônimo de audiência, especialmente no caso das novelas. Para conquistar a empatia do público que após ser fisgado pela história corre para chegar em casa e não perder nenhum capítulo, a trama deve ser exacerbada, potencializada, levada ao extremo para comoção total.
Por isso, a seqüência da história da família de Léo e Catarina é preenchida de acontecimentos cada vez mais trágicos e absurdos, fazendo com que o telespectador tenha cada vez mais ódio do homem e simpatia pela mulher, na qual gradativamente vai tomando coragem para desafiá-lo.
Simplificando, a mulher não pode aceitar este tipo de comportamento que ainda sobrevive em muitas famílias e deve acreditar no seu potencial que foi anulado pelo machismo do marido.

No entanto, eu poderia agora enumerar tantos outros preconceitos e superstições nas entrelinhas do discurso de A Favorita, lançando uma controvérsia na qual poucos ficam atentos.
Mas, foi em Malhação, a eterna novela teen, que um diálogo entre duas protagonistas me fez pensar sobre o assunto, já que há influencia direta na formação dos adolescentes. Não sei o nome das personagens e pouco conheço o contexto desta temporada, mas o fato é que duas garotas conversavam sobre o pé na bunda que uma delas tinha tomado de um namorado por ter “falhado” com ele. Pelo o que entendi, ela gostava de ficar com vários meninos e um dos “ficantes” quando a “coisa” ficou mais séria, tinha vergonha de aparecer ao lado dela em público. A amiga dispensada fala para outra algo semelhante: ...pois eu vou mudar e quero ver se ele não vai querer andar comigo e me exibir pros amigos dele...



O troféu - a personagem Felipa.



O pensamento de que a mulher em algum momento serve de troféu para o homem é tão machista quanto o da agressão. Em ambos os casos as fêmeas continuam como uma espécie de propriedade dos machos.

Essas são as pequenas coisas, intensificadas todos os dias, que dão continuidade ao machismo, ou em outros casos ao femismo, que é o machismo ao contrário, tão condenável quanto.


O preconceito e o machismo só mudam de formato, vão se adaptando ao tempo em que vivemos. Hoje já é absurdo homem agredir mulher (aliás, agressões nas novelas só são atos condenáveis se quem agride é “do mal” e o agredido é do bem, porque no caso contrário é vingança merecida).

É claro que só citei aqui dois exemplos, mas considero o suficiente para ilustrar o texto. Pode-se fazer essas observações todos os dias em novelas, em outros programas e na publicidade.

As novelas se transformaram na institucionalização dos comportamentos da nossa sociedade, assim como nossa sociedade tem como espelho as tramas globais. O ideal seria que pelo menos a maioria das pessoas pensasse sobre isso e lançasse olhares mais críticos e atentos.
Mas isso não vai mudar, é a lei selvagem da indústria cultural.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Por favor, eu peço que por gentileza não me rotule.
Não tente me encaixar em grupos, biotipos ou categorias.
Não que eu me sinta tão superior a ponto de achar que não pareço com ninguém.
Mas é que também não sou, por natureza, como a maioria.
E não me esforço muito pra isso.
Nasci para ser igual aos outros em formas inexatas.
E sinto que devo me preservar assim, fugindo do ordinário, do suficiente, do usual.
Detesto ser somente ou sempre comum.
Por isso sou insatisfeita, buscando pequenas e grandes satisfações todos os dias.
Não quero que minha essência apague em meio a tanta mediocridade.

Alanis no FV



Tudo bem que o Festival de Verão se caracteriza pela eclética grade de programação.
Mas daí a colocar Alanis entre Victor e Leo e Psirico... chega a doer.
clique na foto para ampliar.

domingo, dezembro 14, 2008

ano 3

Hoje faz exatamente dois anos da criação deste blog. Não obstante, é meu aniversário de 26 anos. Vinte e poucos anos poderia se transformar em vinte e tantos anos, já que agora estou mais perto dos 30 do que dos áureos 20. Não gostaria de pensar desta forma, mas é inevitável. Tem vezes que me sinto tão jovem, em outras me sinto mais envelhecida do que o permitido pra idade. Gostaria agora de fugir dos clássicos e clichês de postagens de aniversário, mas não tem como escapar do velho “neste momento um filme do que eu fiz dos meus 25 anos passa pela minha cabeça”. Lido com meu aniversário de uma maneira um pouco diferente das pessoas que conheço. Tem gente que não suporta o fato de lembrar-se e ser lembrado da idade, de receber parabéns, de ser o centro das atenções ou simplesmente desdenham da data: “pra mim é um dia normal”.

