terça-feira, março 11, 2008

Brincando de Cordas

Vitória da Conquista é uma cidade que respira música. Isto não se pode negar pelo número de bandas que vez em quando expõem suas imagens na Medina do cenário musical conquistense. Ou até mesmo pela quantidade de matérias que já foram escritas nesse site sobre shows de artistas locais e sobre a diversidade de bandas da Terrinha, sempre mencionada artisticamente mais como a Terra de Glauber, do cinema. Bandas de todos os tipos, pra todos os gostos, dessemelhantes, mas com algo em comum: absolutamente jovens, em sua maioria. E não só jovens no quesito idade, são espiritualmente jovens, incontestavelmente jovens, absolutamente jovens. Daquela juventude que te faz querer levantar do banquinho decadente do nosso Centro de Cultura para cantar, dançar e aplaudir. Jovens, mesmo quando o repertório é deveras remoto.

É esse o caso do Brincando de Cordas, trazendo à tona o chorinho. Não gosto de adjetivar muito, mas nesse caso não tenho saída: do impressionante e maravilhoso Brincando de Cordas, dispensando meu habitual exagero.

Na semana passada foi o lançamento do CD dessa banda que conheci há quase dois anos atrás, ainda como iniciantes. Antes de começar a apresentação, me arrepiei só de ver o Centro de Cultura lotado, de rostos conhecidos e de gente nova, de todas as idades. Quando as cortinas abriram, um segundo arrepio: uma produção de palco simples, mas extremamente adequada e de bom gosto, “um cenário de novela das seis”, como diria a vocalista. Falando nela, que doçura de menina, essa Ananda. Depois das luzes acesas, surge o Brincando de Cordas para emocionar minha noite com o “Choro Cantado”, nome do CD.



Fotos: Rapha Flores

Com um repertório cheio de grandes nomes como Pixinguinha e Villa -Lobos, a banda desses meninos que nem parecem ter alcançado os vinte e poucos anos ainda fizeram um show lindo e versátil. Numa encenação criativa: um integrante da banda vestindo à caráter anos 20 ficou sentado numa cadeira de balanço no palco, ao lado de uma radiola. As músicas tocadas pela banda eram o que tocavam na radiola dele, cenicamente. Os artistas convidados eram chamados ao palco por um telefonema fictício, depois de um diálogo igual imaginário através de um telefone museológico. E ainda, uma interação discreta, porém significante com a platéia, criando aquele clima intimista num lugar cheio de gente.

Não vou falar aqui da parte técnica da banda, do show e nem nada disso. Só conheço o usual do chorinho e o meu cérebro responde melhor a parte emocional da música. Então, com todo aquele carisma, talento e o suporte de considerados “monstros” da música brasileira no set list, o Brincando de Cordas provocou aplausos, suspiros, sorrisos e no meu caso, como sou praticamente uma personagem de novela das seis com a sensibilidade à flor da pele, lágrimas em um dos momentos mais delicados que já presenciei em palcos conquistenses: “Trenzinho Caipira” de Vila-Lobos, com um som de gaita de cortar o coração de tão lindo.

Um show coisa linda de se ver na terra da música.

terça-feira, março 04, 2008

0 paraíso mora ao lado.

Uma das minhas frustrações gerada pela falta de recurso financeiro e vergonha na cara é não visitar a Chapada Diamantina com freqüência. E nem nunca. O paraíso mora ao lado, cheio de História, de ar puro e de cachoeiras maravilhosas.

Passei uma semana em Mucugê em 2004. Um lugar fantástico, de uma tranqüilidade incomum nessa vida, gente simples, boa. Um refúgio de caminhos a percorrer por entre pedras e rios. Aventura pra quem gosta e descanso pra quem precisa.

Depois disso nunca voltei por lá. Lá, onde os paredões guardam a mais perfeita obra da natureza.

Quando me falaram “Você vai ter que filmar um vídeo em Livramento” fiquei logo na expectativa de voltar à Chapada. Mas por um infortúnio da objetividade do trabalho a ser realizado não precisei ficar por lá nem um dia. E nem pude aproveitar.

e eu não sabia que o asfalto é verde!


Livramento de Nossa Senhora não é bem Chapada Diamantina. A pacata cidade é chamada de “portal sul” da Chapada, a 9 km de Rio de Contas, já Chapada. Entretanto, só de olhar “aquela” cachoeira e sentir o sabor do cheiro de mato fresco embrenhado nas montanhas gigantescas valeu pela viagem.


Livramento


Um pulinho em Rio de Contas só pra dizer que não fui. Mesmo com os poucos 15 minutos atravessando cidade de carro fiquei babando para voltar em uma outra oportunidade, em um passeio.









Rio de Contas



Minha meta é alcançar Lençóis em breve!

segunda-feira, março 03, 2008

negas onipresentes

Não é de hoje que as “negas malucas” se tornaram uma opção divertida nas ações de promoção de vendas. O problema é que agora qualquer pit stop, qualquer festa e comemoração tem que ter um homem vestido de nega maluca escandalizando tudo. Não interessa o tipo da empresa, vamos botar nossa marca na rua? Chama uma nega maluca!

Não sei se isso é peculiar só no interior da Bahia, mas o fato é que às vezes os coitados que acham que estão chamando a atenção e promovendo um recall positivo para sua empresa podem estar profundamente enganados.

As ações de propaganda, comunicação, promoção de vendas e etc. devem estar de acordo com o perfil da empresa. Com exceção de festas comemorativas, como os aniversários em que os recursos sempre são mais livres no quesito divulgação, todo cuidado é pouco para não cair no ridículo.

Estava eu, passando descompromissadamente em frente a um curso de formação profissional. O curso acabara de inaugurar e lançou uma campanha modesta na televisão e rádio e.... caixas de som e negas malucas em frente à sede.

Achei tão absurdo um curso de formação profissional colocar negas malucas rebolando a som de pagode distribuindo panfletos em frente ao curso que não resisti e tirei uma foto. O pessoal fez até pose, tão solícito...


O curso ainda lançou um comercial na televisão muito duvidoso: mostra as dependências do local, os computadores, as salas de aula, a biblioteca, os espaços comuns, tudo vazio, sem uma alma penada para figuração.

Uma escola sem ninguém dentro e negas malucas representando a imagem de um curso profissional... hum.. que mal gosto.

Enfim...

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

para sempre cinderela.

Entre as leis da natureza a mais cruel não é morte, e sim a velhice. E isso passa longe de um ódio aos mais vividos. Não, isso é mesmo uma realidade incompreensível da biologia. Não no sentido biológico mesmo, mas porque tem que ser assim?
Podíamos simplesmente chegar aos 30 e com corpo e sanidade dos 30 fazer 70, 80, 90 anos.
As marcas do tempo são humilhantes e não consigo enxergar a beleza na Terceira Idade. A beleza da Terceira Idade está apenas na parte subjetiva da experiência de toda uma vida, o que necessariamente não precisaria estar estampado na pele. Essa história de beleza da velhice....que trem estranho. Deve ser por isso que os idosos são tão apegados aos filhos e netos: querem viver novamente aquilo que lhes foi tirado pela falta de forças nas pernas.

Chegando numa clínica de cardiologia encontrei um conjunto de peças semelhantes: bolos de carne semi morta, carecas e cabelos brancos, orelhas enormes, pálpebras caídas, sapatilhas “Moleca”, veias saltando, bochechas fundas e burburinhos cansados, esperando um câncer, um derrame, um enfarto, um aneurisma.

“Senha 13!” (10 segundos) “Senha 13” (15 segundos), “SENHA 13!!!”.... Minha vontade era dizer pra recepcionista que a “Senha 13” iria demorar meia hora para percorrer um metro e meio. Quando a “Senha 13” chega ao balcão, com seu vestidinho de tecido de lençol, grampos no cabelo, leva mais alguns minutos para achar o cartão do plano de saúde. É tudo que merecemos, apodrecer? E eu na minha ansiedade juvenil queria falar “anda sua velha, ainda tem um dia todo pela frente”.

Feio, né? Afinal, um dia chegarei lá, espero. Não espero, mas quero. O tempo da juventude é muito curto para fazer tudo que devemos fazer nesse mundo. Mas custava manter minha energia de 25 aos 70?

Pelo menos os idosos têm conquistado regalias, preferências, espaços exclusivos, alimentos, revistas, spas. Devia ser muito chato ser velho vivendo num mundo de jovens. Tem coisa mais humilhante do que disputar com um jovem?

É isso mesmo, é verdade, tenho pavor de envelhecer. Das dificuldades em ouvir, andar, falar, de perder os reflexos, a agilidade, de me olhar no espelho e ver que meu rosto não passa de uma uva-passa prestes a ser devorada pelo tempo.

Sou mais meus vinte e poucos anos, enquanto durar.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Inside and Out - Leslie Feist





Neste verão, descobri a Leslie Feist através da MTV, que deu uma "levantada" na popularidade da canadense.

Pelo youtube descobri esse clipe dela, o Inside and Out, e achei fascinante.

A música é linda mas foi a edição e os efeitos que me fizeram ver esse clipe dezenas de vezes.

Vale a pena assistir.

;-)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

voltando!


Não, não, quem me dera estar de férias até hoje. Foi enrola mesmo. Sabe aquela coisa de "amanhã eu começo minha vida de blog versão 2008” e nunca tem coragem de começar a escrever? Nem foi tanto a falta de coragem, mas o ano já começou a todo vapor: trabalho demais, estudos, isso, aquilo e o prazer da minha forma ego de escrever, aquela pra satisfazer meu próprio ser e me sentir parte desse mundo inacabável da World Wide Web ficou de lado por uns tempos.

A pois, voltei.

Um breve histórico das minhas férias:


Fui a São Paulo, deixar por lá meu décimo terceiro, meu salário e todas as nicas que eu tinha, tirar o ranço do interior e acabar de vez com aquela saudade maldita das pessoas que amo. Fui acompanhada de meu amado e querido Hélio, que se revelou um exímio andarilho, um alucinado por sebos e enlouqueceu com os cinemas alternativos e lugares sem igual para satisfazer a gula que só a minha Sampa há de ter.

Muitas coisas importantes aconteceram por lá: como a reunião da minha família paterna de forma completa depois de mais de uma década. Veja a foto e observe que a beleza não é uma exclusividade minha na linhagem Carmo:



Meu pai, meus tios, meus primos e minha avó.

Também matei a saudade das minhas tias e primos da família da mãe. Momentos super especiais com pessoas inseparáveis da infância.

