quarta-feira, maio 02, 2007

Cinema de novo e sempre!


Você é fã do cinema nacional? Leitura obrigatória: “Cinema de novo – um balanço crítico da retomada”.
Escrito por Luiz Fernado Zanin Orichio, crítico de cinema e editor do caderno “Cultura do jornal Estado de S. Paulo, o livro é muito mais do que um balanço crítico como o título pretende propor, é um passeio pela história do cinema brasileiro dos anos 90 até agora, com pinceladas no Cinema Novo e também nos anos obscuros da produção cinematográfica, os anos 80.
Com a leitura, além de você ganhar uma expansiva aula de cinema brazuca, você ainda ganha uma fascinante aula de história e a relação da sétima arte com a cultura, política e sociedade durante todos esses anos que compreenderam a chamada Retomada.

Essa “retomada do cinema nacional” se deu no final dos anos 90, tido como murcho ou quase inexistente não só para o cinema mas, também como para boa parte da produção cultural no Brasil, que esbarrou no muro da falta de incentivo (Collor extinguiu nos anos 90 alguns órgãos como a Embrafilme, por exemplo) decorrente de uma das piores fases políticas que o país já atravessou. No entanto, mesmo depois de todo desprezo e desvalorização das produções nacionais, tanto da parte dos políticos quanto da própria sociedade, o cinema brasileiro respirou fundo e começou tudo de novo. Essa insatisfação foi levada para as histórias narradas em cada um desses filmes que foram surgindo aos poucos e se caracterizaram principalmente por revisar, analisar, criticar e interpretar a sociedade brasileira, suas diferenças, divisão de classes, violência e et cetera dos gêneros, através dos cenários diversos em que se desenvolve cada singularidade do nosso povo. Esses “espaços” são divididos por capítulos.

“A representação da história”, o primeiro capítulo, expõe os filmes que pretendem fazer uma crítica analítica da relação do país com outros países, no sentido da “reconstituição da História”, como a sociedade acha que é enxergada no exterior, por assim dizer.
Logo depois, quase nessa mesma linha mas no sentido mais individual, vem o “Eu e o outro”, e nossa relação com os “gringos sábios”. “A esfera privada” passeia pelos filmes que analisam o amor, a família, amizade na sociedade brasileira. “A esfera pública”, a relação com a política, a nossa própria sociedade. O cinema como meio de crítica das nossas diferenças sociais vem no o capítulo “O Sertão e a Favela”. “Classes em choque”, põe à vista os filmes que discutem a relação de pobres e ricos, da burguesia entre si. Os filmes que tratam do crime principalmente como “retrato social” estão no capítulo “A arte da violência”. “A crítica e o cinema impuro” traz o relacionamento com o cinema nacional, os desafios e polêmicas, identidade e originalidade.


O livro é um aprendizado em tanto. Com uma leitura agradável, você vai sentir o sabor das mais conhecidas produções cinematográficas até às que menos ganharam destaque crítico ou popular. Das que foram sucesso de bilheteria, às que mal conseguiram uma sala para projeção.

Mais uma vez, para quem é fã, como eu, é uma delícia a descoberta do cinema brasileiro nas 233 páginas de “Cinema de novo”.

3 comentários:

Jô Beckman disse...

adoro cinema nacional, até quando é ruim é bom! hehehee
beijos

Hélio disse...

Nunca fiquei com tanta vontade de ler esse livro quanto agora, lendo seu comentario. Mais um pra fila...

Bjos

Shirley de Queiroz disse...

Me empresta??