Eu uso o 14 de dezembro para pensar. Sobre o que? Eu não sei. Sobre minha família, meus amigos, minha profissão, meu trabalho, meu caráter, minha dignidade, minha casa, minha conduta, meu passado, meu futuro, minhas conquistas e meus fracassos... Sobre a vida, o mundo. Pensar em tudo, sobre quem fui, quem sou e quem gostaria de ser. Na verdade é uma condensação do que penso às vezes, todos os dias, em algum momento, em qualquer lugar, mas que ganham peso quando me dou conta do tempo passando, que é exatamente no dia do meu aniversário.

Pensei tanto que do nó que se fez em 2006 criei este blog, com o nome sugestivo, título da música de Fábio Junior. Pensei tanto que achava que isto somente não bastava. Eu precisava falar, falar, falar... e achei, com sucesso, que escrever, escrever, escrever sanasse um pouco o problema.

Na música Vinte e Poucos Anos, quem canta se sente autossuficiente, independente, decidido e corajoso. “Você já sabe e me conhece muito bem, eu sou capaz de ir e vou muito mais além”. Estado de “espírito” e desejo de provar que eu poderia muito bem cantar esta música, que ela se encaixava em mim. Por isso, fiquei com medo de transformar este espaço num diário com as mesmas características daquele que eu tinha com 14 anos. E durante este tempo fiz isso algumas vezes, mas falar da minha intimidade começou a ser perigoso e me dei conta de que não era isso que eu precisava de verdade.

O Vinte e Poucos Anos nunca foi nada muito definido, solidificado e atualizado com certa periodicidade, pelo mesmo motivo nunca foi muito popular. Já até tentei fazê-lo utilizando alguns recursos, mas no outro dia achava inútil e deixava pra lá. Quem vem e volta é porque de alguma coisa gostou e na maioria das vezes isso bastou (a gente sempre quer “ser lido”, com intenções diferentes, mas sempre quer ter atenção, é intrínseco do ser humano, tendo blogs ou não).
Aqui fiz “ensaios” de críticas de filmes, livros, música, falei muito bem, falei muito mal, escrevi contos, histórias emocionantes e engraçadas (pra mim, pelo menos), reproduzi textos, falei dos meus sentimentos, dos sentimentos dos outros, fiz mil e uma declarações de amor, amizade e de ódio e quase nunca fiz questão de agradar ninguém. Então, embora nem sempre eu tenha falado diretamente sobre mim, a característica de cada momento deste blog acompanhou uma fase minha, que muda com a mesma freqüência que mudo de layout, tentando a todo minuto colocar um pouquinho de tantas partes que juntas constroem meu eu, ou que eu acredito que seja meu eu. Acreditem, não querendo subestimar que você que está lendo já não saiba disso: conhecer a si próprio é muito mais difícil do que se imagina. Neste sentido, o Vinte e Poucos Anos facilita isso pra mim às vezes. Lendo as coisas do passado, posso parar para refletir sobre o que aquilo representava na época, o que representa agora, o que mudou e não. Alguns textos eu odeio, outros amo. E por isso vou continuar a fazê-los e considerá-los, mesmo aqueles compostos por uma só frase, parte dos meus vinte e poucos anos.

O que eu não quero é chegar aqui aos 29 anos, ler o que escrevi e me dar conta de que eu sou a mesma pessoa que era aos 24. Ao mesmo tempo em que quero reler tudo e tentar resgatar algo de bom que a seleção natural do tempo na memória me fez esquecer. Eis a importância de todo registro. Por isso, meus vinte e poucos anos continuarão sendo documentados e aprovados ou rejeitados por quem ler. Essa é a graça de escrever, essa é a graça de comemorar. Essa está sendo a graça de fazer 26 anos.