Passeamos horrores por aqueles locais onde todo turista de bom gosto que se preza vai: Museu da Língua Portuguesa, Parque do Ibirapuera, Mercado Municipal, Brás, 25 de Março, Av. Paulista, Galeria do Rock, Zepa, Sé, Bairro da Liberdade, Anhagabaú, São Bento...

Barraca do Juca - Mercado Municipal


Fomos aos cinemas ver filmes que só passam nesses cinemas: HSBC Belas Artes, Espaço Unibanco, Artplex Unibanco...


Mil shoppings, mil restaurantes e bares que não posso deixar de registrar: Outback, Bar do Juarez, Tolodo’s e aqueles milhares de buracos nos quais você não daria nem um real e quando entra se surpreende.



Bar do Juarez - Eu, Hélio, Carla, Guto e Kari.



E um reveillon família.

Para aproveitar descontos em passagens áreas e o pique das férias, sem muito planejamento prévio fomos parar em Brasília. Minha primeira visita à capital, eu amei.
Mais uma vez passeios turísticos (e exclusivos, pelo Palácio do Planalto), conhecer cafofos de pessoas queridas e muito, muito mais comidas maravilhosas.




No Dom Francisco com Hélio e Fátima.



Karina, Pedro, Ane, eu, Hélio, Romana e Dário no Bar Mormaii - Pontão - BSB



Muito basicamente foi isso. Águas têm rolado desde então aqui na minha vida de sempre, mas que já são passadas e não merecem ser mencionadas então... de hoje em diante está no “ar” o vinte e poucos anos – ano 2”.

Inté mais ver.

quinta-feira, dezembro 20, 2007


Meu sumiço tem explicação: pela primeira vez em 7 anos entre um trabalho e outro e a universidade eu, integralmente, vou tirar férias e viajar. Então, nesses últimos dias minhas forças estavam concentradas somente nisso, nas providências, nos backups e etc.


Volto em meados de janeiro com novo layout e novo gás.


Feliz 2008 pra todos. Em especial para aqueles que eu sei que marcaram presença por aqui:

Shirley, Gal, Cau, Hélio, Túlio, Jack, João Marcos, Jarbas, Talita, Bruno, Alberto, Isabela, Luciano, Caíque, Emi, Raphael, Rafael, Luz dos Olhos, Luiz e Jackson. Aos interessantes que "conheci" e aos amigos de presença física, valeu!


Beijos.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

"what the hell fucking is Maria?"


O bom de ter amigos chatos, como esses da foto, é que você não se sente sozinho no mundo sendo chata também.
Túlio, Gal e Ane, sendo expostos!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Fora do ar

Tenho desejos do tipo que qualquer pessoa em sã alucinação pode ter. Naqueles momentos de consciência íntima em que uma fenda se abre no tempo e você nada mais é um fantoche da sua própria imaginação e criatividade irracional. São instantes de puro privilégio, essa coisa de ficar fora do ar e ser outra pessoa que é você mesmo só que realizando as mais loucas e inusitadas fantasias.

Quando meu olhar está perdido e eu não consigo nem movimentar os músculos pode saber: na minha mente eu sou uma estrela de rock ensurdecendo meus fãs com minha guitarra. Isso representa meu sonho perdido de ter uma banda e geralmente acontece quando estou ouvindo uma música que adoro cantar, ou que adoro o som da bateria, do baixo, da guitarra. Menos do teclado, no meu devaneio eu nunca toco teclado.

Além disso, eu também sou uma cineasta para o meu subconsciente. Quando vejo um filme às vezes perco diálogos ou movimentos importantes porque estou entredita com a minha própria imagem dirigindo a cena. É como a câmera fizesse um 180º e mostrasse por trás do que se pode ver na tela todo o trabalho de produção, e eu claro, sendo do, como produtora, diretora, cinegrafista ou qualquer outro tipo de assistência. Menos atriz, acho que nunca fui atriz.

Mas o culpado por ter desencadeado esse pensamento é Michael Jackson. Minha hora de almoço hoje foi todo de quimeras com meu DVD Greatest Hits. Eu sou uma dançaria de Thriller, de Bad, de Rock With You, de Billie Jean... Se me perguntar o que eu comi vai demorar para eu lembrar...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Everyone is gay. Com ou sem manteiga.

Pra chamar a atenção é só colocar uma frase polêmica no msn.

Hoje a reação foi engraçada. Todo dia alguém chega me contando que fulano de tal virou gay, que descobriu que cicrano também resolveu assumir e tal. Geralmente as fontes são meus próprios tantos amigos GLBTs E O ALFABETO INTEIRO que adoram um "bafond": "babado fortíssimo amiga!"

Pois enfim, hoje me contaram de mais três conhecidos que "sairam do armário" (que expressão horrível!) e eu parei pra pensar: o mundo está sendo dividido em duas categorias, uma de crentes e uma de gays. Na mesma proporção que aparecem os gays, as pessoas se transformam em crentes evangélicos. É impressionante.
"Você lembra de Joaninha que saía do bar lambendo a boca do cachorro de tão bêbada? Virou crente!"
"Você lembra daquele médico que gostava de levar a família naquele restaurante? A mulher pegou ele na cama com outro".

Então, toda vez é a mesma coisa, quando surge a palavra gay vem automaticamente na minha cabeça a figura de Kurt Cobain no Acústico cantando: " What else could I say, Everyone is gay" (All apologies). E lá vou eu tirar a frase "So tell me hey do you want drink some alcohol?" pra colocar "Everyone is gay".

Não demora nada e alguém se manisfesta: "Todo mundo é gay? Como assim?". E pronto, choveu janelas de msn piscando. Uns adorando, outros "sai daí, eu mesmo não". Pessoas que eu nem sei porque estão na minha lista, que eu não tenho contato a tempos. Um que é irmão de uma ex colega de universidade fez um rodeio imenso, perguntou de toda minha vida pra chegar à frase. Depois da minha explicação e ele diz: "ah, pensei que era porque você estava aberta a novas experiências".

Pior se eu tivesse colocado "Eu quero é cú. Cadê a manteiga?!" do filme Baixio das Bestas. Mas meu namorado colocou no dele (Não a manteiga. A frase no msn) e eu fico imaginando o que as pessoas poderiam ter pensado: "tadinha da Michele".

terça-feira, dezembro 04, 2007

TV Digital, muito barulho para uma estréia apática.

Dia 2 de dezembro era para ser em São Paulo a estréia da “grande novidade”, “do que há de mais moderno”, da “revolução da televisão brasileira”, e o que aconteceu? Quase nada.

Não tem receptores à venda, as pessoas ainda não entenderam o que é TV Digital e agora mais do que nunca podemos ver que tudo é uma questão de interesse político pré- eleições.

Só espero que a TV Digital possa chegar a todos e que a TV Pública seja realmente do povo. No entanto a TV Digital chega a São Paulo agora sem suporte, sem definição. Nas capitais o sinal chega lá pra meados de 2008 e no interior...
Já a TV Pública... bom, poucos sabem o que acontece quanto aos debates da criação da TV Pública porque neles não participam representantes civis.

E a gente fica esperando por algo com tanta qualidade quanto a TV digital e tão tangível quanto pretensamente deveria ser a TV Pública: transparência do governo.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Se hoje canto essa canção....

Sou fã do pop rock feito no Brasil nos anos 80. E sempre que o assunto está em pauta numa conversa entre amigos e alguém faz uma critica negativa eu parto para defensiva. Porque os anos 80 foram lindos, os jovens eram lindos, tinham sede de originalidade (mesmo com influências poderosas dos ingleses), queriam fazer parte de algo, fazer a diferença. A música de jovens dos anos 80 surgiu de um grupo que começa a conhecer a liberdade de expressão e passa ainda por cima de enfrentamentos políticos pra isso. Talvez quem vivesse na época não tinha noção da dimensão, nós nunca damos conta do presente.

Hoje paro e penso sempre: nada do que tenha surgido no cenário musical brasileiro nos últimos cinco, seis anos me chama a atenção, me atrai. Vivo revezando minha set list com miscelâneas do tempo do Chacrinha: Barão, Ultraje, Paralamas, Biquíni. Capital, Lobão, Ira!, Engenheiros, quando estou nostálgica demais apelo para o que não saía do meu walkman, a Legião. Ou alguns sons mais recentes, digamos assim, mas ainda assim surgidos no inicio dos 90’s como Pato Fu, Nação Zumbi, O Rappa, Marisa Monte, Skank, Cássia Elle, depois Los Hermanos...E até pra falar mal falo dos já quarentões Leoni, do Kid Abelha, do RPM...

Não tem banda de pop rock, ou rock ou qualquer coisa parecida. Não que eu espere movimentos rockers hoje em dia, é até quimérico pensar que depois de tantas fusões, tantas alternativas, tantas ligações e absorções quase químicas irreversíveis, um ritmo, um som seja ainda cristalino. Mas não compreendo a ausência do “ei, tenho algo a dizer”.

Eu não gosto de falar de capitalismo e nem da palavra. Mas a indústria da música com o único e certeiro objetivo de ser mais indústria do que música (o que se trata de uma obviedade) causa essa falência criativa. O esquema de jabás (que sempre existiu, mas encontrou o ápice no início dos anos 90 após a liberação de concessões de rádios FMs “a torto e direito” por Sarney e ACM), a MTV e as disformes gravadoras sitiam a autonomia dos artistas.

O que explica a volta das bandas dos 80’s com “ao vivos”, reciclagens, acústicos através da própria MTV que não consegue sustentar sua marca somente com as modinhas, precisa de conceitos, de conteúdo.

Eu que estou ficando velha, existe uma crise (que talvez nem seja considerada “crise”) na identidade do jovem no Brasil, fazer e ouvir música não é mais como antigamente? Ou estou atrofiada musicalmente? Ou os quatro juntos?

Entendo que as possibilidades musicais num mundo em que as linhas de identidade cultural são tênues, se não já inexistentes, em que tudo é tão mundial, porém sinto falta do algo à brasileira com significados sociais, ambientais, políticos, de humor (até para ser “escrachado” é preciso percepção). As idéias e manifestações surgem do contexto em que seus agitadores estão inseridos. Foi assim nos anos 80, com a transição infinita, complicada e muito desejada da Ditadura para Democracia, a abertura internacional, a in/ estável geladeira de preços de Sarney, situações que faziam brotar do ardor juvenil palavras e sons.

