quarta-feira, agosto 08, 2007

Músicas do inferno popular e seus representantes

Sábado passado estava eu na aula da Pós e recebo uma mensagem do meu namorado que tinha passado a noite na minha casa: “Tem uma filha do demônio no apê do lado gritando desesperadamente músicas do inferno popular*”. E eu respirei aliviada por ele ter sentido na pele o que eu sinto todo dia quando aquela infeliz resolve abrir a boca para cantar ou quando, para o desespero geral dos meus preciosos tímpanos, ela coloca um dos valiosos CDs de música do inferno popular. Meu coração partiu ao ler a mensagem, mas pelo menos alguém mais se irritou tão profundamente quanto eu que já estava achando que era intolerância minha.

Eu até compreendia o direito dela assassinar minha tranqüilidade do lar aos finais de semana com músicas tão arrebatadoramente de mau-gosto porque ela tem o direito de ouvir e cantar o que gosta (mesmo sem eu entender como alguém pode ouvir uma aberração sonora daquelas) dentro do apartamento dela. Então eu continha minha impaciência e tomava algumas providências para não mais ser vítima de tanta perturbação, como colocar no ouvido músicas do “paraíso popular” travando uma batalha que geralmente eu ganhava pelo simples fato de minhas canções serem introduzidas diretamente no meu cérebro através de um fone.

Ah sim, antes que chegue a pior parte devo dizer que minhas vizinhas (e não tenho idéia de quantas são) adoram uma conversa sobre homens, festas, e todas as putarias possíveis quando combinam esses dois elementos acrescidos de bebida e um arrochazinho básico. E gostam mesmo de compartilhar o papo. Umas periguetes do mais alto escalão. E ouse fechar a janela do seu quarto para ter sossego! Além de não ter o direito de ficar em silêncio, impedindo a entrada do som com um fechar de janela eu ganho uma frase bem educada: “Ave Maria, agora a gente nem pode conversar mais nesse prédio!” Pode sim, querida, se você soubesse conversar.

Agora, eu acho que uma delas descobriu sua verdadeira vocação. Acha que encontrou seu dom cantando no banheiro, às 6 da manhã. No entanto não é uma cantoria matinal comum, daquelas de quando você acorda feliz e sai cantarolando pela casa. Não, antes fosse. É um despertador voluntário muito do desgraçado e estrondosamente alto. Essa revelação do mundo musical do inferno popular dos cantores de banheiro da pior espécie aconteceu há uma semana e acho que ela percebeu que obteve sucesso, se a intenção era pirraçar meu sono. O que eu fiz para merecer, meu Deus? Ser acordada uma hora antes por uma voz estridente. Começou com Tim Maia. Meia hora de banho da mesma música. E eu acordei pensando: “pelo menos é Tim Maia” (que não faz parte da lista dos representantes do inferno popular), mas foi esse dia. Os outros foram a tal da Pisadinha, completa, todinha, integralmente (ou parece ser toda porque demora a chegar ao refrão que era a única parte que eu conheci, por um infortúnio do destino, na semana passada). Como uma pessoa pode acordar cantando isso durante meia hora de banho?
Não sei se quero uma resposta.


*As músicas do inferno popular são todas aquelas derivadas do que há de pior da música brasileira como o arrocha e suas milhares e inacreditáveis ramificações, por exemplo.

Um comentário:

Emi disse...

hahaha Coitada! Sei como é! Cada dia eu descubro que essas coisas podem piorar mesmo... Sempre reclamei dos meus vizinhos que brigavam, xingavam, fugiam da polícia, mas depois mudei de casa e agora vejo que era até mais divertido ouvir aquelas brigas do que ter que aguentar quase um canil na casa vizinha =// Coisas do tipo.

Torço pra que um santo melhor baixe aí nas suas vizinhas xD