Obrigada a todos que entraram aqui, que “me leram” e que deixaram recados (são três categorias distintas, rs). Avante para o ano 3 do Vinte e Poucos Anos.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Em construção para post de aniversário.

terça-feira, dezembro 02, 2008

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Pouco tempo, muitas séries

Invejando o cinefilia.com, vou atualizar aqui as séries de TV que vejo hoje, assim como as que estão no purgatório e as que joguei pro limbo eterno.

Vou começar pelas que estou vendo agora e não tenho pretensões de parar. A maioria são de comédia (aquelas comédias que têm como critério obrigatório piadas inteligentes pelo menos durante 70% do tempo dos episódios).

Vou classicá-las com estrelas (ha, que original), sendo 1 estrela a pior classificação e 5 a melhor (senhor, precisa explicar isso?!). A nota, no entanto, representa o que eu acho da série na temporada em que estou assistindo.

Coloquei um resumo aqui, pra quem não conhece. Queria eu mesma ter escrito, mas... no time for it.

Chuck

a mais recente na lista. comecei a ver na semana passada e estamos vendo a segunda temporada num vício doido. Não é fantástica, mas prende pela expectativa.

Conta a vida de Chuck, que após receber um email com segredos criptografados em forma de imagens de um agente duplo da CIA, tem sua vida mudada radical e forçadamente.

Nota: 4

The Office



acompanhando a quinta temporada. Nada comparado às duas maravilhosas temporadas, mas ainda muito divertida.

"Aborda a dolorosa e divertida convivência nos cubículos da Dunder Mifflin, uma empresa fornecedora de papéis, em Scrancton, Pensilvânia. Com um entusiasmo inabalável, Michael Scott (o chefe) acredita que é o cara mais engraçado do escritório e é a fonte da sabedoria dos negócios. Sem saber como ele é visto por seus funcionários, Michael acaba sempre alternando decisões absurdas ou patéticas, mas sempre hilárias."


Nota: 5

Thats 70's Show



Terminou em 2005, e vejo aos poucos, de forma bem lenta, a segunda tenporada.

Conta a história de seis jovens que vivem na cidade fictícia de Point Place, subúrbio em Wisconsin, durante a década de 70.
A história se inicia em meados de 1976, e relata o dia-a-dia de um grupo de adolescentes (na faixa dos 17 anos. Sem ter muito o que fazer, sua rotina se resume a se reunir no porão da casa de Eric para papear, fazer festas, planejar algo, namorar, e usar maconha.



O engraçado como é retratado o modo de vida estado-unidense nos anos 70 e tem um leve sarcasmo quando fala sobre patriotismo.

Nota: 3

My name is Earl



está na terceira temporada, e eu ainda na segunda.

"Earl Hickey vive de pequenos furtos, que após ganhar 100 mil na loteria, perde o bilhete ao ser atropelado por um carro. No hospital, Earl vê um programa sobre o tema era karma. Com o objetivo de mudar sua vida, Earl decide fazer uma lista contendo todas as coisas ruins que já fez em sua vida até aquele ponto e "repará-las", uma por uma. Assim, Earl acredita que seu karma será também reparado e coisas ruins irão parar de acontecer a ele. Enquanto faz o primeiro item da lista, que é limpar lixo da rua, Earl acha o seu bilhete premiado."

Cada episódio é um ou mais "reparo" que ele corre atrás pra fazer.

Nota: 3

How I met your mother



Está na quarta temporada, eu vejo a primeira, ainda...

A série gira em torno da vida de Ted Mosby, que é narrada pelo o próprio 25 anos mais tarde aos seus filhos. Ted do futuro conta então aos filhos as histórias e peripécias que levaram-no a conhecer a sua mãe.