História à parte, o fato é que antes o jovem não tinha espaço e lutou para ser ouvido. Hoje, ele é tem o espaço, liberdade de sobra e não sabe o que quer ou acha que não tem o que dizer num mundo em que questões diversas estão fervilhando. Ou não quer dizer nada mesmo porque aparentemente já tem tudo. Certamente o jovem não enxerga algo que pode ser mais importante: um motivo para agitar que não esteja absorto no seu próprio umbigo.

terça-feira, novembro 27, 2007

Por você...tem limites, ora essa!

"Por Você
Eu dançaria tango no teto
Eu limparia
Os trilhos do metrô
Eu iria a pé
Do Rio à Salvador...
Eu aceitaria
A vida como ela é
Viajaria a prazo
Pro inferno
Eu tomaria banho gelado
No inverno...
Por Você!

Eu deixaria de beber..."

Eu deixaria de beber...
aí você já tá pedindo demais...

segunda-feira, novembro 26, 2007

Fim da Mostra

A Mostra de Cinema acabou sábado. Infelizmente porque não sei o que vai ser de minhas noites sem os curtas, com os quais desenvolvi uma ligação mais que afetiva. Felizmente porque minha coluna e a resistência ao ar-condicionado se esgotaram.

Cheguei ao fim, por um lado, chateada por não ter participado da Oficina de Roteiro que eu queria tanto e também porque perdi meus óculos de grau. Ah! E não resisti ao refrigerante todos os dias, isso é muito grave. Rs.

Por outro lado, reencontrei amigos, conheci pessoas, me diverti muito e assisti muita coisa legal:

Os curtas:

Gravidade
Piruetas
Pixinguinha e a Velha guarda do samba
Paralelos
Comprometendo a atuação
Noite de sexta, manhã de sábado
Saliva
Augusto na Praia
Yansan
Vida Maria
E ai, irmão?
Trecho
Homem Estátua
A Maldita
Perto de qualquer lugar
Cine Zé Sozinho
Cabaceiras
10 centavos
O Crime da Atriz.

Os longas:

Eu me lembro
Serras da Desordem
Batismo de Sangue
O Céu de Suely
Baixio das Bestas
Estamira
Cão sem Dono
Fabricando Tom Zé



Mas dentre os infinitos momentos, dois micos de dois amigos não irei esquecer:

Amigo chega numa rodinha onde as pessoas conversavam e numa intromissão ímpar fala com um professor:
- Você vem amanhã ver Batismo de Sangue? Um ator do filme vai estar aqui!
Professor: - É, é esse aqui. (e aponta para o tal ator (Léo Quintão) que estava do lado do Amigo).

Nós todos conversando com Hilton Lacerda, roteirista e diretor de Cartola.
Amiga vira e pergunta: - E o filme de amanhã, Baixio das Bestas, você assistiu?
Hilton: - Fui eu que escrevi o roteiro.

Até a próxima Mostra.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Emoções à flor da pele e cenas intensas – Os curtas de terça à noite.

O início da noite do quarto dia da Mostra Cinema Conquista foi recheada de sentimentos fortes graças aos dois curtas-metragens que precederam o tão esperado documentário “Cartola – Música para os olhos”.




“Noite de sexta, manhã de sábado” (PE/Ucrânia 2006) abriu a noite. O filme de Kleber Mendonça Filho, traz, como já indica o nome, a noite de sexta de um rapaz de Recife voltando para casa depois de uma festa, passando por lugares comuns, como posto de gasolina, de conveniência. O rapaz faz uma ligação em inglês para uma garota de um país distante (depois nos créditos descobrimos que é a Ucrânia) e diálogos com poucas, mas intensas e íntimas palavras, dividido por um silêncio doído e triste.




A saudade é o pano de fundo do drama filmado em preto e branco com imagens granuladas e planos que valorizam espaços e localizam a situação dos dois protagonistas. Sem seguir nenhum padrão, o diretor abandona a preocupação com a reprodução estática e faz uso da câmera impaciente, conduzida à mão durante todos os 15 minutos acompanhando a trajetória do casal do ponto em que iniciaram a conversa até o momento em que chegam à praia.




Os cortes secos são elementos fundamentais, mas alcançam o ápice quando numa sintonia com o som ambiente, geram uma seqüência belíssima e emocionante. É o momento em que, numa tentativa quase que desesperadora e dolente, o casal utiliza as únicas ferramentas que tem em comum naquele momento: o sol, o mar, a areia, para se sentirem conectados um ao outro. Uma cena extremamente sensível e verdadeira. Na conversa, a sugestão de tirar os sapatos, sentir a areia, molhar os pés, olhar para o sol, e o espectador acompanhando passo a passo de cada etapa.




“Noite de sexta, manhã de sábado” quase não arrancou aplausos do público do Centro de Cultura, talvez pela estranheza causada em alguns pela “quebra” de padrões estéticos e significados, ou, melhor, estavam talvez todos paralisados saboreando toda melancolia de sentimentos tão reais de um filme tão sincero.




“Saliva” (SP 2007), de Esmir Filho, o segundo curta da noite traz um tema muito mais leve, adolescente, mas não menos intenso. Qual menina de 12, 13 anos que sonhou, suou ou tremeu só em pensar no primeiro beijo? Qual menina não disse que nunca ia beijar na vida e mesmo assim ensaiou beijando o espelho? São essas experiências quiméricas que precedem o momento inesquecível de tantas garotas que fazem de “Saliva” um filme verdadeiro e muito divertido.




Esmir Filho se aproveita do elemento água para representar brilhantemente o nojo da troca de saliva que uma garota dessa idade tem. Está tudo inundado em “Saliva” e somos transportados para uma narrativa surreal de imaginações e sentimentos bem familiares. Este sim conquistou a platéia de cinéfilos presentes.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Asneira da cabeça de para-raio.

Quer ouvir besteiras inacreditáveis? Ana Maria Braga!

"Tem o refrigerente zero, não tem?
Tem a fome zero, não tem?
E tem também o recruta zero.

Mas o que você precisa conhecer mesmo é a culpa zero.
(...) porque você não é nossa senhora, você é um ser humano".

segunda-feira, novembro 19, 2007

"É dia de descanso, nem precisava tanto"

A tarde de domingo (18/11) da Mostra foi marcada pela ausência de público. O que é de se estranhar numa cidade como Vitória da Conquista que abriga mais de três faculdades, uma universidade estadual e estudantes e professores sempre resmungando sobre a falta opções de lazer, entretenimento e cultura.

Os comentários das poucas pessoas que fizeram questão de prestigiar o evento era que o motivo do vácuo foi o feriado (supondo que muitos viajaram por conta do dia 15 novembro) e justificativas como “a divulgação foi estranha”. Desculpas a parte, o fato é que na apresentação de Piruetas (BA/2007) a produtora do curta-metragem presente no evento dispensou o microfone e a frente do palco para fazer sua apresentação mais perto dos pouco mais de 20 espectadores, incluindo nesse número diretores, outros produtores e o pessoal da organização. Uma verdadeira vergonha.

Em um desabafo na comunidade de Conquista no Orkut um cinéfilo desabafa: “(...) mas cadê os conquistenses? Cadê os universitários ditos engajados? Cadê os ditos politizados que passam horas em comunidades virtuais como esta, discutindo política, muitas vezes de forma vazia resumindo-se a picuinhas do tipo “meu canditato/partido é melhor que o seu”? Cadê as autoridades políticas (inclusive algumas presentes na noite anterior, mas pelo visto era só pra figuração)?Pior é depois ter que ouvir que “Conquista não oferece nada de interessante pra fazer”. Queria acreditar que a presença de poucos foi por conta do feriado prolongado, mas acho que não, porque o show de reggae após a sessão de sábado “bombou””.
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O primeiro curta a ser projetado foi “Gravidade” (PB, 2006) um filme experimental de 6 minutos de Torquato Joel. “Gravidade” é mórbido, cores escuras, ambiente sujo, insetos, deserto, abandono e um homem nú devorando algo identificável. Uma composição de som e imagem numa seqüência que se repete três vezes em ângulos feitos por uma grua que se ampliam a cada reprise. O experimento parece querer estimular a reflexão sobre a situação de decadência que o ser humano pode alcançar, ou não. É tão estranho que se torna deveras interessante. Algo para assistir mais de duas, três vezes para uma interpretação mais segura.

Depois, foi a vez de “Piruetas” de Haroldo Borges. Um curta de 14 minutos quase sem diálogos filmado em São João da Mata, no interior da Bahia. “Piruetas” quase não possui diálogos, mas é recheado de grandes emoção ao contar a história de avô e neto que vêem no circo um refúgio para a monotonia da cidadezinha que afeta, visivelmente, a relação entre os dois.
O circo exerce um poder forte sobre os dois capaz de aproximá-los. Uma obra singela e tocante.
O longa-metragem da tarde de domingo foi o aclamado “Serras da Desordem” (RJ 2006). Apesar de ter no folder da programação que a projeção seria em película, o documentário de Andréa Tonacci foi apresentado em DVD. Imagem digitalizando, cores distorcidas, diálogos inaudíveis comprometeram a apreciação da obra. (In)felizmente “Serras da Desordem” foi um dos três ou quatro longas em DVD da Mostra. O filme mescla documentário e ficção, encenações e realidade distinguidas pela intercalação de cenas em preto e branco e coloridas. Conta a história do índio Carapirú, que sobrevive a um ataque de fazendeiros (momento em que perde boa parte de sua família) e passa décadas tentando sobreviver sozinho pelas serras do centro-oeste.

Que venham os outros dias da Mostra e que seja bem diferente desse domingo no quesito presença de público.

domingo, novembro 18, 2007

Abertura da Mostra Cinema Conquista: homenagens, cinema e música.

Cinema, oficinas, seminário, lançamento de livros, shows e muita arte e cultura. Vitória da Conquista é palco da III Mostra Cinema Conquista – Um olhar para o novo cinema que começou ontem (dia 17/11) no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.

Depois de duas edições com sede no tradicional Cine Madrigal, a Mostra 2007 excede as outras em números e grandeza. Com uma estrutura superior no quesito extensão, o Centro de Cultura dispõe de um espaço que possibilitou ampliar as atrações do evento. No foyer do local estão expostos cartazes de filmes, um quiosque para venda de livros, mostragem de material reciclado, além do bar vendendo lanches e bebidas. Tudo isso se transformou em um ponto agradável de encontro e até mesmo uma área mais que descontraída para jornalistas realizarem suas entrevistas e anotações. Na parte externa, foi montado um palco onde terá apresentações de atrações musicais locais todos os dias após as projeções da noite.

