Eu sei que carnaval já é papo passado e que muita gente (assim como eu) já teve uma overdose das lamentáveis rimas e miseráveis danças.
Carnaval não é festa da alegria, nem da sensualidade, nem da harmonia, nem da preservação da cultura brasileira. Todos esses atributos são associados à festa para encobrir uma verdade que muita gente, embora saiba, não gosta de admitir: o Carnaval é a época da pornografia, da putaria e da consolidação do pensamento de que aquilo tudo é pra compensar um ano inteiro de sofrimento e trabalho, consolidar a idéia de que o povo brasileiro apesar de tudo é feliz.
A cara do Brasil é o Carnaval. Um Brasil peladão, com mulheres doidas para abrir as pernas, exalando suor em rebolados excitantes e com homens portados de calculadora somando quantas dessas mulheres levou pra cama ou comeu ali mesmo encostado numa parede, no meio da rua.
Se alguém acha que estou sendo cruel, sugiro que avalie com bastante atenção as letras das músicas tocadas e cantadas no Carnaval (o ano inteiro). Aliás, o termo “mamíferos acéfalos” foi pronunciado por alguém que compartilhou comigo a triste cena de um grupo de jovens dançando loucamente “Perereca pra frente, perereca pra trás”.
É claro que existem fragmentos importantes da cultura popular em algumas dessas festas, mas muita gente está pouco se lixando pra isso, afinal existe algo muito mais interessante pra fazer, como “buscar Dalila ligeiro”, por exemplo.
Então, o Carnaval é um “mundo” selvagem, um grande laboratório para os pesquisadores que gostam de investigar estranhas e repugnantes espécies, aquelas que durante muito tempo acreditava-se não existir, como os mamíferos acéfalos, por exemplo, que enxergam uma única finalidade da sua existência: colocar a mão no joelho e dar uma abaixadinha.
OPINIÃO: ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD
Há 5 anos