Nota: 3

The Big Bang Theory



Acompanhando a segunda temporada

"conta a história de Leonard e Sheldon, dois gênios em física que conhecem fórmulas indecifráveis. Mas nada dessa inteligência os ajuda a interagir com as pessoas, principalmente as mulheres. Só que tudo muda quando chega uma nova vizinha"


Nota: 5

Californication



Acompanhando a segunda tenporada.
Californication conta a história de um escritor com apenas um livro de sucesso e em crise de inspiração, ao qual trafega em uma sinuosa jornada de álcool, vícios e mulheres, mas que almeja, ao mesmo tempo e sobretudo, restabelecer a antiga relação amorosa com sua ex-companheira, com a qual tem uma filha pré-adolescente.
Nota: 4
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Esperando voltar de férias, os três dramas:
Damages (Nota: 5)
In Treatment (Nota: 5)
Lost (Nota: 3)
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No purgatório (não sei se volto a ver, talvez, quem sabe...)
True Blood
Two and a half man
Greys Anatomy
Nip/ Tuck
Desperate Housewives
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Pro limbo eterno:
Heroes
Pushing Daisies
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A melhor do ano:
Família Soprano (numa escala de 1 a 5, nota 10).

sexta-feira, novembro 28, 2008

Esse não é mais um texto sobre deus

Uma vez eu questionei a história dos Três Reis Magos. Na verdade, nem era exatamente algo para ser polêmico, só queria saber quem eram, porque eram tão importantes, curiosidade mesmo... e o que a Bíblia dizia sobre o assunto. Convenhamos que três reis magos sendo guiados por uma estrela guia para presentear o menino Jesus é algo que incita a curiosidade para saber pelo menos quem enviou estes caras pro local da manjedoura. E depois assim, saber se dá pra engolir a história ou não.

Me chamaram de herege, ou melhor, insinuaram isso de forma abstrata, porque acusar o outro de heresia é um insulto da maior gravidade, unacceptable. Mas se dão o nome de heresia ao fato de eu parar para pensar que talvez haja muito mais por trás de toda essa “verdade”, que me chamem de herege então. Fé independe de religião, e fé não pode ser sinônimo de ignorância.

Falando em ignorância, é sobre algo semelhante que vim contar agora.

No dia dos meus questionamentos sobre os Três Reis Magos, uma amiga lembrou de uma história que “nãoseiquem” tinha contato na faculdade no dia anterior (mensagem abstrata para esfregar na cara minha suposta heresia).

Ele contou que um avião só com ateus entrou em pane e caiu. Quando foram verificar a caixa preta, a última frase captada foi: “Ai, meu Deus”.

Eu achei a história de uma pobreza secular, mas fiquei na minha. Nem vou entrar no mérito de que “Ai, meu deus” é muito mais uma expressão de força do que um chamado, porque não foi nesse sentido que “nãoseiquem” contou o caso

Fiquei pensando: na hora da aflição chama-se por Deus, certo? Ele é bom, piedoso e sabe de todas as coisas muito antes de acontecer. Ele sabia que aquele avião ia cair, mas deixou que acontecesse, mesmo que os aflitos passageiros, desesperados gritassem por seu nome (a história é ilustrativa, mas mesmo assim merece a reflexão). O avião caiu, todo mundo morreu e fim de papo. Para quem ficou vivo deixa-se a mensagem: “essa coisa de ateu é papo furado, no fundo a pessoa acredita tanto que pede a ajuda de deus nos piores momentos” ou “nunca duvide de deus porque um dia você pode precisar dele”. Minha primeira reação foi: e precisa derrubar um avião com pessoas para passar essa mensagem!?

Quando se está na mesa de um bar e se conta uma piada muito engraçada usando a tragédia é uma coisa, mas fazer uma espécie de pregação séria “matando” pessoas pra falar da existência de Deus? É disso que estou falando.

Depois inverti a situação na minha cabeça. Um avião cheio de pessoas que dedicaram sua vida a servir ao Senhor cai, todo mundo morre. Ou mesmo um avião com pessoas de variadas crenças, um desses que caem vez em quando. Na caixa preta a mesma coisa: “Ai meu deus”. E ai, agora? Agora foi Deus que quis assim, ele sabe o que faz, não é? E onde entra a piedade, a hora de provar o amor que lhe foi dedicado por toda vida. Se for pensar sobre a mesma ótica do “nãoseiquem”, nessa situação em que se prova algo no âmbito da existência de uma figura divina num acidente de avião, esse deus seria muito mal agradecido e injusto.