Na entrada do Teatro foi distribuído um folder com toda a programação do Centro de Cultura, da Cine Tenda Brasil (montada no Bairro Brasil) e da Mostra Cine Cidadão (que percorrerá vários bairros da cidade). Os espectadores também receberam uma edição especial do Jornal- laboratório Oficina de Notícias produzido por estudantes do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Uesb com matérias sobre alguns filmes e vídeos, homenagem ao cineasta Glauber Rocha e a Esmom Primo (coordenador do evento), entrevistas e depoimentos.

A abertura, marcada para as 19:30, teve início quase uma hora depois. Nada que comprometesse o evento, afinal estavam todos em clima de confraternização. A solenidade contou com a “comissão de frente” dos realizadores e apoiadores do evento: o prefeito professor José Raimundo Fontes, o reitor da Uesb, Abel Rebouças, o secretário de cultura e lazer do município Gildelson Felício, o coordenador geral da Mostra Esmon Primo, dentro outros.

O primeiro a se pronunciar foi o reitor da Uesb. Abel falou sobre a importância do apoio da universidade em eventos como a Mostra não só para comunidade acadêmica mas como também para o incentivo à cultura para toda comunidade conquistense. O reitor ainda confessou ficar admirado com a valorização do cinema brasileiro na Europa, após ter prestigiado uma mostra de cinema latino-americano na Espanha.

Com um discurso caloroso, o prefeito José Raimundo Fontes saudou Esmon Primo pela presença incessante na cultura da cidade e arrancou aplausos do público em uma homenagem póstuma a Jorge Melquisedeque, idealizador juntamente com Esmon do Projeto Janela Indiscreta que há 15 anos leva o cinema para a comunidade, desenvolvendo debates e incentivando a apreciação da Sétima Arte. O Prefeito também comentou sobre a importância de valorizar o cinema nacional não só como entretenimento mas como uma forma de reconhecer a nossa própria identidade cultural e assim escapar do “imperialismo dos Estados Unidos” na questão cinematográfica.

Este ano a Mostra Cinema Conquista assumiu completamente sua brasilidade. Durante 8 dias serão projetados 22 longas e 42 curtas-metragem exclusivamente nacionais. Para começar as projeções o longa escolhido foi “Eu me lembro” (BA/BR 2006) do diretor baiano Edgard Navarro que marcou presença apresentando seu filme. Navarro (que ganhou um troféu em homenagem), ostentando um bom humor especial, foi aplaudido ao confessar que não conseguiu seguir o protocolo ao não cumprimentar a “comissão de frente”. Disse se sentir verdadeiramente lisonjeado por ser convidado a participar da Mostra em Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, e segundo ele, uma cidade espiritualizada por estar mais perto do céu (devido a altitude). O diretor encerra contando que estava em “estado de graça, cheirando a bumbum de bebê”(fazendo alusão à música de Gilberto Gil, “Palco”).

Depois da projeção de “Eu me lembro” e das perguntas e respostas dos cinéfilos com o diretor, foi entregue um troféu ao teatrólogo Gildásio Leite, grande homenageado da Mostra.

O encerramento ficou por conta da banda de reggae Ramaiana.

Bom lembrar que para qualquer exibição de vídeos, longas ou curtas, a entrada é franca.

Veja a programação completa no site: www.mostracinemaconquista.com.br



Texto publicado no blog da Mostra: http://mostracinemaconquista.uniblog.com.br

Entrem!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Pega Leve, meu amigo, quem tá pedindo é a Nova Schin!

A Nova Schin lançou a campanha do verão. Como não podia faltar, Ivete Sangalo (ah, como estou cansada dessa mulher) canta o jingle, mulheres semi-nuas preenchem o comercial de televisão e, como sempre, ninguém bebe a cerveja durante todo o VT.



Era mais uma campanha de cerveja até o momento em que abri a revista Veja (adoro ver as propagandas, são tantas e sempre tem uma novidade, algo que preste na Revista) e tinham 12 páginas para lançar a campanha Pega Leve.




"Pegar leve é conhecer pessoas sem medo de ser enganado"

As imagens já chamam atenção por conta própria. Nada de muito novo no conteúdo, jovens, praia, garrafas e latas de cervejas ilustradamente convidativas, sorrisos e alegria geral do verão (daquelas que a gente espera, espera, espera pelo recesso do ano-novo, quando acontece enfim passa tão rápido e já é hora de voltar ao trabalho).


"Pegar leve é ser desencanado"


No entanto, as fotos são realmente muito bonitas, inspiradoras e com acréscimo das frases, do desenvolvimento do mote, a Campanha ficou muito bem acabada.




"Faz você ter mais amigos, mais abraços" e "Pegar leve é tomar uma cerveja depois de um dia suado"


Só o chavão “Pegar Leve” sendo utilizado em inúmeros significados já é algo a se considerar. Pegar leve: a cerveja leve. Pegar leve: levar a vida numa boa. Pegar leve: beber com moderação, “e pegando leve com a vida, meu amigo, a vida pega leve com você” (das imagens abaixo). Simples, mas uma boa sacada.



É uma campanha que prova que mesmo trabalhando com todos os clichês é possível fazer algo com muita criatividade. Uma campanha muito cativante. Mas ainda assim, não troco minha Skol por nada.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Aniversário do Núcleo.

Estou meio atrasada com os posts. Muito trabalho, sol, cansaço e computador formatanto, tudo conspirando contra.

Mas enfim,

Sexta feira (dia 9) foi o dia do aniversário de 1 ano do site Núcleo Universitário (http://www.nucleouniversitario.com.br/). O Núcleo é um portal com notícias, artigos, críticas, comentários, fotos, reportagens... Um espaço para a galera da universidade e das tantas faculdades da cidade (professores, estudantes e funcionários, etc..) expor opiniões, bem democrático, independente e, o que é mais legal, pioneiro pela região. Interessante para todos os públicos.

A comemoração lotou o Café Don’Antônia. Muita música, muita gente conhecida e a maioria, em massa, do Curso de Jornalismo da Uesb.

Jornalista não perde nada. Foto de gente formada e calouros. Amigos e gente que nem conheço.


Coincidiu de ter no dia uma exposição de foto antiga no foyer do Café. Um toque a mais à festa.


Aproveitando a exposição para tirar uma foto "Os outros"



Parabéns ao Núcleo e à Caíque (idealizador do site) que está vencendo todas as dificuldades de apoio, patrocínio, investimento e boa-vontade.

Sempre que posso “dou o ar da minha graça” com algumas palavras. No entanto, fico na sede de ver mais textos sendo publicados de ex-colegas e dos que ainda estão estudando pela universidade. Falta mais participação, mas as coisas estão mudando...pra melhor!

Fico feliz pelo Núcleo.

terça-feira, novembro 13, 2007

Pose para foto depois da morte do bezerro
Caras e bocas para o teste de uma tragédia grega de quinta
Visual modernex para quem não tem nada na cachola
Um buraco na boca para mostrar quem tu és
Tapa o olho com uma franja que a luz do dia contraria
“Ahhh ninguém me entende”.

Sou feliz por não ter vivido a adolescência dos Emos.
Nunca fui tão feliz em ser normal.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Indicação - Cria Design




O Cria Design (cria-design.blogspot.com) é o espaço de portfolio do meu amigo Raphael Flores.
Lá ele mostra seus trabalhos, artes independentes e serviços prestados para empresas ou para agência de publicidade em que trabalhamos. As artes, em Corel e Photoshop, são de folder, outdoor, banner, cartaz, flyer, cartão de aniversário, cartão de Natal e afins mil. Rapha também faz restauração de fotos e cria logomarcas.



Vale a pena conferir. Não é porque ele trabalha ao meu lado o dia todo, mas o cara é muito criativo até mesmo quando há limitações do cliente para idéia da criação.







O Cria também é um espaço para contato. Caso alguém se interesse pelo trabalho do Rapha é só mandar uma mensagem!






segunda-feira, novembro 05, 2007

Tropa de Elite - Bê a Bá da chapa quente.

E nós já estávamos nos sentindo uns Ets. Conquista é uma cidade sem valor para a empresa que administra o cinema daqui. Demora a chegar as películas e muitas vêm dubladas. Óbvio que raio cai sim senhor na cabeça de azarado mais de uma vez, tanto que não foi diferente com Tropa de Elite. Pelo menos o filme é falado no legítimo brasileirês. Eu estava vendo a hora de passar na TV aberta e não estrear por aqui. Mas enfim, ontem fomos nós (nós, resistentes,que amamos tanto a boa qualidade de som e imagem e fomos mais fortes que a curiosidade) assistir à história mais badalada (ou “baladada”) do ano.
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Embora cada crítica e comentário possam compartilhar e divergir opiniões com outras críticas e comentários e ainda assim agregar algo de novo, acho que não irei escrever algo que já não tenha sido escrito sobre o filme de José Padilha.

Talvez eu não tenha saído chocada do cinema pelos spoilers, pela expectativa, pelo furdúncio, pela nuvem de discussões sociais antecipadas. O que aconteceu foi a ratificação de um meu antigo sentimento de que a solução para os problemas de corrupção, o desdém das autoridades e falta de estima pela vida do ser humano está a cada dia mais distante. O documentário Ônibus 174 e os livros de Caco Barcellos, Rota 66 e Abusado, já feriram, como diria o Baiano de TE, minha “consciência social” (com sentido um pouco distinto ao do traficante). E feriram muito! Inundei as lágrimas do meu Rota 66 e demorei a me recuperar de Ônibus 164 pelo retrato social aprofundado que ambos me apresentaram.

Mas Tropa de Elite é ficção e muito da bem feita. Cenas de tiroteio, de tortura (aliás, felizes os atores torturados, quase achei que era verdade), som de primeira que só poderia mesmo ser “saboreado” numa sala de cinema, diálogos autênticos e momentos de humor (humor negro, na maioria das vezes) acertados e sem excessos. Alguns atores deixaram a desejar, mas quando se tem Wagner Moura exibindo uma interpretação hipnótica, pode-se dar menos atenção aos outros (sem tirar os créditos de ninguém!).

É um filme que foi feito para ser levado a sério. O brasileiro se encontra em uma situação de paranóia, de medo constante e de desilusão total, principalmente aqueles que vivem dos dois lados da Cidade Maravilhosa. Essa condição de stress coletivo e de apreensão é manifestada na construção do personagem do Capitão Nascimento que apresenta um cansaço e uma frustração bastante familiar. Todas os insultos à nossa moral descendentes da corrupção das policias, da hipocrisia enraizada na sociedade (não uso “burguesia”, todas as classes estão envolvidas de alguma forma), da punição negligenciada pela Justiça cansam até mesmo aqueles que não movem uma palha para que a mudança comece a acontecer (que é o caso da maioria de nós). Mas o que fazer com a falta de educação, de cultura, de saúde, de oportunidades, não é mesmo? Estamos perdidos e Tropa de Elite cumpre o papel de mostrar isso. O triste é que os discursos são esquecidos com a mesma velocidade em que foram reproduzidas as cópias piratas do filme.

