quinta-feira, março 22, 2007

Pau Brasil 2000

Ontem, peguei uma entrevista pela metade na TVE Bahia (Cultura) com um cara que tocava um violino e cantava. Parecia ser um tipo de referência de algum movimento musical parecido com literatura de cordel. Se não for isso, o responsável pela matéria/entrevista pretendeudar ênfase à essa idéia do cara ser algum destaque por ter estimulado o resgate de algum tipo de manifestação cultural. Trocando por miúdos, não tenho idéia de quem é aquele cara, nem o nome dele eu consegui "pegar". O que focou minha atenção, primeiramente, foi aquele "ar" de bêbado que ele tinha (ou tem). Depois, achei que ele era a reprodução fiel de Glauber Rocha, num mix com Waly Salomão e Caetano Veloso.
No entanto, o texto não é para falar da cara do indivíduo, e sim das palavras que ele proferiu com tanto gosto e pungência: "O Brasil será o centro do mundo. Todos os países imitarão o Brasil. Essa já é uma previsão de (e aí ele falou um tanto de profeta, hindu e de várias outras culturas). Porque o Brasil tem o maior continente, contêm minerais e um povo excepcional".
E nesse naipe, ele continuou com um chauvinismo exacerbante, praticamente um militante Pau Brasil.O maior continente? Já foi comprovado que tamanho não é documento quando se trata de desenvolvimento econômico e social. Minerais? Acho que esse cara perdeu o embarque da nau... Um povo excepcional. Concordo. Mas, diante das circunstâncias, não sei é excepcional a ponto de transformar o Brasil no país do futuro.
Por coincidência, naquele mesmo momento, lia sobre o livro de Chico Buarque, O Estorvo, e da adaptação de Ruy Guerra para o cinema. Não li, nem vi, respectivamente. Mas, através da crítica de Orichio (Luiz Zanin, Cinema de Novo), as duas obras surgiram em um momento de deslocamento do “eu brasileiro” dentro do seu próprio espaço, ou o que teria de ser seu próprio espaço. Essa sensação de “não pertencer a lugar algum”, sentimento que toma as rédeas da história do personagem principal, é conseqüência do desconforto moral causado pela era Collor. Essa desilusão, fruto da angustia de estar perdido na própria terra, em minha opinião, perpetua nos dias de hoje. O Brasil é um país desacreditado e não vejo um motivo para manter as esperanças. Mantemos para fazer do país um lugar habitável e prazeroso para se viver, contudo é fato que a decepção ainda é contemporânea. Menos para o meu amigo meio- irmão de Oswald de Andrade, claro. Sorte dele.

2 comentários:

Hélio disse...

Eu nao queria fazer comentarios, pq seria extremamente pessimista em relação ao Brasil e o futuro... Ter esperanças é o ideal, mas acho que deve ter muita gente nessa situação. Porque ter esperança é ESPERAR. E eu acho melhor essa muita gente começar a FAZER alguma coisa.

Agora que estou lendo exclusao social do ponto de vista psicossocial, fico mais desacreditado ainda. Mas tb me dá esperança de que um dia eu possa fazer algo. "Veremos..."

Bjos

kaká disse...

Mi... Te confesso que fiquei triste ao ler seu post, e isso acontece por suas palavras serem verdadeiras... Sabes, eu amo essa terra... Amo mesmo, palavra! Mas amar é diferente de acreditar... Então vou fazendo minha parte, ensinando o melhor que posso para minhas crianças e transmitindo um otimismo duvidoso...

Vou reler seu texto, acho que algo em mim ficou contraditório... Tenha um ótimo domingo! Um beijo!