Esse não é mais um texto sobre deus. Não estou aqui discutindo se ele existe ou não, o que é certo ou errado e toda essa polêmica. Estou falando dos recursos utilizados para se provar algo, algo que quem não acredita ou tem seus questionamentos merece entrar num avião fadado a uma tragédia fatídica. Estou falando das besteiras que saem da boca das pessoas abitoladas pelas igrejas, pela conveniência de se acreditar em tudo isso porque é mais fácil do que olhar para dentro de si ou mais prático do que pesquisar, do que ser atrevido e questionar.

Pensar como “nãoseiquem” é humanamente inaceitável, é desejar e utilizar do mal, não tem nada a ver com religião, fé, deus, diabo, três reis magos ou qualquer outra coisa. É maldade pura. E pelo o que eu sei maldade não é coisa de deus. É?

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os melhores comerciais de 2008 que eu lembro agora

Fiz uma seleção de alguns comerciais de TV deste ano, os que mais me prenderam em frente à TV. Tem gente que aproveita os intervalos para ir ao banheiro, beber água e etc... Meu percurso é ao contrário, corro para ver até onde pode ir a criatividade de quem sobrevive explorando nossas carências, sentimentos, necessidades...
Mesmo sabendo como acontece o processo de produção de um comercial e quase calejada deste mercado que tem como prioridade vender, conceitos ou produtos, eu choro, eu rio, me arrepio e sou capaz de ver mil vezes o mesmo comercial, porque realmente é de se admirar a sensibilidade, inteligência e percepção destas pessoas.

É claro que estou esquecendo de alguns, mas vai os que eu lembro agora.


Bradesco
Banco do Planeta




Claro
Kind of Magic



Este é de 2007, mas passou bastante este ano.

Gol Linhas Aéras
A largata cria asas e voa




Skol
Motorista da Rodada




WWF
Money

Este na verdade é de 2007, mas passou bastante no inicio do ano.




Peugeot
307 Sedan




Nobel
Casar





Nextel
Campanha Bem vindo ao Clube






São vários na verdade, escolhi esses dois.




Serviço de Captação de órgãos e Santa Casa de São Paulo
Doação de Órgãos - Cachorro



Este eu vi pela primeira vez ontem.

terça-feira, novembro 18, 2008

Uma sociedade em alerta

Já aconteceu de num filme você já ter visto, logo no início, os rostos do mocinho e do ladrão e ainda nas primeiras sequências não reconhecer fisicamente quem é quem? Se você respondeu que “sim, sim”, ou os arquiinimigos protagonistas eram gêmeos ou era um filme oriental. Segunda opção para moi aqui.

Sem rotular: como é difícil reconhecê-los quando estão todos juntos. Seria mais uma limitação de nós ocidentais ou eles realmente são uns as caras dos outros?

No entanto, o filme chinês Breaking News (2004), com o subtítulo em português “Uma cidade em alerta”, do diretor Johnnie To Kei-fung, tem muito mais coisas interessantes a serem citadas neste blog do que somente a semelhança entre os atores a ponto de me confundir ou a distinta sensação de ouvir durante uma hora e meia uma língua estranha aos meus ouvidos, o cantonês.

Pela frase na capa do DVD já dá para se familiarizar com o tema de Breaking News: “uma rede de TV transmite ao Vivo uma perseguição que deixa toda uma cidade em alerta”.

É mais ou menos assim: uma gangue de ladrões está abalando a tranqüilidade das ruas de Hong Kong. Numa destas ações, a polícia resolve agir, mas a performance dos policias é vergonhosa e eles são humilhados pelos bandidos que demonstram muito mais preparo para a situação. Tudo isso, num tiroteio intenso no meio da rua, com centenas de fotógrafos e cobertura ao vivo dos canais de televisão. Orgulho ferido, a polícia resolve se vingar. É, se vingar. O que era uma caçada contra a criminalidade vira a caçada para resgatar a moral da polícia e reafirmar quem manda no pedaço.

O esconderijo dos bandidos em um prédio é descoberto e a jovem inspectora Rebecca lidera a grandiosa operação com milhares de policias, cada um com uma mini câmera à bordo, e com a convocação de toda mídia ao local. O show estava montado e toda tecnologia estava a favor da transmissão do espetáculo: câmeras fotografias, de vídeo, celulares, walkie talkies, computadores com web cans da casa de reféns...