Não achei Tropa de Elite “fascista”, como dizem por aí. Tende, como toda a história, para um lado e é o lado do personagem principal, que narra o filme.E concordo com Pablo Villaça quando ele diz que “acusar o diretor de Ônibus 174, um dos documentários mais poderosos, complexos e reveladores já produzidos sobre nosso país, de “fascista” é, no mínimo, um sinal de preguiça mental”. E muito menos vejo o Capitão Nascimento como um herói, afinal ele também tortura e conhece o sistema. Ele é mais uma vítima das circunstâncias reais desse mundo sem deveres, sem direito, sem ordem e sem civilidade ou é cúmplice das barbaridades de mão dupla, que sobem e descem o morro através de policiais a quem tentamos confiar a nossa segurança e de homens traficantes bandidos que nasceram em um país sem oportunidades e não temem por nada nesse mundo por estarem tão calejados de falta de atenção.

Tropa de Elite é um infinito gerador de debates. E me arrepio em pensar que apesar disso é uma obra de ficção que não engloba nem a metade dos enigmas a serem decifrados e dos problemas a serem enfrentados para enfim termos um país mais vivível. Será possível? Talvez sim, quando pararmos de falar e escrever e começarmos a agir.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Mostra Cinema Conquista 2007.


Um dos eventos mais esperados pelos cinéfilos sedentos de espaço.

Ainda não saiu a programação no site dos 22 longas e 42 curtas que serão exibidos do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e nem os filmes que serão exibidos em praça pública nas tendas Cine Brasil e Mostra Cine Cidadão , mas as inscrições para as oficinas e seminários já estão abertas e são gratuitas.

Lançamentos de livros e a presença de diretores, roteristas, professores, escritores de diversos lugares desse país estarão por aqui de 14 a 24 de novembro.

Eu, certamente, tentarei uma folga para os três dias da oficina de roteiro com Wilson Lacerda e minha presença nas sessões será diária.... com fé em Glauber Rocha!

Uma realização da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, daUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia e do Programa Janela Indiscreta Cine Vídeo da Uesb.

Mais info: http://www.mostracinemaconquista.com.br/

terça-feira, outubro 30, 2007

Lista para tapear.

Quando não se tem tempo nem de se coçar quiça escrever no blog, a gente faz listas bem idiotas só para não deixar nossos leitores (to cheia!!) sem nada para ler.

5 coisas que eu mais odeio na internet:

1- Correntes e e-mails com mensagens pretendem ser comoventes. Não tem coisa mais ridícula que “Veja que lindo”, “Pense nisso”, “A morte de Jesus”, “Pra você (vale a pena)”, “Amigo é...”. Não leio nenhum, nem sequer abro e estou com uma vontade enorme de mandar um e-mail para todos aqueles que enchem minha caixa dizendo que aquilo tudo é idiotice.

2- Pop-up com a opção “fechar” difícil de achar. Ô coisa desagradável ficar que nem louca “onde eu fecho isso?”.

3- Quando a conexão cai quase no fim da transmissão daquele arquivo importantíssimo.

4- O site para registro de obras da Ancine. Aquilo sim é um teste de paciência.

5- Limite de 30 segundos em algumas músicas da Rádio Terra. Sim, eu ainda vou lá escutar músicas quando as minhas estão “desgastadas”.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Devaneio

Os galos seguem horário de verão?

quinta-feira, outubro 25, 2007

Para os que ainda não me conhecem....


Um delicado presente do meu amigo Rapha.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Bactérias chocólatras

"Por que é tão difícil comer apenas um bombom, em vez de uma caixa inteira? A resposta pode estar dentro de cada um de nós – literalmente. Um novo estudo afirma que as pessoas que têm vontade de comer chocolate todos os dias podem hospedar certos tipos de bactéria nas vísceras que tornam a guloseima irresistível. Sunil Kochhar e outros pesquisadores do Centro de Estudos da Nestlé, em Lausanne, na Suíça, e do Imperial College London explicam no estudo publicado pelo “Journal of Proteome Research” que as colônias de bactérias dos chocólatras são diferentes daquelas das pessoas que conseguem resistir ao doce suplício. A boa notícia é que os amantes do chocolate também possuem níveis mais baixos de LDL, o mau colesterol. (The Journal of Proteome Research)".

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/bacterias_chocolatras.html


To cheia dessas bactérias.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Errado por linhas retas

Só Deus sabe o quanto eu acho absurdo o que os cristãos (crentes e católicos) falam e pregam. São tantas obscenidades à minha moral que muitas vezes da vontade de chorar. Não é com nenhuma Igreja em especial, e sim com as contrariedades, os fundamentalismos estrambólicos das universais, adventistas, assembléias, batistas, bolas de neve churchs, metoditas, presbeterianas, testemunhas de jeová e outras muitas das quais eu já conheci um fiel que me falou algo humanamente inaceitável.

Dizem que religião não se discute. Acho discutível esse... como posso dizer... chavão.

O dia hoje foi da Igreja Católica representada pelo “Império Canção Nova de Televisão”.

Por um acidente de percurso, lá estava eu assistindo ao programa “Escola da Fé”. Um coroinha (coroa no diminutivo) falando sobre a Cultura Bizantina. Até aí nada que me chamasse atenção de verdade, tirando o fato dele repetir, repetir, repetir “berço da religião, da cultura, Império Bizantino, deuses, séculos passados” e mais um tanto de palavras-chave soltas sem nunhuma retórica lógica.

No bloco seguinte era a vez das perguntas de carta ou e-mail serem respondidas.

Uma católica, provavelmente adolescente ou mãe de uma, perguntou se piercing era pecado. O coroinha responde: “não, não é. Antigamente usavam as argolas para culto aos deuses, para ritos. Mas hoje... Quer dizer, eu fui a um dermatologista que diz que o piercing não é indicado porque pode (...) causar doenças sérias! Ele contou um caso de uma menina que tinha um piercing na língua e o cabelo dela começou a cair, quando ela tirou o piercing o cabelo voltou a crescer! A mesma coisa com a tatuagem, não é pecado ter tatuagem, mas ela começou a ser usada para homenagear os deuses pagãos e se você colocar uma pra tirar é um processo a laser e dói muito, além de ser caríssimo”. Não é tudo mentira, mas a voz possuia um ar de terrorismo assustadoramente dissimulado.

Pergunta seguinte: “pode comungar sem estar casado na Igreja, por que?” Resposta: “Não, não pode. Quem não é casado na Igreja Católico não pode receber o corpo de Cristo. Não é um casamento abençoado”. Quanta casamento desgraçado há nesse mundo....

Outra: “porque os adventistas guardam o sábado e dizem que os católicos estão errados guardando o domingo?”. Coroinha: “Veja bem... os adventistas...bom, não temos tempo aqui para explicar a religião deles, mas na Igreja Católica..Deus quando fez a Terra começou pelo domingo que é o primeiro dia sa semana...por isso que é segunda-feira e não primeira –feira, terça-feira...nasceu o sol...por isso que no século 2 foi originada a palavra Sunday...” (?!)

A próxima ligação foi o motivo da criação deste post: “os casais gays que adotarem uma criança podem batizá-la?”. Resposta do meu amigo coroinha: “Primeiro que casal gay...não existe... casal é um homem e uma mulher, um macho e uma fêmea..gay é...um par de gay...a criança que for adotada por um par de gay não pode ser batizada porque um par de gay não é abençoado pela Igreja... a Igreja não aceita casamento gay e uma criança não pode começar a ser educada com mal exemplo dentro de casa, sem uma estrutura...vai crescer errado...é um mal exemplo (de novo) para criança...uma criança precisa de alguém que possa cuidar dela, se essa criança estiver sendo criada por um par de gays ela não pode ser abençoada”. Sem mais palavras, isso é ridículo.
Na sequência: “a Igreja aceita pessoas com DST para trabalhar nela?” Coroinha: “Claro que sim! A questão da doença é medicinal... a Igreja não tem preconceito nenhum!”

A última: “O que é um pecado mortal?” Reposta: “Pecado mortal é quando você prejudica alguém e você fica se remoendo com aquilo a vida toda, quando você rouba...por exemplo..é claro que roubar uma caneta não é um pecado....mas roubar 10 reais de uma pessoa que está passando por necessidade é...” E eu me pergunto: e se for uma caneta de 10 reais de uma pessoa que está passando por necessidade?

Se for verdade que Deus escreve certo por linhas tortas, esta é a maior prova.
Só não consigo enxergar o certo nessas linhas.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Come on baby, watch my car

Campanhas e mais campanhas em favor de maior prudência no trânsito. Blitz e mais blitz em feriados. Ligue a televisão e cada vez mais jovens sendo vítimas, cúmplices e culpados, de acidentes fatais de automóvel. Quando se tem notícia de que um conhecido de um conhecido morreu, pode prever que foi num desastre de carro em alguma dessas nossas estradas maravilhosas.

Embora os detrans, as secretarias de trânsito e outros órgãos do gênero tenham se esforçado, muito ou pouco, através de iniciativas de prevenção, educação e fiscalização, é dispensada pouca atenção a três pontos importantes que influenciam no modo precipitado em que os motoristas, em especial aqueles de vinte e poucos anos, se comportam no asfalto.

O primeiro deles é a idéia já fincada na nossa antropologia moderna capitalista de que o carro atribui poder ao ser humano. Isso faz parte da nossa cultura. O carro é símbolo de soberania social, de alta auto-estima, de moral, sendo que esse meio de transporte deveria ser encarado somente como um meio de transporte. Por isso, quando alguém vai comprar um carro, não quer compra-lo com os únicos recursos que precisa, quer algo mais além, que diferencie dos outros. Não essencialmente do ato da compra, quem tem um carro (não generalizando) quer a sensação de poder enquanto dirige. Este conceito, misturado com bebida alcoólica, drogas e qualquer “psico-problema” causador de impotência, é um agravante para quem põe o pé no acelerador.

Pegando carona (literalmente) na idéia acima, estão os comerciais das empresas fabricantes de automóveis. O segundo problema. As propagandas de televisão são irresponsáveis e apelam mesmo para a sensação de poder. Estão errados? Não sei, afinal cada um tem que defender o seu. O que é questionável é o modo em que os carros se movimentam em alta velocidade, quebram padrões, regras tudo para passar a idéia de atitude, adrenalina e independência, tão interessantes aos jovens.

