domingo, dezembro 14, 2008

ano 3

Hoje faz exatamente dois anos da criação deste blog. Não obstante, é meu aniversário de 26 anos. Vinte e poucos anos poderia se transformar em vinte e tantos anos, já que agora estou mais perto dos 30 do que dos áureos 20. Não gostaria de pensar desta forma, mas é inevitável. Tem vezes que me sinto tão jovem, em outras me sinto mais envelhecida do que o permitido pra idade. Gostaria agora de fugir dos clássicos e clichês de postagens de aniversário, mas não tem como escapar do velho “neste momento um filme do que eu fiz dos meus 25 anos passa pela minha cabeça”. Lido com meu aniversário de uma maneira um pouco diferente das pessoas que conheço. Tem gente que não suporta o fato de lembrar-se e ser lembrado da idade, de receber parabéns, de ser o centro das atenções ou simplesmente desdenham da data: “pra mim é um dia normal”.

Eu uso o 14 de dezembro para pensar. Sobre o que? Eu não sei. Sobre minha família, meus amigos, minha profissão, meu trabalho, meu caráter, minha dignidade, minha casa, minha conduta, meu passado, meu futuro, minhas conquistas e meus fracassos... Sobre a vida, o mundo. Pensar em tudo, sobre quem fui, quem sou e quem gostaria de ser. Na verdade é uma condensação do que penso às vezes, todos os dias, em algum momento, em qualquer lugar, mas que ganham peso quando me dou conta do tempo passando, que é exatamente no dia do meu aniversário.

Pensei tanto que do nó que se fez em 2006 criei este blog, com o nome sugestivo, título da música de Fábio Junior. Pensei tanto que achava que isto somente não bastava. Eu precisava falar, falar, falar... e achei, com sucesso, que escrever, escrever, escrever sanasse um pouco o problema.

Na música Vinte e Poucos Anos, quem canta se sente autossuficiente, independente, decidido e corajoso. “Você já sabe e me conhece muito bem, eu sou capaz de ir e vou muito mais além”. Estado de “espírito” e desejo de provar que eu poderia muito bem cantar esta música, que ela se encaixava em mim. Por isso, fiquei com medo de transformar este espaço num diário com as mesmas características daquele que eu tinha com 14 anos. E durante este tempo fiz isso algumas vezes, mas falar da minha intimidade começou a ser perigoso e me dei conta de que não era isso que eu precisava de verdade.

O Vinte e Poucos Anos nunca foi nada muito definido, solidificado e atualizado com certa periodicidade, pelo mesmo motivo nunca foi muito popular. Já até tentei fazê-lo utilizando alguns recursos, mas no outro dia achava inútil e deixava pra lá. Quem vem e volta é porque de alguma coisa gostou e na maioria das vezes isso bastou (a gente sempre quer “ser lido”, com intenções diferentes, mas sempre quer ter atenção, é intrínseco do ser humano, tendo blogs ou não).
Aqui fiz “ensaios” de críticas de filmes, livros, música, falei muito bem, falei muito mal, escrevi contos, histórias emocionantes e engraçadas (pra mim, pelo menos), reproduzi textos, falei dos meus sentimentos, dos sentimentos dos outros, fiz mil e uma declarações de amor, amizade e de ódio e quase nunca fiz questão de agradar ninguém. Então, embora nem sempre eu tenha falado diretamente sobre mim, a característica de cada momento deste blog acompanhou uma fase minha, que muda com a mesma freqüência que mudo de layout, tentando a todo minuto colocar um pouquinho de tantas partes que juntas constroem meu eu, ou que eu acredito que seja meu eu. Acreditem, não querendo subestimar que você que está lendo já não saiba disso: conhecer a si próprio é muito mais difícil do que se imagina. Neste sentido, o Vinte e Poucos Anos facilita isso pra mim às vezes. Lendo as coisas do passado, posso parar para refletir sobre o que aquilo representava na época, o que representa agora, o que mudou e não. Alguns textos eu odeio, outros amo. E por isso vou continuar a fazê-los e considerá-los, mesmo aqueles compostos por uma só frase, parte dos meus vinte e poucos anos.

O que eu não quero é chegar aqui aos 29 anos, ler o que escrevi e me dar conta de que eu sou a mesma pessoa que era aos 24. Ao mesmo tempo em que quero reler tudo e tentar resgatar algo de bom que a seleção natural do tempo na memória me fez esquecer. Eis a importância de todo registro. Por isso, meus vinte e poucos anos continuarão sendo documentados e aprovados ou rejeitados por quem ler. Essa é a graça de escrever, essa é a graça de comemorar. Essa está sendo a graça de fazer 26 anos.

Obrigada a todos que entraram aqui, que “me leram” e que deixaram recados (são três categorias distintas, rs). Avante para o ano 3 do Vinte e Poucos Anos.

3 comentários:

Euzinha disse...

Feliz aniversário!!!
Te desejo tudo de melhor e mais maravilhoso!
Beijo

Aline disse...

Adorei a repaginada do blog. Tá lindo (vi que tem aquela foto que a gente tirou no Caminho da Roça).
Pra mim o dia do aniversário não é um dia qualquer, "um dia normal". É um marco. Mesmo sendo invenção nossa, invenção do homem, ela pode ser repleta de significados. É só uma questão de perspectiva. rs

Pra mim é um dia que considero especial e é fundamental estar com as pessoas que amo. E mais que um dia de curtição, é um dia de reflexão.

Bjos bobsislindona.
Que a cada ano vc se torne mais linda ainda (se é que isso é possível... hahaha).

Tina disse...

Parabéns!!! Que os seus 26 anos sejam repletos de boas histórias!
beijos
Ti