O filme deixa bem explicita a normalidade em que a manipulação vai sendo construída, tudo para trazer de volta a confiança das pessoas e reverter a tão aclamada opinião pública. Entrevistas com as vítimas do conflito anterior, com parentes destas vítimas, imagens dramáticas em câmera lenta, música de fundo, todos os detalhes eram pensados pela equipe de Rebecca. A segurança de ninguém estava em jogo, é claro que nenhum refém poderia sair ferido, pois comprovaria mais uma vez a incompetência da polícia, mas em nenhum momento pareceu prioridade para inspetora dar um basta na situação o mais rápido possível, sem antes fazer daquilo um grande show.

Lá dentro do prédio, os bandidos também fazem seu show midiático e a trama se desenrola no jogo entre polícia, imprensa e ladrões, a disputa de quem dá mais audiência.

Breaking News traz o tema à tona com muita naturalidade, o que já vejo ai uma crítica à aceitação por parte de todos nós em situações semelhantes na “vida real”. Até zomba um pouco da maneira ridícula como estas coisas acontecem sem ninguém fazer nada.

Breaking News não perde tempo com efeitos mirabolantes, embora seja um filme de ação, e nem com diálogos com frases de efeito moral, embora deixe um espaço para reflexão sobre o assunto. Não sei, nem ao menos, se ele foi feito para refletir ou para esfregar na cara de todo mundo a verdadeira preocupação da polícia, a duvidosa ética da imprensa e o abestalhamento crescente dos telespectadores. Quanto aos bandidos, estes estão cada vez mais entendidos sobre o funcionamento das coisas e exploram isto ao máximo.

Há uma inversão, ou um tumulto evidente, nos valores da sociedade contemporânea, de Hong Kong ou de qualquer parte do mundo. Um mundo onde quem é pra defender, ataca, quem é para esclarecer, esconde, quem é para educar, manipula e quem é para viver, morre.

domingo, novembro 16, 2008

1 de janeiro

No meio de novembro, uma frase recebe destaque nos diálogos da maioria dos seres mortais que habitam essa terrademeudeus. Pode obsevar a quantidade de "como o tempo passa rápido!" que são soltos pelas bocas de pessoas desatentas que nem viram o tempo passar.Mas o tempo passou, e olha só, já estamos em novembro! Daqui a pouco é dezembro, é Natal, Ano Novo... 2009.... e "eu não fiz nada".

É quando começam a surgir as listas. Todo mundo faz uma, mesmo que não escreva, organiza no pensamento objetivos para o ano que se inicia. Como se na virada de ano, tudo mudasse. Mas nada muda de fato. O que acontece é que acreditamos que muda. E talvez seja o suficiente, nada melhor do que a força do pensamento. Só que muitas dessas coisas ficam só lá no universo impalpável do pensamento. Isto porque sempre estamos esperando por algo, algo que achamos que não depende de nós. Como no caso da virada do ano, esperamos o tempo passar. Aquele tempo que insistimos em dizer que passou rápido, porque sempre vivemos pro o outro tempo, o tempo do futuro.

Eu ia deixar pra falar isso em dezembro, mas decidi não esperar. Porque gostaria de começar a pensar que cada dia que passa equivale a um ano. Todo dia quando eu dormir quero pensar que aquilo ali é uma virada pra tudo que eu gostaria de mudar, de fazer. E todo dia será uma oportunidade de aproveitar o tempo naquilo que ele tem de melhor, seu próprio tempo. O tempo não passa rápido, ele passa no tempo certo, a gente que não se dá o tempo de perceber e aproveitar. Todas as datas do calendário, de todas as semanas e meses, serão dia 1 de janeiro.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Meme

Eu adoro ser lembrada, por isso faço questão de expor quando isto acontece.

Recebi meu primeiro meme do blog http://facoomelhorquesoucapaz.blogspot.com/
(Preciso saber seu nome!!!)

Funciona assim: escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir pra terra dos pés juntos;- Convidar 8 blogueiros amigos para responder também;- Comentar no blog de quem nos convidou;- Comentar nos blogs dos nossos convidados para que saibam da "convocação";- Mencionar as regras.