Recentemente dois VTs me chamaram a atenção:
O do Vectra GT http://www.youtube.com/watch?v=qshGRuDfbFQ) , no qual o carro sai de uma das Linhas (vermelha ou amarela) para fugir do trânsito no Rio, escala prédios ao som de “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” e termina com a frase que resume tudo: “ou você anda na linha, ou você anda no novo Vectra GT”. O carro é lindo, o som é empolgante e o motorista é de tirar o fôlego, mas o trocadilho é irresponsável porque a palavra “linha” remete também a não seguir regras, normas que devem ser respeitadas por todos, do mais comum à metamorfose ambulante.

Considero até pior o da Peugeot 206 1.4 Flex (http://www.youtube.com/watch?v=ZdFq_7pRiQo) . Aparece um “cara de coitado” que não agüenta mais o barulho de buzina, “o motor não agüenta, todo mundo querendo me passar, o que eu faço?”, tampando os ouvidos de todas as maneiras. Logo depois entra a solução: “Aproveite a promoção Força Máxima” e aparece o carro correndo em uma rua vazia, onde não se tem nenhum outro carro para buzinar. A imprudência ai fica por conta da mensagem de que seu carro é 1.0 e está atrapalhando o trânsito por isso você não consegue andar rápido nas ruas. A culpa não é do grande fluxo de carros da cidade e nem do trânsito mal administrado, é sua, com esse carro lento. Compre um Peugeot e saia agora fazendo ultrapassagens. Posso estar exagerando, mas é assim que interpreto e é através de mensagens subliminares e indiretas que as idéias “colam”.

O outro ponto é (já me disseram que tem explicação, mas ainda não chegou a mim): porque os carros têm a opção de andar a mais de 100km/h se só é permitido 80km/h na maioria das estradas. Qual é a necessidade de andar tão rápido, uma vez que qualquer presa é menos importante do que a segurança e a vida das pessoas? Deve ter alguma explicação coerente. Se for algo com o motor, nenhuma tecnologia da mecânica pode rever isso? Esse ponto pode até ser inocente, no entanto não é lógico que se não tivesse a escolha de correr os índices de acidentes por alta velocidade diminuiria? (Ponto aberto a quem quiser esclarecer isso pra mim, já que eu não dirijo).

São diversas análises, estudos e comportamentos a serem analisados. O trânsito mata mais que o cigarro e as drogas. E não é tratado como algo em que todos os envolvidos tem suas parcelas de responsabilidade. Infelizmente.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Vai descendo na boquinha da garrafa

O baiano só aparece dançando. Nos comerciais de cerveja, nas novelas, nos programas de entrevista (onde é só para falar), nas tirinhas e charges, nas fotos, nos protestos e até em enterros (você não viu aquele tanto de gente ao som tumtumtum mexendo a pança em celebração à morte de ACM?)

Rebola daqui, pula de lá e até para promover marca de sabão em pó Daniela Mercury surge do Além cantando e dançando no meio do supermercado embalando donas de casa sem ritmo e voltando para o Além com a mesma eficiência.

Quem é de fora diz que morre de inveja: “você mora na Bahia, uau!”
A culpa é da Bahiatursa, dos trópicos e da Ambev,

“Na Bahia faz sol o ano inteiro” por isso a Ivete Sangalo aparece em qualquer estação com uma coreografia com a lata de cerveja na mãe, se benzendo (“eu brindo sim, eu brindo a alegria..).

Cerveja não combina com frio mesmo. Não posso esperar que, mesmo com o calor que faz também do sul no verão, Humberto Gessinger apareça semi-nu embalando um pop rock a favor do consumo da cerveja nas belas praias sulistas.

As pinturas têm seus artistas (!):
Pensa-se que na Bahia:

- Tem muitas jovens mulatas com flor atrás da orelha com vestido branco, loucas para dar. Culpado: Jorge Amado.

- A preguiça é uma prioridade, assim como uma boa rede. Culpado: Chico Anísio.
-
- Tudo é lindo. Culpado: Caetano Veloso.

- Não tem jogador de futebol que preste. Culpados: Bahia e Vitória (hahaha)

- todo mundo usa trancinhas. Culpado: Olodum.

- É carnaval o ano inteiro. Culpada: Dona Micareta.Que hoje em dia tem muito mais fora do Estado, levando a Bahia à todo o Brasil durante o ano inteiro.

- Todos são bem-humorados. Culpados: “gentes” como Lázaro Wagner Moura Ramos e Dinho do Mamonas.

- Todos são bocas- suja. Culpado: Gregório de Mattos.

- Todo mundo sabe rebolar. Culpada: Carla Perez.

- A maioria tem pacto com Diabo. Culpado: ACM.

Eu que não falo nada, dizem que tem um vídeo no Youtube que estou dançando o Risca faca no Carnaval de Salvador...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Devaneios

Lula gastou na primeira gestão mais de 1 bilhão de reais em viagens. Dez vezes mais que FHC (fonte Voz do Brasil).
Não sei porque ainda estou estudando...



Quem diz que blog não passa de uma vitrine de vaidade, não tem competência ao menos de escrever algo interessante que sirva para colocar numa vitrine.



Os ditados populares devem se adaptar à realidade virtual diária

Quem tem boca vai à Roma- Quem tem Google Earth vai à Roma
Deus ajuda quem cedo madruga – Velox ajuda quem curte a madruga
Melhor um pássaro na mão do que dois voando – Melhor barra rolando do que mouse clicando.
Quem com porcos de mistura farelos come – Quem no Wikipédia pesquisa, farelos come
Panela velha é quem faz comida boa - E-mail velho é que enche a caixa à toa

terça-feira, outubro 09, 2007

Almost 2.5

Em algum momento da sua vida você olha pra trás pra um passado que você não viveu exatamente e pensa “não, isso eu não vou fazer igual ao meu pai”,sim, isso eu vou fazer igual minha mãe (supondo que você saiba um poço da história dos seus antecedentes).

Minha mãe casou com 24. Eu tenho 24. Eu não vou casar com 24. Não porque eu não quero, mas casar hoje não é mais uma necessidade, uma imposição da sociedade ou uma regra antropológica. Você casa se quiser, mora junto se quiser, dividi cama se quiser. Eu até quero e um semi-noivo eu tenho...
Enfim, estou fugindo do propósito do post (rs).

A parada é que vou fazer 25 em dezembro. Minha mãe deu luz a esse ser simpático que vos escreve aos 25 anos. Se fosse pra eu ter filho hoje estava perdida. Odeio choro de neném, perder noite só por um bom filme ou umas boas cervejas, gosto de gastar comigo, minha própria molequice toma todo o espaço e não tenho estrutura para ter um ser sobre a minha responsabilidade. Mas também não quero ser uma velha com um bebê nos braços. O filho ter 20 e você 60? Cruz credo.

Esses pensamentos “Com essa idade minha mãe nãoseioquelá” são importantes. Nãoseioquelá porque, mas são.

sexta-feira, outubro 05, 2007

aos meus colegas da publicidade

Se você acha que aquela idéia é péssima mas quer ter opções para mostrar para o cliente
e junto com a péssima idéia você leva 5 idéias maravilhosas para impressioná-lo
a possibilidade da escolha ser para a pior opção é de 95%
tente ter mais um idéia maravilhosa ou despedicirá as outras 5.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Dançando no Escuro


Contra-indicação para assistir Dançando no Escuro (Lars Von Trier):


-Se você possui tendências suicidas e até mesmo já tentou cortar os pulsos.
-Se você tem algum parente portador de algum tipo de necessidade especial.
-Se você chora com comercial de margarina ou até mesmo em treino de F1.
-Se você sempre tem esperança das coisas melhorarem.
-Se você gosta de assitir filme com estética tradicional.
-Se você perdeu algum ente querido a pouco tempo.
-Se você é mãe.
-Se você sofre de ansiedade, de síndrome de fazer justiça com as próprias mãos em histórias de ficção ou de transtorno do pânico.

-Indicado dormir após o filme.

Agora se você é capaz de assistir ao filme sem se envolver de corpo e alma, tudo bem.
Se não, se você for como eu, que pega o arco-iris mágico dos cinéfilos de carterinha que faz o transporte para tela da televisão (neste caso), Dançando no Escuro pode ser inflamável.

É um filme belíssimo, intenso, mas extremamente triste.
Bjork é um show da mais fascinante esquisitice.
Lars Von trier é o rei dos sentimentos que causam dor.
Estou me recuperando desde sábado.

terça-feira, outubro 02, 2007

Olodum from Switzerland

"Entrevista Imprevista" do Record News. Brito Júnior entrevistando o Olodum.

B.J - Não vai ter cd? E como vai ser?
OL - O pessoal vai baixar as músicas na internet pelo site.
B.J - Mas sem lançar CD? Como vai ser isso?
OL -Sabe o que é? tem muita gente que compra o CD só por causa de uma música só.
B.J -Ah, e já aconteceu comigo de comprar o cd só por causa de uma música e nem ter a música que eu quero naquele cd.
OL -Pois é, agora você chega e baixa na internet a música do Olodum que você quer ouvir.
B.J - E com relação a pirataria?
OL - É evita isso também...

Além disso...

Brito Júnior cumprindo seu papel de gringo e fazendo perguntas como "deve ser difícil tocar com esse monte de gente ao mesmo tempo...", rebolando como um joão-bobo.
E o Olodum cumprindo seu papel "para gringo ver" com penteados surreais de tranças, entrelaçados e derivados verde-limão e rosa choc no cabelo e na barbicha.

Depois eu reclamo que lamentavelmente o baiano é figurinha nos filmes.


Quer curtir o som novo do Olodum? Tem na internet!
Foi gravado na Suiça, meus filhos! Tirem onda, sacaninhas.

domingo, setembro 30, 2007

previously on

Eu iria começar o texto sobre a minha felicidade em ter de volta as séries norte americanas que tiraram umas férias desesperadamente longas. Meus “enlatados de USA” preferidos estão de volta! E iria escrever também sobre como, através da influência de um viciado de verdade, conheci todas as séries de TV que acompanho.

