quarta-feira, junho 27, 2007

Alegria, alegria

E de novo eu saio atrasada de casa. Me culpando, reclamando com minha própria irresponsabilidade. Do meu apartamento não dá pra ver o tempo como está la fora, então posso levar um susto quando penso que está calor e quando abro a porta do prédio...pimba! Tá um frio de lascar! Não foi isso que aconteceu hoje, mas não deixei de me surpreender com a garoa fria que caia no meu rosto como uma navalha, o dia gris pior do que os amores da música do Djavan.
Já fiquei pensando: essa garoa é péssima para essa tosse Highlander que me persegue. Definitivamente meu dia estava começando com o pé esquerdo.
Para tornar as coisas mais dramáticas, só faltava um carro passar e jogar água na minha camisa branquinha (o que parece ser regra para os dias ruins ficarem piores), era esse desastre que eu temia.

Na esperança de tornar aqueles primeiros momentos da manhã mais agradáveis liguei o rádio do celular enquanto caminhava para o ponto de ônibus. Tava tocando: “estou em milhares de cacos, eu estou ao meio. Onde será que você está agora?....” Adriana Calcanhoto em uma das suas interpretações mais deprês. Coincidência, porque ontem eu tava pensando em fazer uma lista das músicas indicadas para anteceder um suicídio e “Metade” liderava essa lista.
A sorte foi que antes que eu começasse a chorar “Metade” chegou ao fim. Eu esperava por outro “membro” da minha lista enquanto a vinheta da rádio tocava (“Rádio noveeeenta e seis”). E começa: “Tam, tam, tam... Tam, tam, tam... Tam! Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento...”. “Alegria, alegria” pra contrariar tudo! Nesse momento eu já tava chegando no ponto de ônibus e quando Caetano cantou “no sol de quase dezembro, eu vou...” pensei: esse cara ta de brincadeira com minha cara. Sol, dezembro? Então preferi que, ao invés de ficar com inveja da alegria dele, era melhor eu trazer essa alegria para dentro de mim.

E assim foi.“Em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, pernas, bandeiras, bomba e Brigitte Bardot”, e lá estava eu, com outro astral, balançando o corpo a caminha do ônibus que parecia só estar me esperando, erguendo o rosto para a garoa como que “venha que você não me corta mais, leve essa irritação embora”.

“O sol nas bancas de revista, me enche de alegria e preguiça, quem lê tanta notícia”, coincidiu de eu estar passando em frente a uma banca de revista! Comecei a rir, numa alegria incontrolável que destoava de todos os outros rostos que me olhavam. (Será que todo mundo acordou com aquele pé esquerdo?). “Eu vou, por entre fotos e nomes, os olhos cheios de cores, o peito cheio de amoooooores vããããosss”, eu já estava cantando, errando a letra, trocando as seqüências, mas com os olhos cheios de cores embaixo do óculos escuro.

Quando acabou a música eu já tava no ônibus cheio, com as caras mau-humoradas que esbarravam na película invisível do bem-estar que envolvia meu corpo, minha alma. “Colocaram essa música pra mim! Sabiam que eu precisava dela!” dividia meu pensamento com a canção que estou cantarolando até agora. Claro que não, é totalmente improvável isso, mas e daí? Eu já estava totalmente “perdida em música”. Esse dia de agora, com certeza, não é mais aquele em que acordei com o pé esquerdo. "Por que não?"

2 comentários:

Lindinha disse...

Todos os dias quando acordo ("não tenho mais o tempo que passou..." kkk, mentira!) eu tenho uma trilha sonora na cabeça também. Geralmente é Creep (what a hell Am I doing here?). Rs. Vou tentar colocar uma musiquinha que fale de sol e praia pra ver se me envolvo nessa película de alegria tb! pela amnhã, nesse mega-ultra-power frio, não tem sido fácil né Mi?!:)
Beijoca!

Iemai disse...

Engraçado que só de ler os trechos da letra eu fiquei bem mais "preenchida" aqui..
Todos os dias deveriam começar desse jeito, né? Com a música certa, o sentimento certo, enfim..