- Conquistar o equilibrio sobre mim mesma
- Não ter chefe (ter minha própria empresa de Comunicação de acordo os principios que acredito)
- Fundar uma ONG
- Falar francês
- Tocar violão decentemente
- Ter uma casa e decorá-la a nossa cara (nosso ninho de amor!!)
- Conhecer a Europa (inteira!)
- Fazer uma exposição de fotografias minhas.

Passo para:
Aline
Carolina
Caroll
Lucio
Mans
Tina
Jarbas
Emi

Errata

No post sobre O Rappa eu dei os créditos da música Suplica Cearense à Luiz Gonzaga. Portanto, recebi um comentário do neto do verdadeiro autor da música, sendo Gonzaga só o interprete.

Errei, não apurei o fato.

Foi mal.



terça-feira, novembro 11, 2008

Boa noite, Boa tarde, Bom dia, Boa sorte.

Fátima Bernardes, séria, diz:

- E a seguir uma notícia reveladora.

Willian Bonner, sorrindo, diz:

- Você vai conhecero o pior time do Brasil!

Eu penso: uau! Era o tempo em que o Q de Qualidade da Globo no jornalismo garantia, pelo menos, que cada telejornal fosse produzido especialmente para um tipo de telespectador.

Hoje o Bom dia Brasil é igual ao Jornal Hoje, que é igual ao Jornal Nacional, que é igual ao Jornal da Globo. Tudo se repete no Globo Repóter, no Globo Esporte, no Esporte Espetacular e no Profissão Repórter. Tudo se resume no Fantástico.

Os telejornais e os programas em formato de revista locais são mais doídos: congelados, sem criatividade e tão preocupados em seguir as regras que não prezam por um mínimo de conteúdo com Q de Quero mais. Começam e terminam enfadonhos.

O problema é que o padrão do jornalismo padronizou demais.

Alguém já havia profetizado: "agora todas coisas que eu vejo me parecem iguais".

segunda-feira, novembro 10, 2008

Muro

Entro e vejo rostos de sofrimento, chinelos, senhoras e crianças, apelos para atendimento em pelo menos duas horas e paredes descascando. Depois de uma fila confusa, num calor sufocante, consegui chegar à recepcionista que nem parecia estar ali de verdade. Tonta com tantas vozes, com suores, um coque descabelado e uma vontade explicita de sair dali correndo.
- Boa tarde, eu tenho uma consulta marcada com a Dra Vivian...
- É plano de saúde?
- Sim, sim
- Você vai sair daqui, dar a volta, é na outra porta.

Abro a outra porta, ar condicionado, TV grande, cadeiras confortáveis para espera, sem fila e recepcionistas de uniforme, água, café e sorrisos pra todos os lados.

- Boa tarde...
- Boa tarde!
- Eu tenho um consulta com a Dra Vivian..
- O cartão do seu plano, por favor.
- Aqui. Me diz uma coisa, aqui é só pra quem tem plano, é?
- É, e particular,
- E lá?
- SUS...
- Hum

(...)

- Eu vou demorar a ser atendida.
- Não. A médica vai te chamar agora.

Não é novidade este tipo de situação, mas não deixa de doer ver dois mundos tão diferentes em um mundo só. Quem conta com assistência da saúde pública sofre, é humilhado por filas, médicos que demoram a chegar, mal humorados e não pode desfrutar do mínimo de conforto e tratamento humano.

Quem espera pouco no ar-condicionado vive num mundo a parte. Fecha os olhos pro outro lado e agradece com um orgulho questionável por ter condições de ter um plano de saúde. Ou nem isso, apenas despreza os outros.

Quem espera a tarde toda no calor e com um ventilador empoeirado na cara, lamenta a falta de sorte, de condições financeiras ou balbucia em voz baixa que paga impostos para ter direito à saúde. Ou nem isso, apenas aceita a situação.

Eu não consigo me orgulhar, desprezar, lamentar, aceitar. Mas também não sei o que fazer.

Saí depois da minha consulta, olhando pessoas que do outro lado ainda esperavam ser atendidas pela recepcionista. De mãos atadas, que a gente mesmo passa o laço.