No entanto explorando minhas memórias primitivas cheguei na minha solitária fantástica infância da qual hoje guardo com carinho lembranças dos dias trancada no apartamento me abastecendo de tigelas e tigelas de alface (sim, trocava qualquer quantidade de pipoca por um prato de alface) assistindo fisurada, religiosamente, todas as tardes na Manchete, Jaspion!Eu só perdia um capítulo do Jaspion quando tinha que sair com minha avó. Foi meu primeiro vício em série (se é que Jaspion é considerada como série) que eu lembro. Gostava também de Changeman, mas não se comparava. “Correndo a Via Lactea em seu Gigante Daileon Jaspion outra vez contra o temível Satan Goss”, você lembra dessa música do Trem da Alergria?
Mais tarde (não sei quanto) eu tinha a Punk, a levada da breca, que está voltando agora com legendas na internet. Punk passava antes de Chaves. E Chaves, sure, sure!

Na adolescência tinha Barrados no Baile e Melrose Place.

Mas nunca tive muuto interesse na verdade por séries, até dois anos atrás com Lost.


Hoje... bem hoje, acompanhando tem, voltado das férias: Heroes, Ugly Betty, The Office e Greys Anatomy. Lost só volta o ano que vem. Começamos Californication. Pausamos um pouco Desparate Housewives, 4400, Nip Tuck Talvez continue com House, mas A sete Palmos acho que não, muito sórdido, apesar de adorar o humor negro. Vi tudo de Sex and the City e Alias (!).
Tudo muito legal, tudo bobaginha, free fun.... american way of TV. Não há mal nisso. Eu adoro. E apesar de ser fã número um do cinema brasileiro não tenho paciência para as mini-séries nacionais.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Devaneios

Monges fazendo manifestação nas ruas. Estranho de ver.

Lula já poderia ter feito um cursinho intensivo de inglês.

Se fossem fabricar uma Barbie brasileira teria o corpo da Camila Pitanga. Com mais peitos e com as mesmas celulites.

terça-feira, setembro 25, 2007

A gente não quer só comida, a gente quer orkut, google e msn.

O que eu gosto de fazer quando acordo cedo (quaaando) e dá tempo de fazer algo mais que tomar um banho de gato e colocar qualquer roupa é ligar a TV e conferir as notícias matinais ou ouvir aqueles programas super legais das primeiras horas do dia.
Na TVE Brasil tem o Mobilização Brasil, uma parceria com o Banco do Brasil. O programa conta exemplos no país inteiro de comunidades que se juntaram e conseguiram resolver problemas sociais através, claro, na maioria das vezes, de ações comunitárias do Banco.
O papo de hoje foi inclusão digital. O BB tem o Programa Estação Digital que pretende combater a exclusão social com a inclusão digital, com a implantação de estações com computadores com internet e aulas de informática. Um trabalho voltado para as cidades do interior e para periferia das grandes capitais.
Entre as histórias dos confins do Ceará e do Paraná e as entrevistas com uma coordenadora do Projeto e um responsável pela Fundação do Banco, eis que sai da boca desse último a frase mais óbvia e contraditoriamente chocante de toda minha manhã (!): “As pessoas de baixa renda têm que ter acesso à internet para facilitar a solução dos seus problemas”.
Na minha cabeça ficou “internet... solução de problemas...internet...solução de problemas”.
Bom, a inclusão digital é de fato muito importante e quase uma necessidade vital, isso nem se discute. Até porque hoje para arrumar um emprego (que não seja braçal) tem que conhecer no mínimo o Word. Mas eu ainda fiquei pensando nos pobres resolvendo seus problemas através da internet, enfim...

Estava muito cedo para uma meditação tão profunda, para pensar na sociedade. E voltei “a solução dos problemas” para o meu umbigo, pensei em mim. A internet resolve boa parte dos meus problemas (e do seu também, provavelmente)!
Para comprar, para pesquisar sobre doenças, tendências da moda, correntes filosóficas, previsão do tempo, para comunicar, bater-papo, saber da vida dos outros, ver resultados de exames, significado das palavras, tradutores, ler, ler, ler, ler notícias, crônicas, dissertações, opiniões, piadas, críticas, ver, ver, ver, ver séries, filmes, peças publicitárias, fotos, vídeos caseiros, ouvir, ouvir, ouvir, ouvir, músicas, jingles antigos, voz de quem ta longe...
E mais, se não fosse a internet estaria escrevendo no meu diário agora. Diário de papel, que coisa mais primitiva...



No Mobilização Brasil fiquei sabendo também que a próxima cidade a ser implantado o Estação Digital é Vitória da Conquista.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Verdão (literalmente) e ô!

Palmeirense adora ver seu time ganhando do Timinho.
Mas que unforme verde- cana é aquele, hein?
Super Verdão!

Seguindo as tendências da Coleção Verão 2008...

quarta-feira, setembro 19, 2007

Democracia Caô

Sabe de quem é a culpa de tanta bagunça na política brasileira na minha modesta opinião?
A democracia.
A democracia que nunca existiu, na verdade, de fato.
Mas existe nos discursos, nas justificativas, nas desculpas esparradas, no papel.
Quero um exemplo de democracia prática.
Poder votar em quem quiser?
Huuumm, só isso? É votar em quem quiser mesmo?
Nas últimas eleições o que mais escutei foi: “vou votar em fulano porque fulano é o menos pior”. Isso é democracia?
É poder usar roupa vermelha sem ser chamado de subversivo?
É escutar livremente Chico e Caetano?
É comemorar o fato de um místico caçado pela Ditadura, como o Paulo Coelho, ser hoje um dos escritores brasileiros mais conceituados fora do país?
É deixar que existam eguinhas pocotós, robertos jeffersons, danças da bundinha e collors se reelegendo?


A democracia é um disfarce. "Vocês me escolheram, estou representando os interesses do povo"

"Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, direta ou indiretamente, por meio de eleitos representantes”

Veja bem, por “meio” não somos nós exatamente. E os “meios” influenciam no fim da forma que bem convêm. "Os fins justificam os meios"? Não sei. Mas acho que os fins ruíns espelham um péssimo trabalho realizado pelos meios.

No entanto, eu não entendo quase nada de política, sou uma semi-analfabeta e tento, como um velho de bengalas tenta subir uma ladeira ou como um cego no tiroteio, acompanhar o que acontece. Sei o que parece certo e errado, para o coletivo. Ou seja, represento aí, numa estimativa hipotética, 70% da população. Muitas pessoas que escolhem “seus meios” para justificarem bem “seus fins” sem saberem bem quais os critérios de escolha, sem saberem onde estão amarrando seus jegues.

Eu quero entender o que é democracia num país como o Brasil.
Alguém pode me explicar de uma maneira que um caseiro de Caculé entenderia?

Vou dizer o que meu país amado (sem ironias, porque eu amo mesmo) parece para mim: um bordel. Bordel choca? Não? Puteiro é melhor?
Lula é nosso Jader, nossa Mama, nossa Pilar Ternera.

Ofendo os bordéis? Afinal são locais de trabalho também e alguns até dignos, dizem.

Então qual o nome que se dá ao lugar onde todo mundo que tem dinheiro e poder pode fazer tudo que quiser? Ah sim, Brasil mesmo né?

Brasil: país onde a anarquia é o sistema do Senado. Anarquia não dá, não. Anarquia prega a ausência da preocupação com dinheiro. Estão vendo? Não sei de nada porque não consigo entender.

Marx, Marx.... suas teorias também não se encaixam nem como algo viavelmente idealizador. O socialismo está para o ser humano assim como o SUS está para os pobres: bonito mas irrealizável. Não é de nosso feitio, desde os primórdios, se contentar em ter o tamanho de pedaço de pão igual ao tamanho do pedaço de pão do vizinho.

Renan Calheiros foi absolvido e tudo de repente pareceu uma historia de ficção inventada pela imprensa. Mas eu não entendi direito o que realmente aconteceu, assim como aquele caseiro lá de Caculé. Mas o Presidente disse que a gente deve aprender a acatar as decisões do Senado, nossos meios.

Vamos acatar ou pegar em armas e partir para uma Guerra Civil?
Difícil, muito difícil...

Como diria Bezerra da Silva: "malandro é malandro e mané é mané".



Enquanto isso no Tabelionato de Notas....

Eu acho que não existe nenhuma instituição nesse mundo com eficiência maior de juntar tantas pessoas de vários tipos no mesmo metro quadrado do que o Fórum, mais exatamente a fila do 1º Ofício do Tabelionato de Notas. Afinal, autenticar documentos, por exemplo, todo mundo precisa um dia. Basta esse dia chegar.
O primeiro de onde minha vista alcançava (sim, qualquer órgão que preza o nome de órgão público não pode faltar uma “filinha” básica) era, com todas as letras, um representante da espécie que eu mais estranho ultimamente, um EMO junkie com seu cabelo na cara, uma blusa listrada, all-star vermelho (ahhh saudade da época em que all-star era coisa de gente com personalidade) e claro, lendo um livro com capa de livro clássico e um chapéu de Che Guevara. Um chapéu de Che Guevara num EMO! Eu hein! EMO combina com Che Guevara? Mas eu não gosto também do Che. Não por ele, mas pelo símbolo que ele representa (traumas da ala “esquerdista” da universidade). Não tem que combinar né? Eu mesma prego isso, que pessoa mais contraditória....
Sim, atrás do emo (diminuí para as minúsculas) tinha um senhor baixinho, moreno (quando você lê só moreno, você imagina como? “moreno”é tão genérico...), calça social azul, blusa de botão branca, um bigodinho de Sargento Pincel. Era aparentemente um contador. O que leva uma pessoa em sã consciência se tornar um contador? “Vou passar minha vida preparando folhas de contra-cheque, que delicia!” Eu hein 2.
Depois um office-boy, com certeza! Cara de pressa só para ter cara de pressa porque na verdade ele está adorando aquela fila: vai adiar os pagamentos, a coleta de assinaturas, outras filas, toda aquela papelada na mão tudo para amanhã.
Uma adolescente acompanhada da mãe e uma evangélica (evangelismo deveria ser profissão) e eu.
Será que alguém lá atrás está me analisando? Tipo, se for mulher: olha aquela menina ali de cabelo cacheado, com nariz tão empinado e com macacão de trinta reais da promoção de 70% da Marisa. Ser for homem: “hummm how you doing?”.
Até que um rapaz que tinha saído da fila enquanto eu a observava voltou e disse: “um absurdo! Uma cidade com 300 mil habitantes e só um Tabelionato para autenticar documento!” E eu pensei: “é mesmo, mas pensar sobre isso é muito chato. A evangélica desistiu”.

terça-feira, setembro 18, 2007

"Faça do bom senso a nova ordem"

Já passou da hora né? O programa foi sexta-feira e eu apareço na terça para fazer meus comentários (críticos, claro, para não perder o hábito). O que me faz não desistir desse post retardado (no sentido de atraso!) são os elogios feitos por esse orkut abençoado ao Especial “Por toda minha vida” sobre Renato Russo . Já sei que gosto cada um tem o seu e nem todo mundo precisa gostar da mesma coisa (blá, blá, blá), mas eu achei de extremo mal gosto gostar de um “especial” assombrosamente ridículo e também de extremo mal gosto fazer um “especial” assombrosamente nada a ver com o homenageado.

