sexta-feira, junho 08, 2007

Limpando o porão.


Ficar em casa sozinha tem uma vantagem. Longe das interferências externas, dos sons, das conversas, das presenças e de toda poluição mundana você consegue realizar uma viagem interna cheias de reflexões que findam na pergunta milenar que já tirou o sono de muitos estudiosos de psicologia e de filósofos, “Quem sou eu?”. Para um feriado responder a “Quem sou eu?” me pareceu deveras árduo. A solidão me induziu a refletir e não a queimar meus neurônios com uma crise existencial. Então reduzi minha área de pesquisa: “O que eu tenho?”

Não é de hoje que o ser humano está à procura da vida perfeita. E eu, o que que eu tenho? Posso reclamar de alguma coisa?

Começando por mim. Não sou nada perfeita. Mas não sou má (não por querer), tenho jogo de cintura, inteligência suficiente para sobreviver. Minha saúde não é exemplar, mas vivo muito bem, não tenho vícios, não uso drogas e só bebo aos finais de semana. Consegui o que eu mais queria: graduar e estou dando um passo além na Pós. Bem ou mal, me sustento, sou independente.

Minha família não tem uma estrutura convencional e não é um modelo de família ideal, das que a sociedade pinta. Mas tenho uma mãe e um pai que com todos os seus defeitos, me amam e não medem palavras para dizer o quanto se orgulha de mim. Minha irmã é linda, esperta, confia em mim. Minha avó é um chamego só, um exemplo de vida. É a MINHA família, e eu sei que quando precisar estarão lá.

Tenho uns seis bons e fiéis amigos, nada perfeitos. Uns me julgam, outros não me ouvem muito, mas quando derramo uma lágrima eles estão lá, com seus ombros e lenços não falando frases feitas de conforto, mas me confortando com: “eu te amo, acima de todas as coisas que possa acontecer”. E o melhor: são cúmplices e responsáveis pelos meus melhores momentos, são companheiros, originais. Meus amigos são FODA! (no bom sentido, rs)

Meu emprego é divertido. Também passa longe de ser o emprego perfeito, mas ganho o suficiente para sobreviver, num lugar agradável e com um chefe gente boa. Minha profissão tadinha... ser jornalista não é fácil, de verdade. Mas é o que eu amo, com todos os defeitos e não me vejo fazendo outra coisa que não seja na área de comunicação. Tenho muitas expectativas para o futuro, de que as coisas vão melhorar.

Tenho um namorado cheio de defeitos, mas possuidor de uma inteligência invejável. Carinhoso, amável, divertido, gostoso e me ama! Me fez enxergar muita coisa boa nessa vida. É quem eu quero casar e construir uma vida junto.

Então, depois de muitas horas enclausurada em mim mesma, curtindo o vazio da casa com uma vassoura na mão ou com a barriga molhada no tanque, revendo fotos, abrindo pastas e, como fez Rocky Balboa em sua volta triunfal, conotativamente limpando o porão, cheguei a conclusão que EU TENHO TUDO!
Afinal, o ideal não é a perfeição. O ideal é o que faz cada dia valer a pena.

3 comentários:

Paulinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulinha disse...

Ahhh nem sei o que dizer!!
Irmã linda, cada dia vc se supera mais!!
E eu, nem tenho mais espaço para tanto orgulho!
Irmã, confio em vc msm!
Na verdade vc é a pessoa que eu mais confio no mundo!
E a que eu mais amo tbm!!

PS: eu errei algum mas/ mais?
hahahahah

Finder disse...

Tenho vontade de morar sozinho. Mas com uma diarista ajudando, senão a casa fica inabitável depois de um tempo...
:o)