Antes de começar a escrever digo que a intenção só pra mim não vale. Os detalhes são importantes e têm a capacidade devastadora de estragar não só a intenção como todo o resto que tentarem fazer no mesmo sentido em idéias posteriores. Vou olhar com meus olhos de desconfiança até me provarem ao contrário, até restabelecerem novamente o bom senso.

Então, esclarecido o meu jeito cri-cri e excessivamente self de assistir televisão, começo por partes minha análise "nada nada" intelectual e pela primeira parte (ou por todo resto) você deve pensar que até um pouco superficial. Ou muito, ou ter certeza.

Fernanda Lima é chatinha. Sem ter um porque convincente, nos instantes de entrevistas fizeram uns cortes rápidos com takes no rosto dela fazendo cara de conteúdo quando falavam da realidade social no Brasil na época quem que surgiram as bandas de rock do início da década, cara de compaixão quando a mãe, a irmã, os amigos, Dado e Bonfá contavam histórias com tons trágicos e cara de diversão quando o lance era a juventude desvairada e as suas aventuras dos tempos do Aborto Elétrico. Odeio caras e bocas. Se não tem o que contribuir faça suas perguntas e vá embora ou volte para as passarelas (nada contra modelos, inclusive tenho uma quedinha pela Gisele, ô mulher interessante!).
Tinha também uns cromaquis nas passagens dela, com imagens de cartões postais de Brasília e do Rio que só não perdia no ridículo para as roupas que ela usava de acordo com a moda de cada época. Que coisa bizarra. Não a idéia, o que eu assisti.

As encenações...ahhhh as encenações!!! Que lindas! Eu tenho certeza que a produção do programa tirou aquele povo de associações filantrópicas dos piores atores da TV brasileira. Embora eu não concorde que um Especial sobre a vida de alguém precise necessariamente de encenações, eu entendo que como foi produzido por um canal de TV acredita-se que para dar mais drama (mais!) à história de Renato e da Legião seja preciso colocar pessoas para reconstituir as vidas. O resultado foi uma mistura de Linha Direta com novela mexicana. Adicionaram uma babaquice incompreensível ao jovem Renato, uma melancolia teatral tão tosca que o drama virou comédia. Sorte que minha paixão pela Legião transcende todas as coisas.

O conteúdo (talvez isso justifique as caras de Fernanda Lima) dos entrevistados foi bem interessante. Assim com uns efeitos em computação gráfica como se fossem historinhas fazendo link com as músicas. Acho até que esse efeito poderia ter aparecido mais ou até tomar a parte humanamente (ou humanisticamente?) dramatizada.


Queria poder ter prestado menos atenção nas besteiras para apreciar (ou não apreciar) a história de uma maneira geral e sentir aquilo verdadeiramente como uma homenagem. Mas não deu.

Deixo aqui um recado (como se alguém fosse ler) do próprio Renato: “Faça do bom senso a nova ordem”.

segunda-feira, setembro 17, 2007


Ontem fez um ano que sou jornalista!

Um ano de um dos dias mais felizes que eu já tive!


Muito, muito bom!
Na foto: minha grande e fiel platéia de amigos. Ao fundo, Hélio, minha mãe e minha avó e eu "descendo até o chão" no dis 16 de setembro de 2006.

quinta-feira, setembro 13, 2007

O dedo na porta.

A saudade é a pior dor que existe.

A saudade é aquela dor de quando se prende o dedo na porta. Surge de repente, de surpresa. Você grita, chora, implora pra que passe logo. Os minutos não passam, se arrastam enquanto você segura uma mão com a outra na intenção de aliviar a dor. Mas agora, na esperança de ancorar um bálsamo na crença de que aquela dor seja só um deslize emocional, o dedo fica permanentemente roxo, um roxo tão imutável, um roxo que vai trazer à memória a aflição das lembranças emergentes, o susto e o barulho do dedo na porta. A dor que era arrematadora, cimenta no coração com uma comodidade como se fizesse realmente parte do seu corpo, como um órgão moribundo sem moradia.

O que é pior? A porta sempre vai estar lá.

Só muito gelo para curar a dor da saudade.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Sol, câmera, já!



Eu tenho sérios problemas em me impor em muitas situações do trabalho. Parece que eu me comporto, em certas situações, ainda como estagiária. E é difícil as vezes entender que sou uma profissional. Apesar de realizar minhas funções com muita seriedade eu estou sempre querendo carregar os cabos, pular com as crianças em que eu devia dar bronca por estar atrasando meu trabalho, não me constranger em pedir pra voltar e fazer tudo de novo, faço piadas e vou perdendo o respeito até que eu vejo que perdi todo respeito. Dirigir comercial é assim, complicado. Apesar de ser produções pequenas, eu tenho que manter a simpatia, mas tenho que me mostrar durona, prestar atenção em tudo, na grama, no céu, no fundo, no lado mais fotográfico de cada figurante, na calcinha aparecendo, no cinegrafista, na sombra, nos minutos filmados, fazer todo mundo ficar na mesma posição sempre e ainda ser criativa para fazer diferente sem ficar um comercial papagaiado. Para dar conta de tudo isso eu não posso mais me comportar como se eu tivesse ali só pra ajudar. São coisas que eu só vou aprender depois de muito fazer. E eu sonhando em trabalhar com cinema.... eu chego lá, nem que seja como estagiária, nos primeiros filmes.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Saneamento Básico, o filme - longe da fossa.



Existem duas grandes vantagens em se ver um filme sem saber bulufas do que se trata a história: você pode se surpreender muito e se o filme for demasiado ruim você não desperdiçou seu precioso tempo com expectativas positivas.


Assim foi com “Saneamento Básico, o filme”. Quando cheguei no cinema a única coisa que eu sabia, surpreendentemente, era só isso,o nome e que era um filme nacional. Foi no momento em que vi o cartaz e minhas esperanças foram diminuindo de acordo em que meu pré-conceito ia aumentando: atores globais, dois em novela das oito, mesmo elenco de sempre (apesar de ser um elenco respeitável, eu criei um certo asco depois da decepcionante experiência com Ó pai ó (comparações serão, no decorrer deste texto, inevitáveis)). Depois de acomodada na poltrona vejo “Globo Filmes apresenta” e por bem o filme começou logo antes que eu começasse a colocar na cabeça que o que eu iria assistir ali seria mais um capítulo de um novela. Realmente não precisou de muito tempo pra eu ver que quase me engano. Logo nos primeiros minutos percebi a ausência das caras e bocas, dos esteriótipos, dos exageros, dos ângulos de televisão e relaxei aliviada. No entanto, relaxar em um filme como Saneamento Básico não é um verbo muito apropriado pois foram poucos os minutos em que eu consegui parar de chorar...de rir.


Voltando um pouco no que deveria estar no início deste texto, Saneamento Básico conta a história de uma comunidade de um município muito pequeno do interior do Rio Grande do Sul que luta para conseguir com que a Prefeitura atenda, enfim, os pedidos já fatigados para uma construção de uma fossa. Dois representantes (Marina e Joaquim, interpretados por Fernanda Torres e Wagner Moura) dos moradores da pequena Linha Cristal, que já possuem um projeto orçado para saneamento básico da vila, vão até a sub-prefeitura e deparam com o fato chocante ( para eles, obviamente): a prefeitura não dispõe de verba para as obras de saneamento mas dispõe de R$ 10 mil para a realização de um vídeo de ficção que se não for utilizado será devolvido para o Governo Federal. Como o dinheiro não pode ser devolvido de jeito nenhum.... Marina e Joaquim resolvem assumir o compromisso de realizar o filme sobre a própria obra e com isso pegar o dinheiro para construir a fossa. Entretanto, eles só podem retirar o dinheiro depois que apresentarem um roteiro e um projeto de vídeo de dez minutos. Loucura mesmo é quando eles descobrem o que é “de verdade” um filme de ficção e colocam um monstro para ser a estrela do curta. A história é essa, resumidamente, o que garante as boas risadas são os diálogos inteligentemente engraçados de uma simplicidade e inocência sem igual acompanhado das interpretações super naturais de todos os atores. Só por isso o filme já valia, pelo sentimento de satisfação de estar com a atenção presa em cada minuto, mas ainda tem a poesia do filme, a contextualizante trilha sonora, a crítica social que não quebra o bom-humor e dá conta do recado.


Agora vem minha inevitável comparação com Ó pai ó. Eu sou consciente de que cada forma de filme compreende uma intenção diferente, mas eu nunca, nunca sou fã de apelos e defendendo a opinião de que para ser uma boa comédia isso não precisa quase que necessariamente acontecer como foi com Ó pai ó, e a prova disso é Saneamento Básico. Em Ó pai ó O o baiano em é tão figurinha, a Bahia é tão “pintada”, a comédia é tão forçada que eu achei até morava em outro Estado que não aquele que estava vendo no cinema. E é exatamente isso, não é como é (como pretendeu ser, ao meu ver), mas como é visto de fora, o que oferece uma carga de artificialismo que só poderia piorar com o final que teve, uma tragédia sem eira nem beira para provar sei lá o que do carnaval e de toda aquela miséria e alegria que foi cultuada durante todo o filme. Um filme que não me serviu nem de diversão. (Veja meu comentário sobre Ó pai ó, que acabei de descobrir que comecei da mesma forma que esse, falando de expectativas: http://midocarmo.blogspot.com/2007_04_01_archive.html).

Foi quando fiquei sabendo que Jorge Furtado, o diretor de Saneamento Básico, é de lá do Sul e tirei um conclusão, com a ajuda da minha fonte reveladora, de que só mesmo sendo da terra para captar sutilmente cada detalhe de seu povo, de sua paisagem sem maiores apelos. Um exemplo de filme assim, no quesito comédia, aqui no nordeste é Narradores de Javé.

É uma pena que se você já leu esse texto (ou qualquer outro comentário) e ainda vai assistir ao filme não tenha mais aquela expectativa virgem de poder se surpreender, mas ainda assim garanto que você não vai se arrepender de ir ao cinema assistir Saneamento Básico. Há muito tempo não me divertia tanto com um filme brasileiro, é realmente muito legal.

terça-feira, setembro 04, 2007

Muito trabalho pra uma semana só.